terça-feira, 27 de outubro de 2026

FASCISMO E TAXA DE LUCRO

Já ventilamos aqui a hipótese de que a inflação pode ser uma decorrência indireta do declínio da taxa de lucro do capital, bem assim estabelecemos uma contemporaneidade e correspondência entre a hiperinflação e o surgimento do fascismo na Alemanha da década de 1920, ou seja, há exatamente um século.

Hoje observamos a mesma correlação entre aumento da inflação e advento de movimentos políticos de extrema direita de conotação fascista, máxime na Europa, em que a carestia tem convulsionado vários países com manifestações populares em massa de certa violência.      

Ora, o fascismo está geralmente associado a redução de direitos trabalhistas da classe trabalhadora, isto é, a decréscimo de salário, direto ou indireto, de tal sorte que seria uma forma de contraposição ao declínio da taxa de lucro do capital gerador de inflação, consoante acima aludido, o que nos conduz à conjectura de que o fascismo exibe-se direta ou indiretamente associado a tal queda de rentabilidade do capital e correlata carestia. 

Hipóteses e conjecturas sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

FORTALECER A DEMOCRACIA

Em 2011 redigi um singelo artigo publicado na revista Teoria e Debate em que preconizava o aprofundamento da democracia participativa mediante adoção mais efetiva dos institutos constitucionais da consulta e da iniciativa popular, através de plebiscitos, referendos e projetos legais de autoria dos cidadãos, os quais podem ser muito facilitados pelas redes sociais e pela internet em geral.


Pois bem, quinze anos depois as eleições brasileiras evidenciaram a necessidade de defender a democracia através das redes sociais, diante da ameaça autoritária da extrema direita de jaez fascista.


A democracia hodierna no Brasil é, em grande medida, uma conquista da classe trabalhadora, que combateu bravamente, sob a liderança de Lula, a ditadura militar instituída por um golpe de estado.


Mas tal conquista democrática não é um dado político absolutamente estável, em razão das ameaças constantes vindas da extrema direita fascista, em grande medida subsidiada pelo imperialismo internacional.


Ora, a classe trabalhadora deve permanecer, portanto, vigilante contra tal ameaça, mas a melhor forma de sedimentar a democracia é aprofundá-la, isto é, fortalecê-la com maior participação popular através das redes sociais e da internet em geral.


Enfim, a democracia deve atualmente servir-se da revolução digital para se estabelecer definitivamente, aprofundando-se, sob pena de ser engolida por tal revolução digital hoje dominada pelas Big Techs.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

EXISTE A MORTE?

Em sua obra magna intitulada O Capital, Karl Marx demonstra que o tempo não é linear como se supõe intuitivamente, mas se exibe cumulativo, de tal sorte que o capital, verbi gratia, surge tardiamente no curso do tempo, mas incorpora, transformando-as, as relações de produção ou categorias econômicas que o antecedem historicamente, ou seja, a mercadoria e o dinheiro, formas sociais anteriores ao capital, são nele integradas e plenamente desenvolvidas, sendo certo que o mesmo acontece com as espécies biológicas no curso de sua evolução, consoante o brocardo "a anatomia do homem é a chave da anatomia do macaco"

Nesse diapasão, a morte não existe material e objetivamente, mas apenas em um plano subjetivo e individual, de tal sorte que a descendência dos seres humanos preserva os indivíduos mortos em vários aspectos, que vão da herança genética às relações de produção que contraíram entre si.

Por isso que o Mouro de Trier anunciava em grande estilo:

"A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos"





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A HISTÓRIA SEGUNDO O SOCIALISMO CIENTÍFICO

O grande filósofo marxista Louis Althusser costumava asseverar que, grosso modo, a história não passa de ideologia, na medida em que direciona sua atenção aos seres humanos, mas tais seres humanos contraem entre si relações de produção ou de propriedade alienadas e heterônomas que os governam à sua revelia e até contra os mesmos, de tal sorte que a verdadeira e realmente inteligível história deve investigar não os seres humanos, mas tais relações de produção que se manifestam como categorias econômicas, como o fez Karl Marx em "O Capital", em que se observa a evolução diacrônica das categorias econômicas, tais como mercadoria, dinheiro e capital: eis o assim denominado anti-humanismo teórico preconizado por Louis Althusser. 

No entanto, a certa altura de "A ideologia alemã", Marx e Engels prolatam a sentença consoante a qual conhecem uma única ciência, a saber, a ciência da história, e no "Manifesto Comunista" tal história aparece com muita evidência em seres humanos de carne e osso nas lutas de classes. 

Como coadunar e harmonizar essas duas concepções de história no âmago do socialismo científico?

Bem, já sugerimos aqui que o anti-humanismo teórico de Louis Althusser, na verdade, consiste e corresponde a um humanismo prático, na medida em que o proletariado representa a classe social que emerge na história para superar, de forma pioneira e revolucionária, a alienação e reificação ínsitas às relações de produção contraídas pelos seres humanos no curso do tempo, de tal sorte que tal classe social encerra a potencialidade de tomar de assalto as rédeas e a direção, pela primeira vez na história e de forma consciente e autônoma, do destino dos seres humanos no evolver do tempo histórico.

A teoria anti-humanista do socialismo, para Althusser, consistiria, portanto, em meio científico de instruir e dirigir um humanismo prático e revolucionário, que colimaria e alcançaria uma Humanidade despojada de divisões de classes sociais e Estados nacionais e que, destarte, poderia orientar a si mesma de forma autônoma e não alienada.     

Hipóteses sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

domingo, 18 de outubro de 2026

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO E RELAÇÕES DE PROPRIEDADE

As relações sociais podem ser consideradas sob dois aspectos, a saber:

1. Como relações de produção, com enfatizar a classe trabalhadora, tal como resta evidente no Manifesto Comunista, em que a história corresponde às lutas de classes;

2. Como relações de propriedade, com ressaltar a classe detentora dos meios de produção, tal como resta flagrante em O Capital, em que a história corresponde ao desenvolvimento diacrônico das categorias econômicas, máxime da mercadoria, do dinheiro e do capital. 

Hipóteses sub judice. 





por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A REVOLTA DO VALOR DE USO

Certa feita, durante uma palestra de Robert Kurz na faculdade onde estudei, uma professora preconizou algo como a “revolta do valor de uso” contra o capitalismo, o que gerou grande perplexidade, já que ninguém poderia compreender exatamente o significado de uma revolta de uma categoria abstrata.


Mas aludida professora, hoje eu vejo, encerrava boa dose de razão, senão vejamos.


A contradição ínsita à categoria econômica da mercadoria consiste na oposição entre seu valor de uso e seu valor de troca, sendo certo que tal contradição resolve-se em favor deste último aspecto no dinheiro, que é o valor de troca emancipado e concretamente autônomo que se manifesta nas moedas e na circulação de mercadorias.


O capital, por seu turno, nada mais é do que o dinheiro que se apoderou do processo de produção de mercadorias, exibindo em seu âmago a velha contradição entre valor de uso e valor de troca, isto é, entre produzir artigos que satisfazem a necessidades humanas concretas e valorizar-se indefinidamente, com predomínio deste último aspecto.


Tal contradição básica do capital resulta no seu evolver permanentemente crítico e flutuante, decorrente precisamente no predomínio da valorização abstrata sobre a satisfação de necessidades humanas concretas.


Ora, a vindoura planificação econômica socialista considerará, mediante informações digitalmente colhidas e tratadas sobre produção e consumo de todos os agentes econômicos envolvidos, precisamente a satisfação das necessidades humanas concretas em detrimento da valorização abstrata típica do capital, de tal sorte que o valor de uso das mercadorias prevalecerá sobre seu valor de troca.


Nisso pode consistir a mencionada “revolta do valor de uso”







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL DA DOBRA CAPITALISTA

Até a primeira metade do século passado, as revoluções industriais que sacudiram o modo capitalista de produção atingiram primordialmente o processo de produção de capital, deixando quase incólume o processo de circulação de capital.

A hodierna revolução digital, todavia, atinge precisamente tal processo de circulação de capital, com aumentar a velocidade de rotação de capital e diminuir, destarte, os faux frais da circulação, o que pode incrementar a taxa de lucro, cuja tendência é naturalmente declinante. 

Destarte, tal revolução digital pode ser considerada como uma dobra do capitalismo sobre si próprio, na medida em que se cuida de progresso técnico que atinge apenas indiretamente o processo de produção de capital, acelerando-o. 

Mas as dificuldades teóricas começam quando se faz mister discernir o trabalho envolvido em tal revolução digital, ou seja, quando se indaga a propósito de seu jaez produtivo ou improdutivo. 

Nesse diapasão, é de rigor estabelecer distinção entre produção e uso (ou manejo) dos programas de computador ou software, de tal sorte que poderíamos considerar o trabalho envolvido no primeiro caso como produtivo e, no segundo, como improdutivo, sendo certo que, ao lado da produção de software, há também o trabalho produtivo de fabricação de dispositivos digitais, como computadores e telefones celulares.

Entretando, o trabalho produtivo de software e dispositivos digitais queda subsumido nas necessidades e injunções econômicas impostas pelo processo de circulação de capital em sentido mais clássico, de tal sorte que poderíamos aventar a hipótese de que se cuida de trabalho produtivo de segunda categoria ou geração, já que tal processo de circulação de capital exibe-se majoritariamente improdutivo.

São hipóteses sub judice, a lapidar e desinibir. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.