sexta-feira, 14 de junho de 2024

POLÍTICA 2

 Uma Conjuntura Perigosa

(Texto para Discussão Interna)

Carlos Félix

Lincoln Secco

(Membros do NEC- PT)


“…uma pergunta não formulada nos acompanha, se soubermos ler, caderno por caderno, página por página: como isto foi possível; como isto poderá cessar?”.

(Palmiro Togliatti, sobre os Quaderni de Gramsci).


Vivemos no mundo uma nova etapa histórica: a do fascismo. No Brasil, os bolsonaristas perderam o poder executivo, mas têm a maioria das trincheiras da sociedade civil. A mídia se realinhou à direita e a simpatia eleitoral pelo governo caiu. O empresariado começou a romper com Lula. São movimentos ainda fragmentados, sem coordenação, mas que podem evoluir com rapidez a depender de como os inimigos enxergarão as oportunidades. 

O primeiro objetivo é impedir Galipolo no BC e trocar Haddad, malgrado suas promessas ao deus mercado, por alguém mais fundamentalista. Haddad é cristão novo. Apesar do arcabouço fiscal estar sob a lógica liberal, ele não é aceito pelo empresariado. Vejam-se as declarações do empresário Ometto e do presidente da CNI, confederação de proprietários de galpões num país desindustrializado. Para eles o arcabouço aumenta as despesas na medida em que a receita aumenta. O que deveria ser feito? Abater dívida e reduzir gasto público sempre.

Além disso, o arcabouço não é sustentável sem mexer nas metas de resultado primário do governo, aquele que exclui o pagamento de juros da conta. Na avaliação dos investidores, se Lula for reeleito, ele terá mais força para repactuar a disputa pelo orçamento público. Soma-se a isso o fato do governo eventualmente defender alguma política tributária progressiva.

O segundo objetivo da Direita, portanto, é derrotar Lula nas urnas. E para isso transforma retrocessos na legislação em derrotas do governo, quando na verdade são derrotas da civilização, inclusive de muitos liberais. Note-se o exemplo da maior criminalização do aborto, uma verdadeira armadilha eleitoral cujo objetivo é levar o governo a vetar, desagradando assim o eleitor conservador, ou sancionar com ressalvas virando as costas para os avanços civilizacionais.  

O terceiro, se não der certo o primeiro, é o impeachment. As instituições estão deslegitimadas e ninguém se importa com a democracia. O frágil pacto com os liberais para derrotar o bolsonarismo ruminante vai sendo substituído pela adesão desses ao bolsonarismo de garfo e faca. Claro que o governo pode piorar as coisas, atacando benefícios sociais e alterando o piso constitucional da saúde e educação, por exemplo, o que seria um erro porque isso depende de maioria qualificada no congresso e poderá vir de lá. Ao inviabilizar as propostas de tributação progressiva e fim de algumas desonerações, o Congresso joga o governo no canto do ringue para que ele tome a iniciativa de cortar gastos sociais ou deixe de fazer investimento gerando um ciclo virtuoso na economia.

Mas com todos os erros do governo, lamentamos informar que a esquerda não suportará outro golpe parlamentar, mesmo porque, diferente daquele, este seria abertamente um golpe de feição fascista. Lula não tem a mínima chance de aprovar nada no congresso, está cercado pela mídia, forças armadas, judiciário, casta política e metade ou mais dos eleitores. Lula, goste a esquerda ou não, é o único nome com capital eleitoral e popular. É o único muro de contenção do avanço da barbárie.

As futuras eleições para a Presidência da Câmara e as municipais agravam o quadro. Deslumbrado pelo poder sem limites que exerceu durante o governo anterior, Lira parece se agarrar à ideia de que é uma espécie de primeiro ministro e quer a qualquer custo impor um nome seu à presidência da câmara, talvez ele mesmo assumindo um cargo na mesa diretora. O Centrão existe fisiologicamente, porém se aproveita da ideologia fascista para cobrar mais caro os apoios pontuais ao governo. Como em política os vazos não são comunicantes, mas sim contaminantes, muitos deputados centristas vestiram a máscara do fascismo e ela não descola mais. Os que a retiram, são destruídos pela propaganda bolsonarista.

Se o PT passar pela tempestade, abre-se a oportunidade de criticá-lo no seu sexto mandato, lutar por avanços etc. Exigir isso agora é falar para ouvidos moucos. Não vai acontecer, pois o PT está convencido que precisa insistir nas alianças e na moderação. O outro caminho seria a mobilização popular contra o Congresso e o Banco Central. Todavia, a sociedade civil está desarticulada, sobrando apenas um governo em recuo como última trincheira. O projeto que criminaliza o aborto pode ser um estopim de mobilizações de rua. Assim esperamos.

A Esquerda, que sempre foi o front antissistema, precisa criar molecularmente novos valores, propor reformas com capacidade de aglutinar maiorias e gerar movimentos de massa nas ruas.

CURVA DE PHILLIPS

 A curva de Phillips, tão debatida, está correta, mas não pela velha ladainha econômica da oferta e demanda, ou pelo processo de circulação de capital.


Ela está correta como previsto por Marx ao descrever a lei do declínio tendencial da taxa de lucro do capital!


Sim, pois uma baixa taxa de desemprego obsta que o capital diminua salários para arrostar tal lei, restando a alternativa de aumentar os preços dos produtos, das mercadorias por ele produzidas, engendrando inflação!




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

ROUSSEFF E TAVARES

 A taxa de desemprego no Brasil no primeiro trimestre deste ano ficou em 7,9%, menor índice em dez anos, quando ficou em 7,2% em 2014.


Foi esta baixa taxa de desemprego que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, e não eventual suposto desarranjo fiscal como repete incessantemente a velha ladainha econômica!


Sim, pois o emprego em alta obsta que o capital arroste o declínio tendencial de sua taxa de lucro mediante diminuição salarial, restando o simples aumento de preços das mercadorias produzidas como alternativa, isto é, a inflação!


Estamos vivendo um momento histórico parecido com a década passada, cabendo destacar que os discursos golpistas da mídia burguesa brasileira contra o presidente Lula já começaram com força!


Definitivamente, o capitalismo não convive bem com a situação econômica favorável à classe trabalhadora, como bem demonstrou a já saudosa mestre Maria da Conceição Tavares, amiga de Dilma Rousseff, ao demonstrar que a desigualdade social anda de mãos atadas com o crescimento capitalista!


Um brinde a Rousseff e Tavares, mulheres gigantes do Brasil!







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

IMPÉRIO ROMANO

 O esplendor das elites do Império Romano radicava no modo de produção escravista antigo, a saber, era sustentado por uma massa de trabalhadores escravos cujo padrão de vida era deplorável.


Houve um grande progresso com o advento do modo de produção feudal, em que os servos da gleba, a saber, os trabalhadores rurais exibiam uma liberdade maior e eram menos espoliados do que os escravos romanos, tanto que a elite medieval não ostentava o esplendor de seus homólogos antigos, mas essa liberdade dos servos criou a base material e econômica que originou o atual capitalismo, em que o esplendor das elites voltou com toda a intensidade, ao lado da penúria dos trabalhadores proletários.


Em geral, a ideologia dominante mede o progresso pelo esplendor das elites, obliterando a pobreza dos trabalhadores!


O progresso é relativo, portanto, mas o modo comunista de produção vindouro aniquilará tal relativismo, oferecendo o progresso a todos os cidadãos do planeta!





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

ROSA LUXEMBURGO

 O aumento da composição orgânica do capital representa o ápice da alienação e da reificação ínsitas ao capitalismo, eis que a demanda do capital constante aumenta em maior velocidade que a demanda do capital variável, malgrado a produção econômica como um todo esteja voltada à satisfação de necessidades humanas, e não as necessidades dos meios de produção.


Todavia, o que move o capitalista a aumentar essa composição orgânica, se ela conduz ao declínio tendencial da taxa de lucro do capital?


Bem, o aumento da composição orgânica do capital geralmente vem acompanhado por um desenvolvimento dos valores de uso das mercadorias, criando novas necessidades humanas veiculadas por novos valores de uso, inéditos e caros!


Talvez, essa revolução constante nos valores de uso funcione como válvula de escape do capitalismo, ao lado do imperialismo descrito por Rosa Luxemburgo!





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

GREYSTOKE

 Quando Fidel Castro afirmava que o capitalismo é uma selva, fazia um elogio ou uma crítica?


Uma criança da aristocracia britânica sofre um naufrágio e é criada por uma comunidade de macacos na selva africana; volta para a civilização mas, inadaptado, retorna para a selva para viver entre os macacos: eis o enredo do filme Greystoke, a lenda de Tarzan, o rei dos macacos, de 1984.


Belo filme que nos indaga a propósito da ideia de progresso, tão cara à denominada civilização ocidental!


Eu particularmente entendo que vivemos em barbárie no âmbito do capitalismo, um modo de produção injusto e ineficiente!


Progresso, mesmo, somente quando a humanidade alcançar o modo comunista de produção!


Detalhe: Fidel, por óbvio, criticava o capitalismo na afirmação acima!




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 11 de junho de 2024

LÓGICA APOFÂNTICA

 A lógica formal aristotélica considera o tempo, como na dissociação entre causa e efeito por ele separados, mas não o descreve, não o examina na sua essência e seu funcionamento.


A lógica dialética, ao subverter o princípio aristotélico da não contradição, hauriu a essência do tempo, pois o ser passou a conter sua negação, descrevendo o movimento histórico em seu âmago.


A lógica dialética seria mais consentânea com a teoria da relatividade, que subverteu o tempo linear e abstrato do relógio, próprio da experiência empírica individual?


Creio que sim, pois originou o materialismo histórico que, como Einstein, considera e descreve o movimento da matéria, dos corpos.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.