No âmbito epistemológico, a contradição de jaez platônico entre racionalismo e empirismo somente foi completamente superada pelo materialismo histórico e dialético, mais especificamente com a segunda tese contra Feuerbach de autoria de Karl Marx, consoante a qual o critério de validade do conhecimento reside não na apreensão do correspondente objeto pelo pensamento, mas na sua transformação pela praxis.
Destarte, o ciclo do conhecimento somente se completa, precisamente, com a transformação prática do respectivo objeto, de tal sorte que sua apreensão pelo pensamento subjetivo, pela comprovação da hipótese por evidências empíricas, consiste apenas em uma etapa inaugural, sendo a transformação desse objeto pela praxis a etapa conclusiva e arrematadora do ciclo do conhecimento.
É de rigor destacar, portanto, a diferença axial entre empiria e praxis, frequentemente confundidas: a primeira é um dado apriorístico e passado, colhido na investigação e pesquisa científica, enquanto a praxis é um dado a posteriori e vindouro que transforma o objeto do conhecimento.
Hipóteses sub judice.
Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.