sexta-feira, 25 de setembro de 2026

SINGELOS ELEMENTOS PARA UMA HISTÓRIA DA RAZÃO

Muito provavelmente, o apogeu da noção filosófica de indivíduo resida no racionalismo cartesiano, que atingiu o solipsismo no adágio "penso, logo existo", em que razão e indivíduo estão inextricavelmente imbricados. 

A crítica de tal individualismo exacerbado veio inicialmente na forma de um racionalismo absoluto com a obra de Hegel, para quem os indivíduos agem em consonância com suas paixões imediatas que, na verdade, ocultam desígnios mais elevados e nobres da astúcia da razão, no âmago do desenvolvimento diacrônico do Espírito.

Marx, discípulo de Hegel, substituiu a astúcia da razão pela astúcia do dinheiro, mostrando que o desenvolvimento histórico das categorias econômicas, e correspondentes relações de produção, independem das razões e paixões individuais, com transcendê-las, o que removeu, em grande medida, o jaez sobrenatural inscrito na obra precursora do mestre Hegel. 

Sigmund Freud, ao desvendar o insconsciente, demonstrou que as próprias paixões individuais exibem um caráter que suplanta a vontade e a razão do indivíduo, e escapam ao respectivo controle, corroborando toda a história filosófica da crítica do individualismo solipsista do racionalismo cartesiano. 

Somente acrescentaria que tal história da crítica da razão individual, na verdade, reflete uma gradativa e paulatina tomada de consciência no sentido da reconquista das rédeas da  história humana pelos próprios seres humanos que, ao adquirirem ciência do aspecto social de tal história, deram um enorme passo em direção ao controle do próprio destino em um vindouro modo comunista de produção, com a livre associação de indivíduos regendo autonomamente suas próprias vidas. 

Hipóteses sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

CONJECTURAS SOBRE MARXISMO E PSICANÁLISE

Consoante nossa premissa fundamental, a produção e reprodução da vida materal humana bifurca-se em: 1. reprodução sexuada, mediada pelo afeto e pelo amor, pela qual se engendram os próprios seres humanos; e 2. trabalho, pelo qual se engendram as relações sociais de propriedade dos meios de produção, ou relações de produção. 

Quanto à dinâmica edipiana descrita por Sigmund Freud, aventaríamos que a figura materna inscreve-se em 1, a saber, na possibilidade de amor e reprodução sexuada, enquanto a figura paterna representa a autoridade social de 2, que proíbe o incesto mas, outrossim, inibe e reprime a libido para coaduná-la, ainda que de modo grosseiro, às condições e possibilidades sócio-econômicas.

Cabe destacar que esta adequação entre libido e condições sócio-econômicas, em um ambiente de planficação econômica comunista vindoura, será desempenhada pelo controle de natalidade acoplado a tal planificação, que tornará 1 e 2 consentâneos e harmoniosos. 

Hipóteses sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.   

domingo, 13 de setembro de 2026

CRISTO E ÉDIPO

Parece lícito ventilar que, para Freud, o complexo edipiano consiste em certa medida no processo de formação do superego, com a introjeção no indivíduo da submissão à autoridade social difusa através da autoridade paterna.


Para o cristianismo, o Pai da Santíssima Trindade também representa, em certa medida, a autoridade difusa da lei do reino de Deus anunciada pelo Filho.


Observa-se, pois, certa convergência, nesse aspecto em particular, entre cristianismo e freudismo.


Hipóteses sub judice.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

REELEGER LULA, UM IMPERATIVO CATEGÓRICO

Vimos na publicação imediatamente precedente que o planeta está hodiernamente sob ameaça de dominação pela extrema direita internacional de jaez fascista, a qual pode nos conduzir a nova guerra mundial de consequências catastróficas.


Vimos também que, no século passado, o mundo vivia sob o mesmo perigo iminente, mas foi salvo pela esquerda política representada pela União Soviética.


Pois bem, tal esquerda política é atualmente representada pelo presidente Lula, cuja importância no cenário geopolítico mundial é inconteste, considerando o peso do Brasil na configuração hodierna das relações internacionais.


Logo, o presidente Lula cumpre hoje a função que a União Soviética desempenhava no século passado, vale dizer, a de escudo protetor contra a ameaça fascista internacional.


A reeleição do presidente Lula é, portanto, um imperativo categórico para a geopolítica mundial e, ademais, uma garantia de afastamento de uma catástrofe planetária sem precedentes!




Pelo coletivo do Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores

terça-feira, 8 de setembro de 2026

VATICÍNIOS

Há exatamente cem anos, na década de 1920, o mundo observava estarrecido o advento e ascensão de movimentos políticos de extrema direita no espectro ideológico, notadamente do movimento fascista na Europa, o qual prenunciava a grande crise econômica de 1929, com impacto de escala mundial.

Tal crise econômica culminou, dez anos depois, na violenta Segunda Guerra Mundial que poderia ter atribuído a vitória ao fascismo internacional, o que seria ainda mais desastroso sob prisma político, mas felizmente o mundo foi salvo de tal desastre pelo socialismo representado pela União Soviética.

Hodiernamente, estamos a observar a história em vias de se repetir, com a ascensão internacional da extrema direita política, representada agora na emblemática vitória recente do partido AfD na Alemanha, e não poucos economistas vaticinando uma nova grande crise financeira no curto ou médio prazo, talvez a manifestar-se como esgotamento da revolução digital pela eclosão da assim denominada "bolha" da inteligência artificial. 

Todavia, uma decorrente Terceira Guerra Mundial seria uma catástrofe completa para o planeta, dado o potencial nuclear de muitos Estados nacionais, e agora não temos a União Soviética para evitar e nos salvar de tal catástrofe. 

O mundo ainda pode ser politicamente redimido se as forças políticas socialistas existentes ainda exibirem algum viço.

O capitalismo por si só, no entanto, pode nos conduzir ao completo aniquilamento no curto ou médio prazo.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

sábado, 5 de setembro de 2026

A ASTÚCIA DO DINHEIRO, OU O CAPITAL E A FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO.

Sem embargo, se Hegel expôs, em sua Fenomenologia do Espírito, o desenvolvimento da história humana mediante a astúcia da razão, Marx exibiu, em O Capital, a evolução das categorias econômicas através da astúcia do dinheiro.  

Ora, inicialmente como forma embrionária enquanto valor de troca, esse aspecto abstrato da mercadoria, o dinheiro emancipa-se como circulação de mercadorias para enfim culminar no capital, quando retorna ao concreto submetendo o próprio processo de produção de mercadorias.

Destarte, há uma notável homologia entre as duas obras filosóficas acima mencionadas, nas quais os seres humanos aparecem como títeres de desígnios transcendentes que lhes dirigem e governam a própria história à sua revelia, e até contra os mesmos.   

Evidentemente, há discrepâncias muito importantes entre Hegel e Marx, pois se, para o primeiro, a história humana pode culminar na forma elevada do Estado burguês enquanto estágio derradeiro de tal história (vide a obra do idealista hodierno Francis Fukuyama), para Marx o Estado burguês, como forma política do capital, representa apenas o estágio derradeiro da pré-história da verdadeira Humanidade, a saber, uma Humanidade ainda vindoura e despojada de divisões entre classes sociais e Estados nacionais, quando então os seres humanos livremente associados tomarão de assalto as rédeas de sua própria história. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O todo é maior do que a soma das partes, ou singelo esboço de crítica da macroeconomia keynesiana

A macroeconomia dos grandes agregados econômicos de tradição teórica keynesiana opera com a somatória simples dos correspondentes agentes econômicos, o que se me antolha, a princípio, um tanto reducionista e, quiçá, equivocado.


Sem embargo, no modo capitalista de produção os agentes econômicos, na maioria das vezes, operam como concorrentes, o que estimularia o avanço tecnológico e o aumento da produtividade respectivo, mas concretamente observa-se o fenômeno da formação de monopólios pela concentração e centralização de capital, e, contrariamente a um esperado declínio dos preços pelo mencionado aumento da produtividade, o que se nota é a propagação do fenômeno inflacionário.


De outro bordo, em uma eventual planificação econômica auxiliada por tecnologia digital na coleta e tratamento de dados, o que se poderá observar coincidirá com a sinergia da cooperação econômica entre os agentes correspondentes, com aumento de eficiência e de velocidade de circulação de produtos e serviços.


Em ambos os casos, o todo sempre é maior do que a mera soma das partes, isto é, do que o agregado.


Hipóteses sub judice.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.