domingo, 22 de fevereiro de 2026

DE BACH A BIRD

A história da mais científica das artes, a música, ou arte das musas, reflete, de forma bastante peculiar, a história científica e econômica da própria humanidade.  

Nesse diapasão, a obra de Bach (1685-1750), verbi gratia, é fruto legítimo do racionalismo típico do advento da razão burguesa ancorada no dinheiro e no capital propriamente dito. 

Destarte, observa-se em suas composições o uso sistemático de permutações temáticas; simetrias rigorosas; cânones por inversão e retrogradação; estruturas contrapontísticas que funcionam como equações musicais; enfim, a fuga ou o desenvolvimento temático é quase um experimento combinatório, onde um tema é exposto, invertido, transposto, expandido, em procedimento que lembra demonstrações matemáticas, nas quais um núcleo formal gera múltiplas derivações coerentes.

Muito distinta é a música de Charlie "Bird" Parker (1920-1955), que inventou o jazz moderno através do bebop, onde o desenvolvimento temático exibe-se completamente aleatório e caótico, em improvisos que não raro atingem a dissonância, desprovidos que são de qualquer coerência matemática.

Bach (razão) e Bird (caos) são, no entanto, tese e antítese flagrantes da ordem imperiosa do capital e suas implacáveis leis econômicas, que se contradizem diante da liberdade individual caótica e aleatória do liberalismo, o que também se reflete, grosso modo, na querela científica, por exemplo, entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica. 

Hipóteses sub judice





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

MÚSICA, A MATEMÁTICA CONCRETA.

No texto intitulado "Breve discurso das hipóstases", publicado no vertente portal eletrônico, suscitei a tese de que o número é o elemento mais abstrato das ciências, pois, conquanto possa referir-se a qualquer coisa, não exibe, em si, nenhuma característica concreta. 

Parece lícito ventilar certa analogia entre o número e a nota musical, que nada mais é do que uma frequência sonora medida em hertz, isto é, uma onda mecânica que se propaga segundo dada frequência, o que determina um som mais grave ou mais agudo consoante a medida de tal frequência. 

Distintamente do número, todavia, a nota musical, conquanto seja o menor elemento da música, exibe-se concreta e não abstrata, eis que pode ser captada pelo sentido da audição humana, comportando também a possibilidade de oferecer distintos timbres de acordo com o instrumento musical que a produz. 

Malgrado tal jaez concreto, a música, essa combinação sincrônica e diacrônica de notas musicais, é a mais abstrata das artes, porquanto a única que prescinde da visão humana para ser desfrutada, observando inclusive certos padrões e regras que a aproximam da matemática. 

Pode-se afirmar, portanto, que a música situa-se na confluência entre arte e ciência, cabendo aventar que ela conteria os componentes de uma matemática concreta.

O grande músico Johann Sebastian Bach, nesse sentido, foi também um exímio matemático.






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

LÓGICA E INTUIÇÃO DIANTE DO RACIONALISMO E DO EMPIRISMO: UM SINGELO BOSQUEJO EPISTEMOLÓGICO.

A lógica e a intuição moldaram, no curso da história, o cérebro e o modo de pensar do homo sapiens, dotando-lhe de razão, tanto que a teoria da relatividade, verbi gratia, foi deduzida por Albert Einstein a partir de raciocínios independentes de experimentos empíricos exteriores ao pensamento. 

Pode-se aventar, portanto, que até o início da década de 1920, mais ou menos, o racionalismo predominou no âmbito da epistemologia e da ciência.

Mas o advento da mecânica quântica, há cem anos, trouxe um elemento desconcertante nesse panorama.

Sem embargo, se, no mundo macroscópico, a lógica e a intuição, portanto a razão funciona relativamente bem, o universo subatômico, fora do alcance dos sentidos do homo sapiens, parece ilógico e contraintuitivo, ou seja, irracional, de tal sorte que o racionalismo e a razão perderam seu predomínio em favor da necessidade de experimentação empírica externa ao pensamento, isto é, o empirismo voltou ao proscênio com toda a sua força em busca de evidências que escapam aos sentidos de que o homo sapiens é dotado. 

Logo, pode ser que o cérebro e o pensamento do homo sapiens demorem muito até que o mundo microscópico subatômico torne-se, como acontece atualmente com o universo macroscópico, lógica e intuitivamente apreensível pela razão, mas, como a realidade é, na verdade, uma só, talvez a assim denominada "teoria de tudo" não esteja assim tão distante do nosso alcance. 

Hipóteses sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.

DA MERCADORIA AO CAPITAL, OU TENTATIVA DE APREENSÃO DA LÓGICA SUBJACENTE AO LIVRO PRIMEIRO DE "O CAPITAL" DE KARL MARX.

De proêmio, a mercadoria encerra valor de uso (tese), mas, precisamente por isso, também encerra valor de troca (antítese), que é determinado pelo tempo de trabalho humano socialmente necessário à produção dessa mercadoria. 

Tal contradição entre valor de uso (tese) e valor de troca (antítese) produz uma síntese no dinheiro, que é o valor de troca autonomizado e concretizado como moeda em metal precioso, ou em ouro, para simplificar.

Mas o dinheiro também encerra a contradição entre seu valor de troca (tese, ou tempo de trabalho humano necessário à produção do ouro) e seu valor de uso (antítese, ou a capacidade de servir como equivalente geral na circulação de mercadorias).

A síntese da contradição ínsita ao dinheiro consiste precisamente no capital, que seria a generalização do equivalente geral, agora capaz de convolar o próprio trabalho humano, isto é, a própria fonte do valor, em mercadoria, a saber, a mercadoria consubstanciada na força de trabalho.

Hipóteses sub judice, a desenvolver e refinar. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O CAPITAL NO DIVÃ

Várias produções cinematográficas colimam humanizar o universo do crime organizado, tais como "O poderoso chefão", "Goodfellas", "Máfia no divã" e a estupenda série "Família Soprano", tentando encontrar o que há de humano na psicopatia, mas quem recruta psicopatas para trabalhar a seu favor é, sem dúvida, o capital, cuja promiscuidade com esse universo criminoso, no Brasil pelo menos, tem restado cada vez mais escancarada.

Mas a produção e reprodução da vida material humana encerra duas vertentes, a saber, o trabalho e a reprodução sexuada, sendo certo que, se esta última nos une como espécie biológica do homo sapiens, aquela nos divide em classes sociais antagônicas, bem assim nos aliena em relações de produção heterônomas, que nos governam à nossa revelia e culminam historicamente no capital.

A contradição básica entre estas duas vertentes acima deslindadas, que também divide a vida individual em duas partes antagônicas, é responsável pela maioria das psicopatologias: uma vida dividida entre o amor em família e, no limite, o ódio entre criminosos. 

A personagem "Tony Soprano", da série homônima, talvez seja o paroxismo dessa divisão do indivíduo hodierno em metades inconciliáveis.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

PARA ALÉM DE DETERMINISMO E ALEATORIEDADE, OU CONJECTURAS SOBRE LÓGICA DIALÉTICA.

Determinismo e aleatoriedade são duas facetas do mesmo modo de pensar da lógica formal e apofântica, que observa o princípio da não contradição. 

Destarte, o determinismo segue o princípio da identidade (ser), enquanto a aleatoriedade obedece ao princípio da probabilidade (poder ser), mas ambos deixam de abroquelar a negação e a contradição (não ser). 

Já a lógica dialética procura apreender o devir e o movimento (vir a ser), operando através de contradições sucessivas e, portanto, abroquelando a afirmação (ser), a negação (não ser) e a negação da negação (vir a ser), ou seja, o movimento de sínteses através de teses e antíteses. 

Logo, a oposição, verbi gratia, na mecânica quântica entre Albert Einstein e Niels Bohr, quanto ao determinismo e à aleatoriedade na física subatômica, somente pode ser superada mediante a lógica dialética, algo que ainda não foi resolvido. 

Hipóteses sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

TEMAS SOBRE GREVE GERAL MUNDIAL E GEOPOLÍTICA.

O mais importante político e estadista no mundo hoje atende pelo nome de LULA, o sindicalista brasileiro que derrotou a ditadura militar no Brasil e vem mitigando com galhardia o hodierno fascismo bolsonarista neste país.

Diante do fiasco da estratégia eminentemente militar da guerrilha urbana e rural contra a ditadura implantada no Brasil em 1964, Lula adotou a greve econômica como meio por excelência de luta política, logrando êxito retumbante ao paralisar o aparato industrial que servia de sustentáculo ao regime autoritário brasileiro. 

No âmbito geopolítico hodierno, os BRICS desempenham função industrial predominante no mundo, enquanto os Estados Unidos garantem seu poderio com espeque no capital fictício das finanças e na economia digital que atua mais na orbe do processo de circulação do que propriamente no processo de produção de capital, isto é, os yankees repousam sobre os pés de barro do capitalismo financeiro e digital, que não se sustenta sem a produção industrial e material em geral dos BRICS, o que explica, em grande medida, a animosidade atual de Donald Trump contra tal associação internacional. 

Uma greve geral mundial conduzida por Lula, apta a paralisar o complexo industrial dos BRICS, reduziria a pó o capitalismo mundial e abriria uma vereda sem volta ao comunismo em todo o planeta. 

Hipóteses sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.