terça-feira, 27 de janeiro de 2026

ANTIVAX, PARTE 2.

Já tivemos a oportunidade, aqui, de suscitar a hipótese consoante a qual o Estado produz, através de serviços como saúde, educação, previdência social e monopólio da violência, a mercadoria consistente na força de trabalho, ou seja, a própria classe trabalhadora, a qual produz em conjunto, por seu turno, a riqueza das nações. 

Mas o processo capitalista e estatal de produção da força de trabalho exibe, evidentemente, contradições flagrantes, como a educação, que pode difundir pensamento crítico apto a questionar todo o sistema, como aquele veiculado pelo socialismo científico. 

Tomemos o caso dos serviços de saúde e saneamento.

Ora, o progresso de tais serviços conduz inexoravelmente a problemas de jaez demográfico, tais como o envelhecimento da população pelo aumento da longevidade, verbi gratia, o que aumenta a despesa pública com saúde e previdência social e, via oblíqua, a dívida pública como um todo.

Hodiernamente, a grande maioria dos assim designados países ricos e desenvolvidos, máxime na Europa, Reino Unido e Japão, apresenta o alarmante problema de dívida pública maior do que o respectivo PIB, o que tolhe investimentos estratégicos para o desenvolvimento capitalista e provoca queda de crescimento econômico. 

Daí o advento de correntes neoliberais que se voltam agora contra os gastos com saúde pública, máxime contra o serviço de vacinação da população, o assim designado movimento ANTIVAX, cuja personificação mundial recai sobre a triste figura do advogado Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de saúde yankee. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.    

ANIVERSÁRIO DO NÚCLEO DE ESTUDOS D´O CAPITAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

Em 10 de agosto próximo, este núcleo partidário completará 35 anos de atividades ininterruptas, sempre atuando na divulgação e estudo do socialismo científico, seja através de eventos pessoais, seja através de publicações escritas, veiculadas por intermédio, principalmente, das revistas Praxis (já extinta), Mouro e do vertente portal eletrônico (blog).

Para celebrar tal conquista, tomo a liberdade de convidar a todos, sem exceção, a publicar textos curtos sobre este núcleo partidário ou sobre o socialismo científico em geral no vertente blog.

Nesse intuito, basta encaminhar seu texto para o endereço eletrônico abaixo, colimando a sujeição do escrito ao crivo do corpo editorial deste portal eletrônico:

luisfernando.jef@gmail.com

Muitíssimo grato, saudações socialistas do 





NÚCLEO DE ESTUDOS D´O CAPITAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

ORELHA

A morte violenta, provocada por seres humanos, do cão comunitário chamado "Orelha", em uma praia do litoral do estado de Santa Catarina, no Brasil, reacendeu a polêmica em torno da proteção dos animais contra maus-tratos por humanos, prevista tanto na Constituição como em lei federal de tal país. 

Sempre ouvi dizer que a proteção legal a animais colima na verdade despertar a bondade e o altruísmo nas relações sociais entre os próprios seres humanos.

Ora, se a lei precisa impor tal tipo de sentimento entre seres humanos, dessume-se que as relações sociais atuais não o fomentam habitualmente, prevalecendo o egoísmo e certa maldade no trato social, o que parece ter fundamento empírico. 

O verdadeiro e concreto altruísmo, ao que parece, somente aflora em determinadas condições e relações sociais em que o bem-estar de cada um depende do bem-estar de todos, e vice-versa, algo que somente pode ocorrer em dada sociedade sem divisão de classes sociais e Estados-nações beligerantes, isto é, no comunismo mundial vindouro. 

Dirão: mas a maldade é um dado ínsito ao homo sapiens enquanto espécie biológica!

Tudo bem, mas sabemos, desde Darwin, que as espécies biológicas evoluem.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

TELEOLOGIA

Sou francamente adepto da teleologia intrínseca às filosofias de Aristóteles e Hegel, e acredito piamente que Karl Marx também era caudatário de tal vertente de pensamento. 

Nesse diapasão, a obra intitulada O Capital, de autoria deste último expoente da dialética, exibe uma evidente evolução de qualidade em relação ao Manifesto Comunista:

Sem embargo, se, no Manifesto, a liberdade inerente à possibilidade de variegados desdobramentos das lutas de classes é infensa a qualquer forma de teleologia, em O Capital, regido por uma lógica dialética implacável na sucessão histórica das categorias econômicas, tanto o capitalismo quanto o vindouro comunismo, bem assim os modos de produção antediluvianos, exibem-se necessários e inescapáveis, sob pena de naufrágio da espécie do homo sapiens. 

Esta forma de teleologia, portanto, encerra certa liberdade, digamos, vigiada.

Explico:

Assim como o proletário tem a liberdade de trabalhar ou morrer de fome, assim também a humanidade tem a liberdade de alcançar o comunismo mundial ou desaparecer por guerra ou catástrofe ambiental.

A história, assim como os proletários, é, nesse sentido, "livre como os pássaros".





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

OBRAS INCONCLUSAS

Sempre fui atraído por aquilo que é vencido, derrotado e inconcluso, o que talvez esclareça minha predileção pelas obras de autores como Franz Kafka, Fernando Pessoa e, obviamente, Karl Marx!


Lincoln Secco foi quem me chamou a atenção para o fato de que talvez a obra postumamente publicada ou ainda inédita do Mouro de Trier seja mais ampla e vasta do que aquela acabada e publicada em vida, algo que me parece consentâneo com o método científico do materialismo histórico e dialético.


Sem embargo, os livros segundo e terceiro de O Capital foram postumamente editados e publicados por Friedrich Engels e exibem material notoriamente controverso, tal como evidenciado pela crítica de Rosa Luxemburgo ao aludido livro segundo, bem assim o problema da transformação dos valores em preços de produção insculpido no livro terceiro respectivo.


O Velho Nick também legou em torno de mil páginas manuscritas sobre cálculo diferencial e integral, as quais estão sendo gradual e parcialmente publicadas e estudadas.


Esse material manuscrito imenso teria mesmo a autorização de Marx para ser publicado do jeito que está sendo feito?


Qual o grau de autoria assumido por Engels?


Pretendia Marx conferir um acabamento mais formalmente matemático para sua crítica da economia política?


São questões intrigantes!


Mas uma coisa é certa:


A vida não é só dura; ela também é muito curta!







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

UMA APORIA

No texto intitulado "Ludopédio", publicado neste portal eletrônico, radica uma aporia relativamente evidente, senão vejamos:

Ora, se assumo que as lutas de classes e as guerras entre nações são de certa forma resultado da competitividade intrínseca ao homo sapiens, qual o motivo para colimar o comunismo mundial vindouro, que abolirá as lutas de classes e as divisões geopolíticas?

Bem, estamos no âmbito das hipóteses, mas parece que as espécies biológicas evoluem e, se o capitalismo e as sociedades que o precederam reforçaram este aspecto da competitividade humana na evolução da espécie biológica respectiva, o comunismo poderá reverter tal tendência da evolução, engendrando uma sociedade mundial fundada na cooperação e fraternidade entre os indivíduos da espécie do homo sapiens. 

Destarte, creio que, no comunismo, a incidência de psicopatia entre os socialmente bem sucedidos será menor do que no capitalismo, e criminosos terão mais dificuldade de circular livremente entre os cidadãos honestos.






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.

A RUÍNA DO TRIPÉ

O tripé (Bretton Woods, 1944; ONU, 1945; OTAN, 1949) está ruindo.

O mundo resultante do final da Segunda Grande Guerra não existe mais. Pode demorar algum tempo para que esses estertores atinjam consequências práticas, mas nada altera o fato consumado.

O genocídio palestino na guerra de Gaza, tão cedo esquecido num mundo digitalizado, implodiu ao vivo a pouca autoridade que ainda restava à ONU. Se ela não desfrutava de exércitos, encerrava, ao menos até meados de 2025, certo prestígio, hoje reduzido a pilhéria e chiste.

A OTAN, aliança militar Europa/EUA está igualmente ruindo. A retirada gradual dos EUA, por vezes silenciosa (como na retirada de recursos humanos e bélicos, pouco noticiada) ou estrondosa (como as pretensões imperialistas na Groenlândia) demonstram com nitidez que o parceiro americano cansou de bancar a segurança do velho continente e, mais do que isso, tal patrocínio ficou inviável e pouco lucrativo economicamente. 

ONU e OTAN pressupõem gastos infligidos a um império que sofre com o maior déficit orçamentário do mundo, representando luxos que se sustentam sobre uma pilha de dólares sem lastro e que só existe por conta do acordo de Bretton Woods, esse tratado que também vai se esvaindo e cujo colapso, em definitivo, pode arruinar o império estadunidense.





por CARLOS CÉSAR FÉLIX VIEIRA, o "PUNK"