segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Conjecturas sobre história econômica mundial.

 1. Anteriormente ao advento da revolução industrial inglesa do século XVIII, partes da Europa constituem impérios de alto custo burocrático-militar para garantir o fornecimento de produtos exóticos ultramarinos nos seus mercados internos, mercadorias essas compradas a preços reduzidos e vendidos a elevados preços, de tal sorte que a mais-valia do capital comercial é extorquida tanto de produtores quanto de consumidores mediante tais variações de preços.


2. Após a mencionada revolução, a Inglaterra constitui um também custoso império colimando a imposição e venda de seus produtos industrializados ao redor do mundo, para garantir a realização da mais-valia extorquida do proletariado britânico.


3. Parece que o alto custo dos aparatos burocrático-militares acima aludidos refrearam uma acumulação capitalista mais intensa na Europa, que acabou por ser penalizada pelo pioneirismo comercial de seus impérios, com conduzir o Velho Continente europeu à certa decadência que veio a favorecer a ascensão econômica dos Estados Unidos da América, que se beneficiaram, por sua vez, desse pioneirismo comercial europeu quanto à abertura e formação de um mercado mundial de produtos da maquinaria e grande indústria.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

LULA ESTRATEGISTA

 Lula estrategista:


A luta contra a ditadura militar que se instalou no Brasil 🇧🇷 a partir de 1964 desvela alguns aspectos interessantes:


A forma mais violenta dessa contenda, a saber, a guerrilha urbana, bem como fora das cidades, não se exibiu eficaz contra o aparato militar estatal.


Lula observou tal fenômeno e enveredou por uma forma de resistência mais efetiva: a luta eminentemente econômica por meio das greves, que ameaçaram a base industrial em que radicava a ditadura, com lograr êxito político inconteste contra o aparato estatal de tal regime ditatorial.


Fica a indagação:


Via militar ou via econômica de resistência e revolução políticas?


Parece que nos países mais industrializados e urbanizados, a segunda forma é mais importante.



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Versatilidade capitalista

 No capítulo décimo do livro primeiro de sua obra magna, O Capital, Marx supõe que o capitalista pioneiro, ao introduzir inovação técnica no processo de produção apta a aumentar a força produtiva do trabalho, aufere lucros extraordinários em razão da redução dos preços de seus produtos, derrotando destarte a concorrência.


Todavia, hodiernamente a inovação do processo de produção vem acompanhada de inovação no valor de uso do produto, o qual, por atender a novas necessidades humanas de consumo, atinge preços mais elevados, o que encerraria o condão de atribuir ao capitalista pioneiro, da mesma forma, lucros extraordinários.


Tal combinação de preços obtidos pelo capitalista pioneiro atribui uma notável versatilidade ao modo de produção capitalista.




Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

Ainda sobre marxismo e marginalismo historicamente examinados.

 As teorias marxista e marginalista do valor econômico atrelam-se ao duplo caráter da mercadoria enquanto valor de troca e valor de uso, o primeiro caráter associado à produção e o segundo à circulação de mercadorias.


Anteriormente ao advento histórico da penetração do capital no âmbito da produção de mercadorias, interessam aos mercadores europeus os valores de uso exóticos não encontrados na Europa, tais como especiarias, seda, porcelana etc, produzidos principalmente na Ásia, razão pela qual Portugal, pioneiro na expansão marítima europeia, estabelece um império no continente asiático como garantia do fornecimento a preços baixos de tais valores de uso exóticos, que eram vendidos a altos preços na Europa.


Na América do Sul, todavia, não existia um sistema produtivo de mercadorias exóticas já em funcionamento, razão pela qual Portugal foi compelido a implantar aqui um sistema escravista de produção de mercadorias exóticas, particularmente o açúcar, para fornecimento na Europa a elevados preços, conquanto adquiridos a baixos preços por intermédio do exclusivo colonial.


Os altos custos militares e burocráticos destes impérios asiático e americano estabelecidos por Portugal impediram uma acumulação primitiva de capital neste país, acumulação esta que acabou por verificar-se na Inglaterra, onde o capital penetrou pioneiramente no âmbito da produção de mercadorias, especialmente na já desenvolvida indústria têxtil no país anglo-saxão.


Com essa revolução industrial na Inglaterra no século XVIII, o capital pode enfim extrair seu lucro não apenas nas variações de preços das mercadorias, especialmente as exóticas, mas agora também na mais-valia extorquida dos próprios trabalhadores despojados dos meios de produção, o que lhe permite revolucionar tecnicamente de modo contínuo o processo de produção de mercadorias, bem assim o processo de circulação de mercadorias mediante a inauguração de novos valores de uso, inclusive como forma de arrostar a lei do declínio tendencial da taxa de lucro descoberta por Karl Marx, mercê dos elevados preços desses valores de uso inauditos.


Destarte, podemos dessumir que, grosso modo, se o marginalismo teórico explica bem a época dos lucros decorrentes das variações de preços típica do capital restrito ao âmbito da circulação de mercadorias, a hodierna época de processo de produção, e não apenas circulação, tipicamente capitalista pode ser bem desvelada pela teoria marxista do valor econômico, sem olvidar, todavia, o marginalismo quanto às inovações capitalistas nos novos e inauditos valores de uso.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Abstração econômica e sua superação.

 Anteriormente ao advento da relação de produção consubstanciada na mercadoria, a economia para a própria subsistência exibe-se concreta, no sentido da unidade entre a produção e o consumo, entre necessidade e sua satisfação.


Com advento da relação de produção consubstanciada na mercadoria e a correspondente divisão social do trabalho, rompe-se aquela unidade e a economia torna-se abstrata, no sentido de que os produtores perdem o controle sobre a satisfação das próprias necessidades.


Esta abstração econômica aprofunda-se com a transformação da força de trabalho em mercadoria e a decorrente cesura entre produtores e proprietários dos meios de produção.


A propriedade coletiva mundial dos meios de produção pelos trabalhadores, a ser implantada pelo modo comunista de produção, bem assim a planificação econômica que atribuirá a cada um segundo suas necessidades, com exigir de cada um segundo suas potencialidades, resgatará a economia concreta, com a decisão coletiva sobre produção e consumo de cada indivíduo retomando as rédeas da história econômica da humanidade.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 28 de janeiro de 2024

LÊNIN

 Karl Marx demonstrou em sua obra magna O Capital que a ação individual pouco ou nada importa diante das determinações das relações de produção, de tal sorte que a história de tais relações desenvolve-se à revelia da vontade dos indivíduos.


Todavia, quando determinados indivíduos apreendem a lógica dialética dessa história e agem consoante tal intelecção, o impacto de sua prática pode adquirir dimensão gigantesca e duradoura.


É o caso de figuras como Martinho Lutero, Oliver Cromwell, Maximilien Robespierre, Napoleão Bonaparte e, naturalmente, Vladimir Lenin, cujo desaparecimento completa cem anos em 2024.


Maior estadista do século passado, sua obra teórica e prática ainda remanescerá influente por séculos, cabendo destacar que a URSS talvez ainda vigorasse se tal figura encerrasse o apanágio da imortalidade, ele que certa vez definiu, numa síntese insuperável de relações de produção e forças produtivas, o socialismo como a união dos sovietes e a eletricidade!


Camarada Lênin, presente!



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sábado, 9 de dezembro de 2023

Ainda sobre o ciclo canino do capital.

 Com altas taxas de ocupação da força de trabalho, o capital industrial não pode simplesmente reduzir salários para arrostar o declínio tendencial da taxa de lucro, portanto eleva os preços de seus produtos, com provocar inflação.


A inflação, todavia, também corrói os lucros ao diminuir o poder aquisitivo do dinheiro, de tal sorte que, então, os juros são dilatados para neutralizar essa corrosão.


Mas os juros elevados comprimem a economia produtiva em geral, pois também afetam negativamente os lucros do capital industrial, e portanto não podem permanecer assim por longo período, eis que a base de toda a economia radica no setor produtivo, de onde se extrai a mais-valia.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.