terça-feira, 8 de setembro de 2026

VATICÍNIOS

Há exatamente cem anos, na década de 1920, o mundo observava estarrecido o advento e ascensão de movimentos políticos de extrema direita no espectro ideológico, notadamente do movimento fascista na Europa, o qual prenunciava a grande crise econômica de 1929, com impacto de escala mundial.

Tal crise econômica culminou, dez anos depois, na violenta Segunda Guerra Mundial que poderia ter atribuído a vitória ao fascismo internacional, o que seria ainda mais desastroso sob prisma político, mas felizmente o mundo foi salvo de tal desastre pelo socialismo representado pela União Soviética.

Hodiernamente, estamos a observar a história em vias de se repetir, com a ascensão internacional da extrema direita política, representada agora na emblemática vitória recente do partido AfD na Alemanha, e não poucos economistas vaticinando uma nova grande crise financeira no curto ou médio prazo, talvez a manifestar-se como esgotamento da revolução digital pela eclosão da assim denominada "bolha" da inteligência artificial. 

Todavia, uma decorrente Terceira Guerra Mundial seria uma catástrofe completa para o planeta, dado o potencial nuclear de muitos Estados nacionais, e agora não temos a União Soviética para evitar e nos salvar de tal catástrofe. 

O mundo ainda pode ser politicamente redimido se as forças políticas socialistas existentes ainda exibirem algum viço.

O capitalismo por si só, no entanto, pode nos conduzir ao completo aniquilamento no curto ou médio prazo.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

sábado, 5 de setembro de 2026

A ASTÚCIA DO DINHEIRO, OU O CAPITAL E A FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO.

Sem embargo, se Hegel expôs, em sua Fenomenologia do Espírito, o desenvolvimento da história humana mediante a astúcia da razão, Marx exibiu, em O Capital, a evolução das categorias econômicas através da astúcia do dinheiro.  

Ora, inicialmente como forma embrionária enquanto valor de troca, esse aspecto abstrato da mercadoria, o dinheiro emancipa-se como circulação de mercadorias para enfim culminar no capital, quando retorna ao concreto submetendo o próprio processo de produção de mercadorias.

Destarte, há uma notável homologia entre as duas obras filosóficas acima mencionadas, nas quais os seres humanos aparecem como títeres de desígnios transcendentes que lhes dirigem e governam a própria história à sua revelia, e até contra os mesmos.   

Evidentemente, há discrepâncias muito importantes entre Hegel e Marx, pois se, para o primeiro, a história humana pode culminar na forma elevada do Estado burguês enquanto estágio derradeiro de tal história (vide a obra do idealista hodierno Francis Fukuyama), para Marx o Estado burguês, como forma política do capital, representa apenas o estágio derradeiro da pré-história da verdadeira Humanidade, a saber, uma Humanidade ainda vindoura e despojada de divisões entre classes sociais e Estados nacionais, quando então os seres humanos livremente associados tomarão de assalto as rédeas de sua própria história. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O todo é maior do que a soma das partes, ou singelo esboço de crítica da macroeconomia keynesiana

A macroeconomia dos grandes agregados econômicos de tradição teórica keynesiana opera com a somatória simples dos correspondentes agentes econômicos, o que se me antolha, a princípio, um tanto reducionista e, quiçá, equivocado.


Sem embargo, no modo capitalista de produção os agentes econômicos, na maioria das vezes, operam como concorrentes, o que estimularia o avanço tecnológico e o aumento da produtividade respectivo, mas concretamente observa-se o fenômeno da formação de monopólios pela concentração e centralização de capital, e, contrariamente a um esperado declínio dos preços pelo mencionado aumento da produtividade, o que se nota é a propagação do fenômeno inflacionário.


De outro bordo, em uma eventual planificação econômica auxiliada por tecnologia digital na coleta e tratamento de dados, o que se poderá observar coincidirá com a sinergia da cooperação econômica entre os agentes correspondentes, com aumento de eficiência e de velocidade de circulação de produtos e serviços.


Em ambos os casos, o todo sempre é maior do que a mera soma das partes, isto é, do que o agregado.


Hipóteses sub judice.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

OGAS

O conceito de planificação econômica descentralizada instruída por tecnologia digital, como temos aqui preconizado, não é, em absoluto, uma novidade, mas tem como precursores históricos os projetos OGAS na União Soviética, na década de 1960, e o projeto CYBERSYN no Chile, na década de 1970, durante o governo de Salvador Allende. 

O primeiro, liderado pelo cientista da computação soviético VIKTOR GLUSHKOV, propunha uma rede hierárquica de três níveis de terminais localizados em regiões economicamente significantes que poderiam transmitir dados entre si em tempo real, utilizando a infraestrutura telefônica preexistente na União Soviética, de maneira a proporcionar um modelo de economia em que o papel-moeda seria substituído por pagamentos de forma eletrônica. 

Tanto o CYBERSYN quanto o OGAS parecem ter provocado imenso temor e receio por parte do Departamento de Estado norte-americano, e a CIA pode ter tido participação ativa no fracasso e posterior ostracismo de tais projetos de economia cibernética.

Hodiernamente, o PIX brasileiro já desperta grande atenção e animosidade dos imperialistas yankees, o que demonstra o quanto pode ser perigoso para o capital como modo de produção específico. 

Tanto o CYBERSYN quanto o OGAS estão a merecer investigações profundas por parte da historiografia econômica. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

CIÊNCIA E TRABALHO

A forma básica de divisão social do trabalho opõe o capital (detentor do trabalho eminentemente intelectual e, em decorrência, da produção científica) e o trabalho em sentido lato (vale dizer, aqui, como trabalho eminentemente manual), divisão esta que se reproduziu, verbi gratia, na experiência soviética, em que uma classe trabalhadora fabril típica arrostava uma classe burocrática de servidores públicos intelectuais engajados na imensa tarefa de planificação econômica. 

De outro bordo, aventamos aqui que a função precípua do Estado capitalista consiste na produção da mercadoria denominada força de trabalho, sendo certo que a hodierna revolução digital engendrou uma força de trabalho eminentemente intelectual engajada na produção de programas de computador (software), subvertendo, destarte, a mencionada divisão social do trabalho básica entre capital e trabalho, pois agora a classe trabalhadora também encerra sua parcela eminentemente intelectual nos produtores de tecnologia da informação. 

Ora, se considerarmos uma vindoura planificação econômica descentralizada e instruída por tecnologia digital (consoante temos preconizado também aqui), em substituição à mencionada burocracia sovética, podemos supor que a hodierna parcela intelectual da classe trabalhadora encontra-se apta a gerir e administrar tal tarefa de planificação econômica em ambiente de relações de produção tipicamente socialistas. 

A unificação política entre as parcelas manual e intelectual da classe trabalhadora exibe-se, portanto, como tarefa inadiável, conquanto difícil. 

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.   

domingo, 23 de agosto de 2026

CALIFÓRNIA, OU A REVOLUÇÃO DIGITAL ENTRE HOLLYWOOD E O VALE DO SILÍCIO.

Parece haver conexões profundas entre a indústria cinematográfica e a revolução digital, e não por acaso a Califórnia tem sido, há décadas, o proscênio por excelência de ambos os fenômenos.   

Sem embargo, o cinema, ou o âmbito audiovisual, encerra a faculdade de convolar em mercadorias virtuais uma grande gama de artes e mercadorias físicas, cabendo ventilar que entre Hollywood e o Vale do Silício situa-se o itinerário da transposição das telas dos teatros cinematográficos para as telas das televisões, inicialmente, e depois para as telas de computadores e celulares.

Nesse percurso, o mundo físico das artes e das mercadorias palpáveis perde sua "aura" (na acepção preconizada por Walter Benjamin) para o mundo virtual da hodierna revolução digital.






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

sábado, 22 de agosto de 2026

CONJECTURA SOBRE AS MODERNAS FORÇAS PRODUTIVAS

A princípio, historicamente, o capital alavanca forças produtivas atuantes em âmbito microeconômico, adotadas primordialmente no processo fabril pelo capital individualmente considerado, mas hodiernamente sucede algo deveras interessante.


A revolução digital e os atuais algoritmos da assim denominada inteligência artificial, ao que tudo indica, atuam primordialmente no âmbito da circulação de capital, incrementando a velocidade de rotação correspondente, e encerram grande potencial, enquanto forças produtivas, de atuar em patamar macroeconômico, auxiliando uma vindoura planificação econômica instruída por tecnologia digital.


Por ora, no entanto, a revolução digital foi apropriada no âmbito microeconômico pela propriedade privada capitalista através das assim designadas Big Techs, que adotam a tecnologia digital para extração intensiva de mais-valia e, particularmente quanto à mencionada inteligência artificial, como capital fixo para subjugar o moderno trabalho eminentemente intelectual na produção de software.


Nesse diapasão, seria lícito ventilar que forças produtivas de jaez macroeconômico e potencialmente socialista entraram em contradição com as relações de produção capitalistas, que as adotam de maneira microeconômica e para fins de reprodução da propriedade privada dos meios de produção.


Impõe-se, destarte, que a classe trabalhadora em escala mundial aproprie-se de tais forças produtivas modernas para que a verdadeira natureza social de tais forças possa vicejar.


Hipóteses embrionárias sub judice, a desinibir.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.