quarta-feira, 2 de abril de 2025

MARGINALISMO, FASE MONOPOLISTA DA TEORIA DO VALOR.

Habitualmente, a teoria marxista do valor econômico vem associada à classe trabalhadora, ao passo que a teoria marginalista do valor econômico vem associada à classe capitalista, de tal sorte que seriam mutuamente excludentes do ponto de vista epistemológico. 

Discordo em parte. 

A teoria marxista do valor, na verdade, é característica da fase histórica do capitalismo concorrencial, quando os lucros são hauridos basicamente da extração da mais-valia no âmago do processo de produção de capital, enquanto o marginalismo é característico da fase monopolista do capitalismo, quando os lucros são também, mas não somente, extraídos no processo de circulação de capital mediante imposição de preços administrados.

Faz-se mister, todavia, aduzir que, malgrado sejam teorias complementares, nos termos acima declinados, o marxismo determina o valor das mercadorias, enquanto o marginalismo detemina o respectivo preço. 

Conjecturas sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.  

MONOPÓLIOS E PREÇOS

Parece lícito esgrimir que, nas fases mercantilista e monopolista da história econômica do capitalismo, os lucros são obtidos em grande medida na esfera da circulação de mercadorias ou de capital, mediante a imposição de preços administrados, ensejados pelo jaez exclusivista ínsito ao monopólio, de tal sorte que não há que se cogitar em extração de lucros pela produção de sobrevalor ou mais-valia, mas em apropriação de valores já produzidos, com vantagem de uma parte, em detrimento de outra, envolvidas nesta circulação de mercadorias ou de capital.

De tal asserção não resulta que no capitalismo monopolista inexista a extração de mais-valia no processo de produção de capital, mas sim que tal mais-valia é complementada na esfera da circulação de capital mediante estes preços administrados, com realização de lucros extraordinários.

Tema a desenvolver. 




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.  

terça-feira, 1 de abril de 2025

MONOPÓLIO E CONCORRÊNCIA NA HISTÓRIA ECONÔMICA

1. No período histórico do capitalismo mercantilista, na época moderna em que se observa a subsunção meramente formal do trabalho no capital, na indústria manufatureira, os lucros são basicamente hauridos no processo de circulação de capital, mediante o suporte dos monopólios e do exclusivo colonial (na nomenclatura adotada por Fernando Novais), mantidos pelo Estado absolutista e pelo antigo sistema colonial, máxime pelo mecanismo das diferenças de preços entre metrópole e colônia. 

2. No período histórico do capitalismo concorrencial, em que se observa o advento da maquinaria e grande indústria e a respectiva subsunção real do trabalho no capital, os lucros são hauridos basicamente no processo de produção de capital, mediante a extração da mais-valia absoluta e relativa, descritas por Karl Marx em sua monumental obra intitulada O Capital. 

3. No período histórico do capitalismo monopolista ou imperialismo, tão bem investigado por Lenin, Luxemburgo e respectivos discípulos como Sweezy e Baran, os lucros voltam a ser hauridos basicamente no processo de circulação de capital, mediante a imposição de preços administrados. 

4. Infere-se, do exposto, que há um certo pêndulo histórico entre monopólio e concorrência na história econômica do capitalismo. 




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

domingo, 30 de março de 2025

AINDA SOBRE IMPERIALISMO E TAXA DE LUCRO, OU A CENTRALIZAÇÃO DE CAPITAL COMO FORMA INFENSA À TENDÊNCIA DECLINANTE DA TAXA DE LUCRO.

Reporto-me, ainda uma vez, ao meu texto intitulado "As quatro formas da mais-valia", previamente publicado neste portal eletrônico. 

Disto isto, cabe indagar: o que move o capitalista individual a aumentar a composição orgânica de seu capital se isto tende a reduzir sua taxa de lucro?

A resposta seria: para haurir a segunda forma de mais-valia relativa, consoante o texto supracitado. 

Mas esta é uma resposta apenas parcial, eis que a segunda forma de mais-valia relativa, que provoca uma redução dos preços da mercadoria do capitalista individual pioneiro (o qual aumenta a composição orgânica de seu capital para elevar a força produtiva do trabalho), enseja a derrota dos capitalistas concorrentes que produzem a mesma espécie de mercadoria, a saber, o mesmo valor de uso, situação esta que favorece a centralização de capital e a formação de monopólio. 

Com a centralização de capital e a decorrente formação de monopólio, embota o aguilhão da concorrência para aumentar a composição orgânica de capital (colimando reduzir preços para derrotar precisamente os concorrentes), sendo certo ainda que a queda tendencial da taxa de lucro deixa, portanto, de funcionar como ameaça que sobrepaira o modo capitalista de produção.  

Malgrado isso, o progresso tecnológico, e o respectivo aumento da composição orgânica do capital, remanesce na fase do capitalismo monopolista, ou imperialismo, mas agora para extração da terceira forma de mais-valia relativa, vale dizer: o progresso tecnológico não mais colima a redução dos preços de uma determinada mercadoria de certo valor de uso mediante aumento da força produtiva do trabalho, mas almeja o lançamento de novos valores de uso correspondentes a novas necessidades humanas, cujos preços são elevados pela novidade mercadológica aludida e pela possibilidade de obtenção de preços administrados pelo monopólio.

Faz-se mister, ainda, investigar o papel da superprodução na determinação da mencionada inovação dos valores de uso no capitalismo monopolista. 

Conjecturas sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.    

sábado, 29 de março de 2025

IMPERIALISMO E TAXA DE LUCRO

De proêmio, peço licença aos eventuais leitores para remeter ao meu texto "As quatro formas da mais-valia", aqui previamente publicado, com supedâneo no qual empreendo as seguinte reflexão:

1. Na fase histórica do capitalismo concorrencial, observa-se constante revolução no processo de produção de capital, sem alterações substanciais nos valores de uso das mercadorias, colimando reduzir os preços de tais mercadorias como forma de derrotar a concorrência, sendo certo ainda que a (por mim denominada) terceira forma de mais-valia relativa ainda permanece embrionária: tal modelo de acumulação de capital, todavia, encerra na tendência declinante da taxa de lucro seu limite histórico por excelência. 

2. Já na fase histórica do capitalismo monopolista ou imperialismo, a resolução da supracitada tendência declinante da taxa de lucro manifesta-se na adoção da terceira forma de mais-valia relativa, a saber: a contínua revolução do processo de produção de capital já não colima mais a redução dos preços das mercadorias, mas sim o aumento de tais preços pela contínua revolução dos valores de uso com a instituição de novas necessidades humanas, sendo certo ainda que tais preços são exacerbados pela ausência funcional da concorrência e a possibilidade de se perpetrarem, portanto, preços administrados.   




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

quarta-feira, 26 de março de 2025

DIALÉTICA DA QUANTIDADE E QUALIDADE

 1. Na época do capitalismo concorrencial, mudanças qualitativas no processo de produção de capital engendram alterações quantitativas de preços e quantidades de mercadorias produzidas;

2. ⁠Na época do capitalismo monopolista, as mudanças qualitativas atingem não apenas o processo de produção de capital, mas as próprias mercadorias, com a contínua revolução nos valores de uso e necessidades humanas, sendo certo ainda que tal revolução qualitativa também engendra alterações quantitativas, nomeadamente nos preços das mercadorias.


Destarte, faz-se mister anotar que mudanças qualitativas convertem-se em alterações quantitativas, e estas, por seu turno, quando atingem determinada magnitude, convertem-se em mudanças qualitativas.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 25 de março de 2025

ADOLESCÊNCIA

A hodierna revolução digital entronizou o trabalho intelectual, máxime na produção de software e, com isso, abriu as portas do mercado de trabalho para as mulheres, que anteriormente eram de certa forma preteridas nesse mercado pelo predomínio do trabalho manual, dominado pelos homens, fisicamente mais adequados a tal espécie de trabalho.

A reação a tal situação manifesta-se atualmente no recrudescimento de uma certa, digamos, "guerra dos sexos", com a decorrente intensificação tanto da misoginia quanto do feminismo.

Mas a revolução digital é produto histórico do desenvolvimento espontâneo do modo capitalista de produção, cuja contradição principal reside na oposição entre capital e trabalho, a saber, nas lutas de classes, sendo que a assim designada guerra dos sexos exibe-se como epifenômeno ou contradição secundária, como ensinava Mao Tsé-Tung.

Mas o neoliberalismo, oportunista, soube instrumentalizar essa guerra dos sexos em seu favor, no âmago do embate essencial contra o marxismo e as lutas de classes. 

A série audiovisual intitulada "Adolescência", tecnicamente muito boa, perde-se, todavia, na guerra dos sexos em detrimento das lutas de classes. 

Como dizem os franceses, c´est dommage. 



por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.