A rotação do capital e a taxa de lucro sob condicionamento técnico
(por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, com auxílio do ChatGPT)
A análise precedente permitiu estabelecer uma fórmula geral para a taxa de lucro do capital industrial sob condicionamento técnico. Partimos da expressão fundamental da acumulação:
r = e/(k+1)
em que:
- e representa a taxa de mais-valia;
- k = c/v representa a composição orgânica do capital.
Essa expressão indica que a taxa de lucro depende diretamente da exploração do trabalho e inversamente da composição técnica do capital. Contudo, tal formulação ainda supõe implicitamente uma única rotação do capital por período. Para apreender a dinâmica efetiva da lucratividade, é necessário introduzir o tempo de rotação do capital.
Se definirmos:
- T como o tempo de rotação do capital;
- n = 1/T como o número de rotações por unidade de tempo,
a taxa de lucro temporal, ou anual, passa a ser dada por:
r_a = e/((k+1)T)
Essa expressão mostra que a taxa de lucro depende de três variáveis fundamentais:
1. a taxa de exploração do trabalho (e);
2. a composição orgânica do capital (k);
3. o tempo de rotação do capital (T).
Trata-se, portanto, de uma fórmula trivariável da lucratividade capitalista.
Para compreender o movimento histórico da taxa de lucro, devemos considerar essas três variáveis como funções do tempo:
r_a(t) = e(t)/((k(t)+1)T(t))
Derivando essa expressão em relação ao tempo, obtém-se:
dr_a/dt =
(1/((k+1)T)) de/dt
- (e/((k+1)^2 T)) dk/dt
- (e/((k+1)T^2)) dT/dt
Essa equação revela que a variação da taxa de lucro resulta da ação combinada de três forças distintas:
1. O efeito da exploração
(1/((k+1)T)) de/dt
Se a taxa de mais-valia aumenta ao longo do tempo, esse termo é positivo. O aumento da exploração do trabalho eleva a taxa de lucro.
2. O efeito da composição orgânica
- (e/((k+1)^2 T)) dk/dt
Se a composição orgânica cresce, como ocorre historicamente sob o progresso técnico, esse termo é negativo. O aumento do capital constante em relação ao capital variável pressiona a taxa de lucro para baixo.
3. O efeito da rotação do capital
- (e/((k+1)T^2)) dT/dt
Se o tempo de rotação diminui, isto é, se o capital gira mais rapidamente, então dT/dt < 0. Nesse caso, o termo torna-se positivo. A aceleração da rotação eleva a taxa de lucro.
A equação pode ser sintetizada da seguinte forma:
dr_a/dt =
(efeito da exploração)
- (efeito da composição)
+ (efeito da rotação)
Temos, assim, a estrutura dinâmica da taxa de lucro:
- o aumento da exploração eleva a lucratividade;
- o aumento da composição orgânica a reduz;
- a aceleração da rotação do capital volta a elevá-la.
Desse resultado decorre uma conclusão importante. Mesmo quando a composição orgânica cresce e exerce pressão descendente sobre a taxa de lucro, a redução do tempo de rotação continua tendo efeito positivo sobre ela. Isso pode ser demonstrado diretamente pela derivada parcial da taxa de lucro em relação ao tempo de rotação:
∂r_a/∂T = - e/((k+1)T^2) < 0
Como todos os termos do denominador são positivos, essa derivada é necessariamente negativa. Logo, a taxa de lucro é uma função decrescente do tempo de rotação.
Em termos econômicos, isso significa que:
quanto mais rapidamente o capital completa seu ciclo, maior será a taxa de lucro por unidade de tempo.
Esse resultado é estrutural e independe das variações na taxa de exploração ou na composição orgânica. A aceleração da rotação do capital constitui, portanto, uma das principais contraforças à tendência de queda da taxa de lucro.
A condição geral para o aumento da taxa de lucro pode ser expressa como:
(1/((k+1)T)) de/dt
+ (e/((k+1)T^2))(-dT/dt)
> (e/((k+1)^2 T)) dk/dt
Ou seja, a taxa de lucro aumenta quando:
- o crescimento da exploração,
- somado à aceleração da rotação,
supera o efeito negativo do aumento da composição orgânica.
Nessa expressão condensa-se a dinâmica contraditória do capitalismo industrial: a técnica tende a elevar a composição orgânica e a pressionar a taxa de lucro para baixo, enquanto a intensificação da exploração e a aceleração da rotação operam como forças compensatórias.
A taxa de lucro não é, portanto, determinada por uma única variável, mas pelo resultado histórico da luta entre essas três tendências fundamentais: exploração, mecanização e velocidade de circulação do capital.
São Paulo, 5 de fevereiro de 2026.