A princípio, historicamente, o capital alavanca forças produtivas atuantes em âmbito microeconômico, adotadas primordialmente no processo fabril pelo capital individualmente considerado, mas hodiernamente sucede algo deveras interessante.
A revolução digital e os atuais algoritmos da assim denominada inteligência artificial, ao que tudo indica, atuam primordialmente no âmbito da circulação de capital, incrementando a velocidade de rotação correspondente, e encerram grande potencial, enquanto forças produtivas, de atuar em patamar macroeconômico, auxiliando uma vindoura planificação econômica instruída por tecnologia digital.
Por ora, no entanto, a revolução digital foi apropriada no âmbito microeconômico pela propriedade privada capitalista através das assim designadas Big Techs, que adotam a tecnologia digital para extração intensiva de mais-valia e, particularmente quanto à mencionada inteligência artificial, como capital fixo para subjugar o moderno trabalho eminentemente intelectual na produção de software.
Nesse diapasão, seria lícito ventilar que forças produtivas de jaez macroeconômico e potencialmente socialista entraram em contradição com as relações de produção capitalistas, que as adotam de maneira microeconômica e para fins de reprodução da propriedade privada dos meios de produção.
Impõe-se, destarte, que a classe trabalhadora em escala mundial aproprie-se de tais forças produtivas modernas para que a verdadeira natureza social de tais forças possa vicejar.
Hipóteses embrionárias sub judice, a desinibir.
Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.