quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MICROCONTO DO AMOR DIFUSO ESCRITO COM SANGUE

Maria Madalena da Silva mantinha com galhardia e airosamente a mais famosa e bem frequentada casa de lenocínio daquele vilarejo incrustado no meio do mais árido e recôndito sertão nordestino, mas quando, aos quarenta anos de idade, concebeu e deu à luz aquela criança, batizada com o epíteto de Nilton, realmente não conseguia recordar-se de que homem a tinha engendrado, malgrado suspeitasse de um cidadão britânico que compareceu à negócio naquelas plagas olvidadas por Deus, mercê dos cabelos lisos e dos olhos azulados que Nilton desinibiu ulteriormente, mas o fato é que aquele menino não desfrutou da companhia de um pai ou de irmãos, mas, em compensação, recebeu de sua genitora um afeto incondicional e quiçá desmedido que, por ocasião da morte precoce de Madalena aos quarenta e sete anos, de causas mal explanadas até hoje, foi intensificado por seus avós, pais de sua mãe, que o acolheram na capital após tal óbito enigmático, os quais passaram a dedicar tempo integral aos cuidados de Nilton, com aquele amor que somente os avós em luto pela filha sabem nutrir pelo correspondente neto, ou seja, o menino sertanejo foi efetivamente cercado de todo o carinho plausível neste mundo incompreensível, e isto tem consequências, para o bem e para o mal, tanto que Nilton acabou por desenvolver certa sensibilidade afetiva também desmesurada, que o fez elaborar copiosos poemas de intensa inspiração religiosa já aos dez anos de idade, mas tal veia poética quedou silente na juventude do garoto, que a substituiu pelo talento matemático tão desenvolvido quanto a verve literária, pois foi estudar física quântica na universidade, onde mergulhou nos estudos com paixão adolescente e desenfreada, conquanto jamais tenha contraído conjunção carnal em toda a sua breve existência, movido que era por sentimentos de jaez, talvez, mais nobre do que a mera reprodução sexual individual, e de fato Nilton exibiu todo o seu imenso amor pela vida em sentido lato ao desenvolver o pioneiro modelo integralmente estável de computador quântico, que beneficiou toda a humanidade, mas faleceu muito cedo, aos quarenta e sete anos, como Madalena, deixando legado perene.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

PLANIFICAÇÃO DEMOGRÁFICA

Naturalmente, a questão por excelência que se manifesta quanto ao problema da planificação econômica socialista consiste em superar a contradição entre relações de produção e forças produtivas, um contradição que parece encerrar jaez de principal, em termos maoístas.

Todavia, como já reiteramos aqui, a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em universo do trabalho e universo da reprodução sexuada, os quais também são dissociados e contraditórios entre si enquanto remanescerem a propriedade privada dos meios de produção econômica e de reprodução sexuada, respectivamente no capital e na família nuclear. 

Logo, coadunar estes dois universos acima mencionados, numa planificação demográfica ajustada à planificação econômica, com a erradicação total da propriedade privada nestes dois universos, também constitui tarefa do vindouro modo comunista de produção em escala mundial.  

Hipóteses sub judice e embrionárias a refinar e desinibir. 







por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

O ENIGMA CHINÊS

Karl Marx já postulava a ocorrência, como motor da história, da contradição e descompasso entre relações de produção e forças produtivas, no que se mostrou, mais uma vez, certeiro e preciso.    

Sem embargo, o colapso soviético exibe muito bem tal situação: uma nação em que as relações de produção, ou de propriedade, progressistas e avançadas colidiram frontalmente com as precárias forças produtivas, eis que a União Soviética não logrou atingir um nível mínimo de revolução digital ou informática necessário ao bom desempenho da planificação econômica de jaez socialista. 

A China hodierna, de outro bordo, exibe a relação inversa, isto é, uma nação que apresenta forças produtivas de alto nível, tendo alcançado a revolução digital e agora emula pela liderança da tecnologia dos algoritmos de inteligência artificial, mas ao mesmo tempo preserva relações de produção tipicamente capitalistas. 

Não se sabe exatamente qual a postura do Partido Comunista Chinês diante de tal condição histórica: estaria aguardando um novo salto das forças produtivas, talvez o pleno desenvolvimento da computação quântica, para implementar relações de produção realmente avançadas e socialistas, ou teria definitivamente capitulado perante o poder do dinheiro e do capital?

Mistério!





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

AUTOCRÍTICA

Com muita frequência, o vertente sítio eletrônico, ou blog, recebe críticas acadêmicas em razão da ausência de acabamento empírico e formal, bem como de referências bibliográficas. 

Há certa dose de razão nisso, mas nota bene.

Cuida-se aqui de uma plataforma deprovida de qualquer pretensão ou veleidade acadêmica, eis que é produzida no âmago e para um partido político, cujos critérios de validade e veracidade destoam daqueles da Academia, com seus rituais formais, empíricos e bibliográficos. 

Nesse diapasão, é de rigor aduzir que o critério de validade das hipóteses aqui ventiladas é a PRÁTICA POLÍTICA, nos exatos termos das Teses contra Feuerbach, que não se confunde integralmente com o universo da empiria.

Demais disso, faz-se mister também aventar que a Academia oficial, cuja chancela parece dispensável para este veículo eletrônico, cumpre seu papel institucional de produzir força de trabalho para o capital, nos termos que aqui temos teoricamente suscitado, enquanto este blog peleja precisamente pela erradicação da oposição entre capital e força de trabalho.  

Todavia, este núcleo partidário ostenta, também, sua versão mais acadêmica com a revista marxista Mouro.

Enfim, as críticas acadêmicas serão sempre muito bem aceitas, mas cum grano salis, nos termos acima aludidos, ou seja, serão acatadas se colimarem, de alguma forma, a transformação social de jaez socialista. 




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

TEMAS SOBRE O MOVIMENTO HISTÓRICO PENDULAR DAS TEORIAS DO VALOR.

Antes de configurar uma controvérsia teórica, marxismo e marginalismo, enquanto teorias antagônicas do valor econômico, consitituem uma oposição e um conflito histórico prático, social e concreto entre o processo de produção e o processo de circulação de mercadorias e, ulteriormente, de capital. 

Sem embargo, no período da Idade Moderna, o antigo sistema colonial descrito por Fernando Novais representa precisamente tal conflito histórico, com os donos do dinheiro ou mercadores, isto é, a burguesia comercial haurindo mais-valia mediante o processo de circulação de mercadorias, pela diminuição dos preços de compra dos produtos das colônias ultramarinas e aumento dos preços de venda de tais produtos na metrópole, com supedâneo no exclusivo colonial e na grande utilidade marginal dos produtos coloniais, exóticos na metrópole. Daí o predomínio, em tal época histórica, da teoria marginalista quanto à determinação dos preços.   

Com a acumulação primitiva de capital e o advento da grande revolução industrial inglesa do século XVIII, tal conflito entre trabalhadores e mercadores é definitivamente resolvido em favor destes últimos, que, introduzindo o dinheiro no próprio processo de produção mediante compra e venda de força de trabalho, passam a extrair mais-valia nesse mesmo âmbito do processo de produção econômica, de que resulta o predomínio da teoria marxista na determinação dos preços. 

Mas a concentração e centralização de capital e as crises de superprodução conduzem, inevitavelmente, ao retorno da necessidade de lançamento de novos valores de uso de alta utilidade marginal para compensar tais crises, em um retorno da teoria marginalista na deteminação dos preços e na obtenção de mais-valia no âmbito do processo de circulação de capital. 

Hipóteses sub judice. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

sábado, 1 de agosto de 2026

POR UMA UNIVERSIDADE PARTIDÁRIA

Já ventilamos aqui que a função precípua do Estado consiste na produção da mercadoria denominada força de trabalho, através de serviços como segurança, educação e saúde. 

Do mesmo modo, também aventamos que os partidos nada mais são do que proto-Estados na iminência de se convolarem no próprio Estado. 

Os partidos burgueses, portanto, reproduzem a dissociação entre capital e trabalho, ou seja, operam na frequência da produção da força de trabalho a ser explorada pelo capital.

Os partidos proletários realmente revolucionários, todavia, operam no sentido da emancipação da força de trabalho como tal, de modo a superar a dicotomia social entre capital e trabalho num estágio superior de modo de produção.

Destarte, tais partidos proletários devem conter em germe, de forma embrionária, as instituições estatais aptas a emancipar a força de trabalho, entre elas a instituição educacional hábil a preparar a classe trabalhadora para tal emancipação. 

Nesse diapasão, preconizamos aqui a necessidade do partido proletário revolucionário conter e abrigar, em seu âmago, uma universidade partidária capaz de preparar a classe trabalhadora para a própria emancipação. 

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

quinta-feira, 30 de julho de 2026

MANIFESTO POR UM ANTICINEMA

O cinema encerra naturalmente a ilusão do tempo linear e abstrato decorrente da noção de indivíduo humano, esta abstração que colide com a realidade concreta. Explico. 

Os indivíduos humanos são dotados de memória, essa coleção de imagens do passado que conferem a ilusão de identidade, isto é, de que somos os mesmos apesar do envelhecimento e das transformações que o nosso corpo sofre.

Essa ilusão de identidade individual constitui a chave do tempo linear e abstrato do cinema, em que uma sequência encadeada de imagens afronta a descontinuidade e relatividade do tempo concreto, o tempo da teoria da relatividade de Albert Einstein. 

Nosso protótipo de cinema, em oposição ao cinema tradicional, reside no experimento cinematográfico que o realizador David Lynch emitiu com a película intitulada "A Estrada Perdida", ou "Lost Highway" no título original.

Nesse filme, Lynch realiza uma operação artística equivalente àquela de Pablo Picasso no âmbito pictórico, senão vejamos. 

Se Picasso percebeu que a profundidade de uma tela de pintura é uma falsificação ou ilusão, rompendo, através do cubismo, tal dimensão ilusória do universo pictórico, Lynch percebeu que o tempo no cinema também é uma dimensão ilusória, um mero simulacro, pois simula o tempo linear e abstrato decorrente da noção individual de identidade, como vimos acima, que se contrapõe ao tempo concreto da teoria da relatividade.

Nesse diapasão, em "A Estrada Perdida" Lynch rompe com a identidade das personagens e mostra um tempo não linear, mas circular, em que o final do filme reproduz o seu início de forma invertida. 

Tal experimento cinematográfico deve servir de modelo para um novo paradigma de cinema que rompa definitivamente com o tempo linear e abstrato decorrente da ilusão da identidade individual, com inaugurar o tempo concreto da teoria da relatividade na assim denominada sétima arte.






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.