A lógica e a intuição moldaram, no curso da história, o cérebro e o modo de pensar do homo sapiens, dotando-lhe de razão, tanto que a teoria da relatividade, verbi gratia, foi deduzida por Albert Einstein a partir de raciocínios independentes de experimentos empíricos exteriores ao pensamento.
Pode-se aventar, portanto, que até o início da década de 1920, mais ou menos, o racionalismo predominou no âmbito da epistemologia e da ciência.
Mas o advento da mecânica quântica, há cem anos, trouxe um elemento desconcertante nesse panorama.
Sem embargo, se, no mundo macroscópico, a lógica e a intuição, portanto a razão funciona relativamente bem, o universo subatômico, fora do alcance dos sentidos do homo sapiens, parece ilógico e contraintuitivo, ou seja, irracional, de tal sorte que o racionalismo e a razão perderam seu predomínio em favor da necessidade de experimentação empírica externa ao pensamento, isto é, o empirismo voltou ao proscênio com toda a sua força em busca de evidências que escapam aos sentidos de que o homo sapiens é dotado.
Logo, pode ser que o cérebro e o pensamento do homo sapiens demorem muito até que o mundo microscópico subatômico torne-se, como acontece atualmente com o universo macroscópico, lógica e intuitivamente apreensível pela razão, mas, como a realidade é, na verdade, uma só, talvez a assim denominada "teoria de tudo" não esteja assim tão distante do nosso alcance.
Hipóteses sub judice.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.