quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CONJECTURA SOBRE CAPITAL FIXO

 LEI CONJECTURAL SOBRE CAPITAL FIXO.

Para que haja efetiva diminuição do valor individual da mercadoria mediante aumento da produtividade decorrente de investimento em capital fixo, o incremento da força produtiva do trabalho deve ser tal que compense o acréscimo de valor paulatinamente transferido aos produtos pela circulação de tal capital fixo. 


Tal lei consiste em conjectura sujeita a confirmação empírica e teórico-matemática.


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ESQUEMAS SOBRE A PRODUÇÃO ECONÔMICA DA CIÊNCIA MATEMÁTICA.

O dinheiro, isto é, o aspecto abstrato da mercadoria devidamente emancipado no curso da história, funciona como equivalente geral e, nessa condição, não exibe valor de uso específico, mas pode convolar-se em qualquer coisa, em qualquer substância. 

O número é o correspondente matemático do dinheiro, porquanto, na sua abstração, pode referir-se a qualquer coisa, a qualquer substância. 

Mas o dinheiro converte-se, dialética e historicamente, em capital propriamente dito, que encerra a tendência e a inclinação a acumular-se indefinidamente, a saber, infinitamente. 

Do mesmo modo, o número, esta forma de limitação, de estabelecer limites, convola-se dialeticamente no seu contrário, qual seja, o infinito, naquilo que é ilimitado, que não tem limites, de tal sorte que o infinito consiste no correspondente matemático do capital. 

Hipóteses sub judice.      





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

domingo, 9 de agosto de 2026

BREVÍSSIMA TENTATIVA DE HISTÓRIA ECONÔMICA COMPARATIVA

A União Soviética exibia um parque industrial potente, fruto da bem sucedida política de coletivização e industrialização implementada a partir do primeiro plano quinquenal, mas, lamentável e enigmaticamente, não logrou alcançar a revolução digital e a economia planificada colapsou.


Os Estados Unidos da América exibiam um potente parque industrial que, talvez em razão da queda tendencial da taxa de lucro do capital fabril, cedeu lugar à indústria de software derivada da revolução digital, evidente na superação do Cinturão da Ferrugem pelo Vale do Silício.


A China hodierna, por seu turno, exibe um potente parque industrial e um promissor setor econômico atrelado à revolução digital, condições que poderiam favorecer uma coletivização e uma planificação econômica instruída por algoritmos que conduziriam o país a um estágio avançado de socialismo econômico mais viável e menos crítico do que o capitalismo.


Hipóteses sub judice.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

sábado, 8 de agosto de 2026

O COMUNISMO NUNCA EXISTIU

Dessume-se de obras como A ideologia alemã e o Manifesto Comunista que o comunismo somente será alcançado em escala mundial, planetária, quando todas as formas de propriedade privada dos meios de produção forem definitivamente erradicadas, isto é, quando todo o nosso planeta for propriedade de uma Humanidade unificada e despojada de divisões de classes sociais e Estados nacionais.


Nesse diapasão, os impropriamente designados comunismo primitivo e comunismo soviético configuraram tão somente, na verdade, “propriedades privadas coletivas” de determinados povos frente a outras formas de propriedade privada dos meios de produção, de outros povos ou nações, mas jamais constituíram o efetivo modo comunista de produção, nos termos acima deslindados.










Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

SOBRE O AFORISMO PRECEDENTE

Recebi críticas acerbas sobre o texto imediatamente antecedente aqui publicado, sendo certo que o camarada CARLOS OTÁVIO SANTIAGO aduziu que se trata de uma visão cruel, desnecessária, sem esperança, enfim, pesada e amarga. 

Ele tem toda a razão, decerto, mas tentarei reparar o estrago. 

Karl Marx preconizava, já na juventude, que o ser humano é um animal social, a partir mesmo do simples fato de que não se reproduz sozinho, mas de forma sexuada. 

Por outro lado, a divisão do trabalho, tanto social quanto na fábrica, intensifica tal jaez social do ser humano, cujos laços de cooperação e coletividade são objetivamente dados. 

Todavia, o desenvolvimento histórico engendra a propriedade privada dos meios de produção e a família nuclear, favorecendo a ilusão do indivíduo abstrato e isolado, isto é, as "robinsonadas" em evidente contradição diante do caráter social do ser humano acima mencionado. 

Portanto, tal contradição somente será resolvida, ao que parece, com a erradicação da propriedade privada dos meios de produção e da família  nuclear, no vindouro modo comunista de produção em escala mundial, quanto toda a Humanidade funcionará como uma grande e única família. 

É nossa esperança. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

AFASIA

Persona, de Ingmar Bergman, e Paris Texas, de Wim Wenders, são duas películas cinematográficas que tratam de alguma forma, entre outras camadas semânticas, da incomunicabilidade, da dificuldade extrema de romper a mônada e comunicar-se com outrem.


Tal mônada consiste em verdade na tradução filosófica do indivíduo abstrato, fruto ou causa da propriedade privada dos meios de produção e da correspondente família nuclear, isto é, dos universos, respectivamente, do trabalho e da reprodução sexuada, pelos quais se efetiva a produção e reprodução da vida material humana, universos distintos mas não estanques.


Ora, tanto Elisabet, em Persona, quanto Travis, em Paris Texas, perdem a capacidade de comunicação e vivem um vazio de sentido, um deserto semântico apesar de constituirem família e se reproduzirem sexualmente, engendrando prole, o que não garante em absoluto um significado para suas existências individuais, ao contrário, causa afasia.


Quero crer que, superada a propriedade privada dos meios de produção e a correspondente família nuclear, a existência individual adquira pleno significado, porquanto cada um contribuirá e cooperará com todos os demais na continuação da espécie humana, de forma efetivamente coletiva e plena de sentido.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MICROCONTO DO AMOR DIFUSO ESCRITO COM SANGUE

Maria Madalena da Silva mantinha com galhardia e airosamente a mais famosa e bem frequentada casa de lenocínio daquele vilarejo incrustado no meio do mais árido e recôndito sertão nordestino, mas quando, aos quarenta anos de idade, concebeu e deu à luz aquela criança, batizada com o epíteto de Nilton, realmente não conseguia recordar-se de que homem a engendrara, malgrado suspeitasse de um cidadão britânico que compareceu a negócio naquelas plagas olvidadas por Deus, mercê dos cabelos lisos e dos olhos azulados que Nilton desinibiu ulteriormente, mas o fato é que aquele menino não desfrutou da companhia de um pai ou de irmãos, mas, em compensação, recebeu de sua genitora um afeto incondicional e quiçá desmedido que, por ocasião da morte precoce de Madalena aos quarenta e sete anos, de causas mal explanadas até hoje, foi intensificado por seus avós, pais de sua mãe, que o acolheram na capital após tal óbito enigmático, os quais passaram a dedicar tempo integral aos cuidados de Nilton, com aquele amor que somente os avós em luto pela filha sabem nutrir pelo correspondente neto, ou seja, o menino sertanejo foi efetivamente cercado de todo o carinho plausível neste mundo incompreensível, e isto tem consequências, para o bem e para o mal, tanto que Nilton acabou por desenvolver certa sensibilidade afetiva também desmesurada, que o fez elaborar copiosos poemas de intensa inspiração religiosa já aos dez anos de idade, mas tal veia poética quedou silente na juventude do garoto, que a substituiu pelo talento matemático tão desenvolvido quanto a verve literária, pois foi estudar física quântica na universidade, onde mergulhou nos estudos com paixão adolescente e desenfreada, conquanto jamais tenha contraído conjunção carnal em toda a sua breve existência, movido que era por sentimentos de jaez, talvez, mais nobre do que a mera reprodução sexual individual, e de fato Nilton exibiu todo o seu imenso amor pela vida em sentido lato ao desenvolver o pioneiro modelo integralmente estável de computador quântico, que beneficiou toda a humanidade, mas faleceu muito cedo, aos quarenta e sete anos, como Madalena, deixando legado perene.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.