No capítulo inaugural de sua obra magna, O Capital, Karl Marx aduz que o fetichismo intrínseco à mercadoria produz a ilusão consistente no fato de que as relações entre os seres humanos aparecem-lhes como se fossem relações entre coisas.
Mas acontece que o aspecto abstrato da mercadoria, a saber, seu valor de troca acaba por emancipar-se como dinheiro, que proporciona a circulação das mercadorias e a primeira forma histórica da mais-valia, aquela decorrente das diferenças de preços, o que aprofunda o mencionado fetichismo.
A princípio como moeda metálica, vale dizer, como ouro ou prata, o dinheiro, todavia, vai progressivamente perdendo sua materialidade, passando pela forma de papel-moeda e chegando às hodiernas moedas digitais virtuais.
Isso significa que o aludido fetichismo, a princípio consubstanciado em algo bem concreto como a mercadoria, vai paulatinamente perdendo concretude e se desvanecendo em formas cada vez mais abstratas, até perder totalmente seu suporte material no vindouro modo de produção comunista, quando as relações entre os seres humanos perderão a mediação por coisas e serão descortinadas como efetivas relações entre representantes da espécie do homo sapiens.
Logo, quanto mais próximos historicamente estivermos do fim do capitalismo e dos pródromos do comunismo, mais imaterial será o dinheiro.
As hodiernas moedas digitais denotam, portanto, uma efetiva fase histórica dos estertores do modo de produção capitalista.
Hipóteses sub judice.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.