domingo, 16 de agosto de 2026

A TEORIA DO VALOR ENTRE A REPRODUÇÃO SEXUADA E O TRABALHO

Reiteradamente, já ventilamos aqui que a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em: 

1. Instância da reprodução sexuada, mediada pela família, em que se produz o ser humano integral;

2. Instância do trabalho, mediada pelo Estado, em que se mutila o ser humano para produzir força de trabalho apta a ser vendida ao capital. 

Cuida-se de instâncias distintas, mas não estanques, sendo certo que a teoria marxista do valor deve ser investigada quanto à produção da força de trabalho pelo Estado, e não quanto à produção do ser humano pela família, eis que os cuidados familiares não configuram trabalho propriamente dito. 

De outro bordo, o Estado engendra a força de trabalho mediante serviços como segurança (através das forças públicas, que reproduzem diariamente a separação entre trabalhadores e meios de produção), educação e saúde. 

Todavia, é de rigor distinguir, entre tais serviços estatais, aqueles que envolvem trabalho produtivo (como educação) e aqueles que envolvem trabalho improdutivo (como segurança e, provavelmente, saúde, uma espécie de faux frais da produção da força de trabalho).

Nesse diapasão, os trabalhos estatais improdutivos geram apenas custos, enquanto os trabalhos estatais produtivos engendram efetivo valor econômico. 

Por derradeiro, é de rigor apontar um equívoco teórico persistente no âmbito do movimento feminista de inspiração marxista, que confunde produção do ser humano e produção da força de trabalho, investigando indevidamente a teoria do valor no cerne do primeiro caso, em que não há realização efetiva de trabalho, mas somente de cuidados familiares. 

Hipóteses sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CONJECTURA SOBRE CAPITAL FIXO

LEI CONJECTURAL SOBRE CAPITAL FIXO.





Para que haja efetiva diminuição do valor individual da mercadoria mediante aumento da produtividade decorrente de investimento em capital fixo, o incremento da força produtiva do trabalho deve ser tal que compense o acréscimo de valor paulatinamente transferido aos produtos pela circulação de tal capital fixo. 


Tal lei consiste em conjectura sujeita a confirmação empírica e teórico-matemática.


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ESQUEMAS SOBRE A PRODUÇÃO ECONÔMICA DA CIÊNCIA MATEMÁTICA.

O dinheiro, isto é, o aspecto abstrato da mercadoria devidamente emancipado no curso da história, funciona como equivalente geral e, nessa condição, não exibe valor de uso específico, mas pode convolar-se em qualquer coisa, em qualquer substância. 

O número é o correspondente matemático do dinheiro, porquanto, na sua abstração, pode referir-se a qualquer coisa, a qualquer substância. 

Mas o dinheiro converte-se, dialética e historicamente, em capital propriamente dito, que encerra a tendência e a inclinação a acumular-se indefinidamente, a saber, infinitamente. 

Do mesmo modo, o número, esta forma de limitação, de estabelecer limites, convola-se dialeticamente no seu contrário, qual seja, o infinito, naquilo que é ilimitado, que não tem limites, de tal sorte que o infinito consiste no correspondente matemático do capital. 

Hipóteses sub judice.      





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

domingo, 9 de agosto de 2026

BREVÍSSIMA TENTATIVA DE HISTÓRIA ECONÔMICA COMPARATIVA

A União Soviética exibia um parque industrial potente, fruto da bem sucedida política de coletivização e industrialização implementada a partir do primeiro plano quinquenal, mas, lamentável e enigmaticamente, não logrou alcançar a revolução digital e a economia planificada colapsou.


Os Estados Unidos da América exibiam um potente parque industrial que, talvez em razão da queda tendencial da taxa de lucro do capital fabril, cedeu lugar à indústria de software derivada da revolução digital, evidente na superação do Cinturão da Ferrugem pelo Vale do Silício.


A China hodierna, por seu turno, exibe um potente parque industrial e um promissor setor econômico atrelado à revolução digital, condições que poderiam favorecer uma coletivização e uma planificação econômica instruída por algoritmos que conduziriam o país a um estágio avançado de socialismo econômico mais viável e menos crítico do que o capitalismo.


Hipóteses sub judice.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

sábado, 8 de agosto de 2026

O COMUNISMO NUNCA EXISTIU

Dessume-se de obras como A ideologia alemã e o Manifesto Comunista que o comunismo somente será alcançado em escala mundial, planetária, quando todas as formas de propriedade privada dos meios de produção forem definitivamente erradicadas, isto é, quando todo o nosso planeta for propriedade de uma Humanidade unificada e despojada de divisões de classes sociais e Estados nacionais.


Nesse diapasão, os impropriamente designados comunismo primitivo e comunismo soviético configuraram tão somente, na verdade, “propriedades privadas coletivas” de determinados povos frente a outras formas de propriedade privada dos meios de produção, de outros povos ou nações, mas jamais constituíram o efetivo modo comunista de produção, nos termos acima deslindados.










Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

SOBRE O AFORISMO PRECEDENTE

Recebi críticas acerbas sobre o texto imediatamente antecedente aqui publicado, sendo certo que o camarada CARLOS OTÁVIO SANTIAGO aduziu que se trata de uma visão cruel, desnecessária, sem esperança, enfim, pesada e amarga. 

Ele tem toda a razão, decerto, mas tentarei reparar o estrago. 

Karl Marx preconizava, já na juventude, que o ser humano é um animal social, a partir mesmo do simples fato de que não se reproduz sozinho, mas de forma sexuada. 

Por outro lado, a divisão do trabalho, tanto social quanto na fábrica, intensifica tal jaez social do ser humano, cujos laços de cooperação e coletividade são objetivamente dados. 

Todavia, o desenvolvimento histórico engendra a propriedade privada dos meios de produção e a família nuclear, favorecendo a ilusão do indivíduo abstrato e isolado, isto é, as "robinsonadas" em evidente contradição diante do caráter social do ser humano acima mencionado. 

Portanto, tal contradição somente será resolvida, ao que parece, com a erradicação da propriedade privada dos meios de produção e da família  nuclear, no vindouro modo comunista de produção em escala mundial, quanto toda a Humanidade funcionará como uma grande e única família. 

É nossa esperança. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

AFASIA

Persona, de Ingmar Bergman, e Paris Texas, de Wim Wenders, são duas películas cinematográficas que tratam de alguma forma, entre outras camadas semânticas, da incomunicabilidade, da dificuldade extrema de romper a mônada e comunicar-se com outrem.


Tal mônada consiste em verdade na tradução filosófica do indivíduo abstrato, fruto ou causa da propriedade privada dos meios de produção e da correspondente família nuclear, isto é, dos universos, respectivamente, do trabalho e da reprodução sexuada, pelos quais se efetiva a produção e reprodução da vida material humana, universos distintos mas não estanques.


Ora, tanto Elisabet, em Persona, quanto Travis, em Paris Texas, perdem a capacidade de comunicação e vivem um vazio de sentido, um deserto semântico apesar de constituirem família e se reproduzirem sexualmente, engendrando prole, o que não garante em absoluto um significado para suas existências individuais, ao contrário, causa afasia.


Quero crer que, superada a propriedade privada dos meios de produção e a correspondente família nuclear, a existência individual adquira pleno significado, porquanto cada um contribuirá e cooperará com todos os demais na continuação da espécie humana, de forma efetivamente coletiva e plena de sentido.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.