Reporto-me, ainda uma vez, ao meu texto intitulado "As quatro formas da mais-valia", previamente publicado neste portal eletrônico.
Disto isto, cabe indagar: o que move o capitalista individual a aumentar a composição orgânica de seu capital se isto tende a reduzir sua taxa de lucro?
A resposta seria: para haurir a segunda forma de mais-valia relativa, consoante o texto supracitado.
Mas esta é uma resposta apenas parcial, eis que a segunda forma de mais-valia relativa, que provoca uma redução dos preços da mercadoria do capitalista individual pioneiro (o qual aumenta a composição orgânica de seu capital para elevar a força produtiva do trabalho), enseja a derrota dos capitalistas concorrentes que produzem a mesma espécie de mercadoria, a saber, o mesmo valor de uso, situação esta que favorece a centralização de capital e a formação de monopólio.
Com a centralização de capital e a decorrente formação de monopólio, embota o aguilhão da concorrência para aumentar a composição orgânica de capital (colimando reduzir preços para derrotar precisamente os concorrentes), sendo certo ainda que a queda tendencial da taxa de lucro deixa, portanto, de funcionar como ameaça que sobrepaira o modo capitalista de produção.
Malgrado isso, o progresso tecnológico, e o respectivo aumento da composição orgânica do capital, remanesce na fase do capitalismo monopolista, ou imperialismo, mas agora para extração da terceira forma de mais-valia relativa, vale dizer: o progresso tecnológico não mais colima a redução dos preços de uma determinada mercadoria de certo valor de uso mediante aumento da força produtiva do trabalho, mas almeja o lançamento de novos valores de uso correspondentes a novas necessidades humanas, cujos preços são elevados pela novidade mercadológica aludida e pela possibilidade de obtenção de preços administrados pelo monopólio.
Faz-se mister, ainda, investigar o papel da superprodução na determinação da mencionada inovação dos valores de uso no capitalismo monopolista.
Conjecturas sub judice.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.