sexta-feira, 12 de abril de 2024

Hipóteses sobre centralismo democrático aplicado à planificação econômica.

 No âmbito do Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores, encetamos uma discussão sobre a natureza dos partidos políticos:


Estes entes na verdade são proto-Estados, vale dizer, contêm internamente elementos da organização estatal e encerram embriões do futuro Estado que eles eventualmente venham a ocupar politicamente.


No caso histórico da União Soviética, em que ocorreu uma certa fusão entre o Partido Comunista e o Estado soviético, a hipótese acima parece ter validade.


Mas o partido liderado por Lênin teve certa dificuldade em implantar as suas diretrizes de centralismo democrático na planificação econômica do Estado soviético, em razão da precariedade de instrumentos para coleta e processamento de dados de oferta e demanda econômicas, o que acabou por gestar uma burocracia hipertrofiada e ineficiente.


Conquanto bem sucedida durante algum tempo, a planificação econômica na URSS mostrou esgotamento e veio a desmoronar juntamente com o Estado soviético.


Mas hodiernamente a diretriz política do centralismo democrático exibiria sucesso quando implementada na planificação econômica, em razão das conquistas da revolução digital.


Destarte, a coleta de dados econômicos seria efetuada descentralizadamente mediante alimentação de um algoritmo central pelos próprios agentes econômicos mediante a rede internacional de computadores (internet), que enviariam seus dados de produção e consumo.


Tais dados seriam tratados e processados pelo algoritmo central, que repassaria as diretrizes e metas de cada agente econômico, em tempo “real”.


Seria uma versão econômica do centralismo democrático político.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Ainda sobre oferta e demanda: conjectura.

 Há um brocardo jurídico consoante o qual a mãe é sempre certa, mas o pai é incerto.


No modo capitalista de produção, onde domina a propriedade privada dos meios de produção, o capitalista individual pode conhecer a dimensão da oferta que lançará no mercado, mas não lhe é acessível a magnitude da demanda, de jaez social.


Logo, os preços determinam-se no âmbito da produção de capital e não no da circulação de capital, de tal sorte que parece falacioso atribuir à demanda uma relação unívoca de causalidade com o fenômeno inflacionário.


Pois, para o capital individual, a oferta é sempre certa, mas incerta a demanda.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

O papagaio econômico.

 Há uma pilhéria corrente consoante a qual o estereótipo do economista corresponde a um papagaio que repete incessantemente: oferta e demanda!


Com efeito, o processo de circulação de capital domina de forma arrasadora a atenção e o interesse dos economistas, máxime os de inclinação liberal, de sorte que a formação dos preços cinge-se ao binômio oferta e demanda econômicas, talvez porquanto, decerto, o processo de produção de capital revela sempre, de forma constrangedora para os liberais, o mundo da exploração do homem pelo homem na extração da mais-valia!


Cabe aos economistas de inclinação marxista recuperar a unidade dos processos de produção e de circulação de capital quanto à formação dos preços, algo encetado por Marx no terceiro livro de sua obra magna O Capital.


Muito provavelmente, o fenômeno inflacionário, verbi gratia, será deslindado, destarte, como desdobramento da lei da queda tendencial da taxa de lucro do capital, colocando sob escrutínio a panaceia do binômio oferta e demanda.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

LULA

 Nós do Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores costumamos lembrar que Trotsky venceu uma guerra civil, enquanto Stálin venceu uma guerra mundial, derrotando o fascismo e tornando-se, malgrado seus erros cruéis, um herói da Humanidade.


Pois bem.


Lula é maior que Stalin, pois derrotou a extrema direita de inclinação fascista por duas vezes: primeiro ao enterrar a ditadura militar no Brasil, depois por derrotar eleitoralmente o bolsonarismo, mas sem derramar uma só gota de sangue de seu amado povo brasileiro!


Talvez Lula seja superior a Lênin…





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

Roteiro de estudo sobre inflação: conjecturas.

 1. O trabalho somente é produtivo se contribui para o desenvolvimento humano dos indivíduos, na esteira das proposições da economia do bem-estar social de Amartya Sen;

2. ⁠Logo, a maior parte das funções estatais consiste em trabalho improdutivo, máxime as funções de jaez manifestamente burocrático-militar;

3. ⁠Logo, o funcionamento normal das funções estatais constitui demanda econômica sem contrapartida produtiva;

4. ⁠Nada obstante, há Estados, como o japonês, que exibem deflação;

5. ⁠Portanto, a demanda estatal e eventual déficit público não podem constituir a principal causa da inflação;

6. ⁠Deve-se estudar a unidade dos processos de produção e de circulação de capital, máxime na lei da queda tendencial da taxa de lucro, como fator principal do fenômeno inflacionário, eis que o processo de circulação de capital, por si só, exibe-se insuficiente para tal propósito.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 9 de abril de 2024

O EGO COLETIVO.

 O ser humano encerra uma psique fraturada entre o ego individual e o inconsciente coletivo, decorrente da contradição econômica primordial entre a propriedade privada dos meios de produção e as relações de produção que estruturam a vida em sociedade: em suma, uma psique conflituosa derivada das lutas de classes sociais.


Tal conflito psíquico será mitigado ou resolvido com o advento do modo comunista de produção em escala mundial, em que:


1. A propriedade coletiva dos meios de produção vingará em detrimento da propriedade privada;

2. Será implantada a planificação econômica mediante um algoritmo central, que denominarei provisoriamente de ego coletivo, que coletará todos os dados econômicos de oferta e demanda dos indivíduos, tratará tais dados e decidirá sobre as metas individuais de tais agentes econômicos, nos moldes políticos do centralismo democrático.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

Marxismo e culpabilidade.

 Para o marxismo, os fenômenos sociais são determinados, em última instância, pelo âmbito econômico, e este âmbito estrutura-se mediante relações de produção contraídas involuntariamente pelos indivíduos, os quais são inconscientemente governados por tais relações de produção no curso da história.


A noção jurídica de culpa individual, seja a culpa aquiliana do direito civil, seja o dolo no direito penal, deve ser submetida a rigoroso escrutínio teórico pelo marxismo, a saber:


Em que medida os indivíduos são meros vetores de determinações estruturais do capital e, portanto, completamente isentos de vontade própria e culpa?


Em que condições os indivíduos preservam ainda alguma autonomia em relação a tais determinações estruturais do capital, e portanto certa dose de culpabilidade?


Cuida-se, decerto, de questões de alta indagação, extremamente tortuosas, mas devem ser enfrentadas.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.