quarta-feira, 17 de abril de 2024

UM BOM COMEÇO...

Perguntei a um software atual de inteligência artificial, muito conhecido e adotado, se ele poderia se desincumbir da planificação econômica descentralizada, nos moldes que têm sido aventados neste portal eletrônico, para obtenção de um equilíbrio walrasiano, e ele respondeu que, conquanto vislumbre dificuldades de coleta, processamento e utilização dos dados de produção e consumo dos agentes econômicos que lhe forem enviados, bem assim dificuldades de flexibilidade e adaptação do sistema, a hipótese não está descartada, malgrado sua complexidade prática. 

É um bom começo. 



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.                

terça-feira, 16 de abril de 2024

Déficit e carestia?

 Se o déficit fiscal provocasse inflação, então o superávit fiscal causaria deflação, que é pior!


Não existe uma relação de causalidade bem estabelecida pela doutrina econômica entre déficit e inflação, mas apenas uma hipótese bastante controversa!


Como já destaquei, não é nas disparidades entre oferta e demanda, no processo de circulação de capital, que deve ser investigada a carestia, mas sim no processo total de produção e de circulação de capital, mais especificamente na lei da queda tendencial da taxa de lucro do capital.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

Causalidade!

 A alta da cotação do dólar diante do real na data de hoje tem sido atribuída ao relaxamento das metas fiscais do governo Lula.


Mais uma relação de causalidade sem fundamento:


Ora, se o mercado acredita piamente que os problemas fiscais geram inflação e aumento dos juros (outra relação de causalidade controversa), então seria mais coerente que a cotação do dólar caísse diante do real, pois os juros aqui no Brasil, consoante o raciocínio do mercado, tendem a aumentar.


Relação de causalidade é coisa séria e complexa, mas o jornalismo econômico brasileiro parece desconsiderar esse aspecto.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

ABSTRATO E CONCRETO NA HISTÓRIA.

Muitos acusam a investigação encetada por Karl Marx em sua obra magna, O Capital, de abstrata, de tal sorte que seria imperioso estudar a realidade histórica de cada país individualmente considerado para haurir a compreensão concreta de sua realidade.

Com efeito, Marx procurou estudar a essência da história das relações de produção em O Capital, história essa que todos os países exibem, isto é, todos os países desenvolvem, cedo ou tarde, as sucessivas relações de produção consubstanciadas na mercadoria, no dinheiro, no capital industrial, na renda fundiária e no capital financeiro: tal história está relacionada à produção de mercadorias como valores de troca, ou seja, como valores em seu aspecto abstrato. 

Todavia, quanto à produção de mercadorias como valores de uso, vale dizer, no seu aspecto concreto, então faz-se mister considerar a história dos países quanto à divisão internacional do trabalho, cabendo destacar que o nível de desenvolvimento capitalista de cada país depende de tal divisão, mas todos os países observam a mesma sequência de relações de produção descrita em O Capital. 

As categorias econômicas desta obra magna de Karl Marx, portanto, são instrumentos inafastáveis do estudo histórico e concreto do desenvolvimento capitalista de cada país individualmente considerado.



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador. 

sábado, 13 de abril de 2024

Três divagações de história econômica.

 1. Em que medida a instituição em larga escala da renda fundiária contribuiu para uma acomodação política entre burguesia e nobreza na Inglaterra do século XVII, culminando na Revolução Gloriosa de 1688?

2. ⁠Em que medida tal acomodação política e econômica favoreceu o pioneirismo britânico resultante na Revolução Industrial do século XVIII?

3. ⁠Seria exequível a instituição de uma “renda capitalista”, simétrica à renda fundiária, na transição entre capitalismo e socialismo, como forma de acomodação entre burguesia e proletariado, colimando evitar os custos sócio-econômicos de um conflito armado?




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Hipóteses sobre centralismo democrático aplicado à planificação econômica.

 No âmbito do Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores, encetamos uma discussão sobre a natureza dos partidos políticos:


Estes entes na verdade são proto-Estados, vale dizer, contêm internamente elementos da organização estatal e encerram embriões do futuro Estado que eles eventualmente venham a ocupar politicamente.


No caso histórico da União Soviética, em que ocorreu uma certa fusão entre o Partido Comunista e o Estado soviético, a hipótese acima parece ter validade.


Mas o partido liderado por Lênin teve certa dificuldade em implantar as suas diretrizes de centralismo democrático na planificação econômica do Estado soviético, em razão da precariedade de instrumentos para coleta e processamento de dados de oferta e demanda econômicas, o que acabou por gestar uma burocracia hipertrofiada e ineficiente.


Conquanto bem sucedida durante algum tempo, a planificação econômica na URSS mostrou esgotamento e veio a desmoronar juntamente com o Estado soviético.


Mas hodiernamente a diretriz política do centralismo democrático exibiria sucesso quando implementada na planificação econômica, em razão das conquistas da revolução digital.


Destarte, a coleta de dados econômicos seria efetuada descentralizadamente mediante alimentação de um algoritmo central pelos próprios agentes econômicos mediante a rede internacional de computadores (internet), que enviariam seus dados de produção e consumo.


Tais dados seriam tratados e processados pelo algoritmo central, que repassaria as diretrizes e metas de cada agente econômico, em tempo “real”.


Seria uma versão econômica do centralismo democrático político.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Ainda sobre oferta e demanda: conjectura.

 Há um brocardo jurídico consoante o qual a mãe é sempre certa, mas o pai é incerto.


No modo capitalista de produção, onde domina a propriedade privada dos meios de produção, o capitalista individual pode conhecer a dimensão da oferta que lançará no mercado, mas não lhe é acessível a magnitude da demanda, de jaez social.


Logo, os preços determinam-se no âmbito da produção de capital e não no da circulação de capital, de tal sorte que parece falacioso atribuir à demanda uma relação unívoca de causalidade com o fenômeno inflacionário.


Pois, para o capital individual, a oferta é sempre certa, mas incerta a demanda.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.