sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

INFLAÇÃO E DEFLAÇÃO, OU MISES E O COMUNISMO (por Luís Fernando Franco Martins Ferreira)

A inflação corrói, diariamente, não apenas o poder aquisitivo do dinheiro, mas também os pressuspostos teóricos da crítica do chamado cálculo econômico, nos moldes preconizados pela assim denominada Escola Austríaca das ciências econômicas, na exata medida em que abala e revoluciona cotidianamente a estabilidade do sistema de preços de mercado em que se lastreia tal Escola, consoante a qual o socialismo seria inexequível, porquanto desprovido de um sistema de preços espontâneo.

Mas a inflação, na verdade, encerra um aspecto conservador e benfazejo ao capitalismo, pois induz o consumo, eis que não parece razoável aguardar o aumento inflacionário do preço de uma mercadoria para adquiri-la, de tal sorte que o descompasso entre oferta e demanda econômicas não é, por assim dizer, imprestável ao capitalismo. 

A deflação já configura uma crise grave desse sistema capitalista, porquanto obsta o consumo, na expectativa de diminuição dos preços, bem assim concretiza uma previsão marxista inserta nos Grundrisse: a tendência inexorável à nulidade dos valores e preços das mercadorias unitárias pelo aumento da força produtiva do trabalho, o que anula também todos os alicerces do modo de capitalista de produção. 

Mas vejam:

Tal nulidade de valor unitário da mercadoria, que a deflação insinua, será um pressuposto da planificação econômica descentralizada no comunismo mundial vindouro, em que o dinheiro e o sistema de preços será substituído por um algoritmo central (alimentado eletronicamente em tempo real por todos os agentes econômicos com seus dados de produção e consumo) cuja tarefa consistirá não apenas em coadunar oferta e demanda, mas também em otimizar o fluxo material e energético mediante a teoria matemática do transporte ótimo de Monge-Kantorovich. 

A crítica de Ludwig von Mises ao chamado cálculo econômico, assim como a crítica de Friedrich von Hayek à complexidade da obtenção de todas as informações econômicas (superada pela revolução digital), portanto, serão inoperantes e carentes de sentido no comunismo mundial vindouro. 

Hipóteses sub judice.

DEFLAÇÃO SOB PRISMA MATEMÁTICO (por Luís Fernando Franco Martins Ferreira e DeepSeek)

 

Deflação: O Fim do Amortecedor

Deflação: a vingança do setor improdutivo

Uma leitura marxista da crise contemporânea, a partir do texto de Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

O capitalismo tardio criou um amortecedor para suas próprias contradições: o setor improdutivo. Finanças, serviços pessoais, burocracia privada e estatal — um exército de trabalhadores que não produzem mais-valia, mas cujo consumo sustenta a demanda que realiza a superprodução. É um mecanismo de compensação: parte da mais-valia é desviada para pagar esses salários, que retroalimentam a circulação de mercadorias.

Porém, esse amortecedor tem um calcanhar de Aquiles. Sua existência depende diretamente da massa de lucros do setor produtivo. Quando a composição orgânica do capital se eleva e a taxa de lucro tende a cair, a base material que sustenta os salários improdutivos se contrai. Menos lucro significa menos fundo para pagar esses trabalhadores.

A matemática simples da crise

Podemos resumir a lógica em três equações:

\( S_i = \alpha L \)   (salários improdutivos são função do lucro)

\( D = L(1 + \alpha) \)   (demanda agregada simplificada)

\( P = D/Q \)   (nível de preços dado pela oferta Q)

Quando \( L \) cai, \( S_i \) cai. A demanda \( D \) desaba. Com a oferta \( Q \) rígida no curto prazo, o preço \( P \) precisa cair para equilibrar a equação. Eis a deflação.

O fenômeno, portanto, não é meramente monetário: é a expressão de uma superprodução que já não encontra compradores, porque a camada social que antes garantia a realização das mercadorias perdeu sua fonte de renda. O mesmo setor que amortecia a crise agora a transmite e aprofunda.


O resultado é uma espiral: preços em queda comprimem ainda mais os lucros realizados, levando a novos cortes no setor improdutivo, mais desemprego, mais queda da demanda. O capital, para se recuperar, precisa destruir parte de si mesmo — capitais obsoletos, fábricas, postos de trabalho. A deflação é o nome desse processo de destruição de valor que antecede, talvez, uma nova expansão.

O que o texto de Luís Fernando nos lembra é que o crescimento do setor improdutivo não foi uma solução permanente. Foi apenas um expediente transitório, financiado por uma massa de lucro que a própria dinâmica do sistema trata de corroer. Quando o amortecedor se rompe, a crise aparece sob a forma mais silenciosa e devastadora: a queda generalizada dos preços.

— baseado em "Deflação", de Luís Fernando Franco Martins Ferreira
e no modelo matemático desenvolvido em diálogo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DEFLAÇÃO, por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

A elevação da composição orgânica do capital, característica estrutural do modo de produção capitalista, produz dois efeitos simultâneos e contraditórios. De um lado, a mecanização crescente expulsa trabalho produtivo do processo imediato de produção, criando um excedente demográfico que é progressivamente absorvido em atividades improdutivas. De outro, essa mesma elevação da composição orgânica deprime a taxa de lucro, reduzindo a base material que sustenta o pagamento desses trabalhadores.


O setor improdutivo, no capitalismo tardio, desempenha função essencialmente absorvente: sua massa salarial constitui a principal fonte de demanda capaz de realizar a superprodução estrutural do capital. Trata-se, portanto, de um mecanismo de compensação interna, mediante o qual o capital utiliza parte da mais-valia para sustentar uma camada social cujo consumo retroalimenta a circulação das mercadorias.

Entretanto, a própria tendência à queda da taxa de lucro mina esse mecanismo. Se a massa de lucro passa a diminuir, o fundo de onde se extraem os salários improdutivos se contrai. Como consequência, a demanda que antes absorvia a superprodução também se reduz. O sistema perde, assim, o amortecedor que neutralizava suas contradições.

Matematicamente, a massa salarial improdutiva é função direta da massa de lucro. Se esta diminui, aquela também diminui. A redução da demanda proveniente do setor improdutivo gera pressão deflacionária, pois o volume de mercadorias disponíveis deixa de encontrar realização monetária suficiente.

O resultado é uma inversão do fenômeno inflacionário típico das fases de expansão. A superprodução, antes mascarada pela expansão do setor improdutivo, manifesta-se sob a forma de deflação, desemprego e destruição de capital. O próprio mecanismo que retardava a crise torna-se, assim, seu vetor de desencadeamento.

Desse modo, o crescimento do setor improdutivo, longe de representar solução duradoura para a superprodução, constitui apenas um expediente transitório, sustentado por uma massa de lucro cuja tendência histórica é a redução. Quando essa base material se esgota, a superprodução reaparece sob forma deflacionária, revelando o limite interno do modo de produção capitalista.

INFLAÇÃO E SUPERPRODUÇÃO, por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

Conferindo prossecução ao texto imediatamente precedente publicado neste portal eletrônico, faz-se mister obtemperar que a convivência entre inflação e superprodução, no capitalismo, configura sua contradição extrema, eis que a superprodução produz inflação quando o inverso, deflação, é que seria o esperado.

Na verdade, o aumento da composição orgânica do capital, socialmente considerada, produz um excedente demográfico em parte canalizado para o trabalho improdutivo no comércio, finanças, Estado e serviços, engendrando uma demanda econômica que, proporcionalmente, pode adquirir dimensão maior do que a da superprodução ínsita à acumulação capitalista, provocando o fenômeno inflacionário.

Logo, o mesmo fenômeno que engendra superprodução, no âmbito da acumulação do capital produtivo, engendra também uma superpopulação improdutiva que, rebebendo salários por trabalho improdutivo, provoca demanda econômica que pode ter maior magnitude do que a da superprodução, gerando inflação.    

Hipóteses sub judice. 

CONJECTURAS SOBRE INFLAÇÃO, por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

A inexorável tendência à anulação dos valores unitários das mercadorias pelo aumento da força produtiva do trabalho, no modo de produção capitalista, encerra como óbice intransponível o fenômeno da inflação, de tal sorte que, neste modo de produção, o problema econômico não pode ser superado pelo problema meramente físico de fluxo material e energético, que poderia ser resolvido, nos moldes que vêm sendo aqui ventilados, por um modelo de planificação descentralizada lastreada provavelmente na teoria matemática do transporte ótimo, com resultante minimização dos desperdícios derivados da dissipação entrópica. 

Mas a inflação parece decorrer do descompasso entre oferta e demanda resultante do trabalho improdutivo ínsito aos setores comercial, financeiro, estatal e de serviços da economia, que geram demanda sem contrapartida em produtos efetivos e reais para o consumo.

Destarte, os efeitos da superprodução capitalista nos moldes aventados por Rosa Luxemburgo, que deveriam encerrar efeito compressor e redutor dos preços, são anulados e superados pelo fenômeno inflacionário. 

No contexto comunista de propriedade coletiva estatal mundial dos meios de produção, tal trabalho dito improdutivo será canalizado para os serviços de informação sobre produção e consumo, pelos agentes econômicos envolvidos, a serem prestadas ao algoritmo central que coadunará oferta e demanda.  

Hipóteses e conjecturas sub judice.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A TRANSIÇÃO DO PROBLEMA ECONÔMICO AO PROBLEMA FÍSICO, OU A PLANIFICAÇÃO ECONÔMICA DESCENTRALIZADA LASTREADA NA TEORIA MATEMÁTICA DO TRANSPORTE ÓTIMO, por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

Supondo um contexto social em que a propriedade coletiva estatal mundial dos meios de produção seja dada, o problema da planificação econômica descentralizada, consoante já preconizado neste portal eletrônico, deixará um jaez econômico e social para exibir uma natureza estritamente física, eis que, resolvido o problema da circulação de capital pela tendência dos valores das mercadorias em geral à nulidade, e com ele as crises de superprodução descobertas por Rosa Luxemburgo, quedará atuante o problema físico de fluxo material e energético com o mínimo de dissipação e desperdício, com resultar oportuna e conveniente a teoria de Nicholas Georgescu-Roegen veiculada em sua obra intitulada "A lei da entropia e o processo econômico".

Ademais, parece defensável que tal planificação econômica descentralizada, em que um algoritmo central de coadunação entre oferta e demanda econômicas é alimentado em tempo real por informações eletrônicas online de produção e consumo por todos os agentes econômicos envolvidos, seja lastreada matematicamente na moderna teoria do transporte ótimo, inaugurada por Monge-Ampère e atualmente desenvolvida por nomes como Cédric Villani e Alessio Figalli. 

Hipóteses sub judice.

AINDA SOBRE ENTROPIA E SUPERPRODUÇÃO, por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

 Entropia e Superprodução: um paralelo entre Georgescu-Roegen e Rosa Luxemburgo

A comparação entre a obra de Nicholas Georgescu-Roegen, 'A lei da entropia e o processo econômico', e o livro 'A acumulação de capital', de Rosa Luxemburgo, permite estabelecer um paralelo teórico entre duas formas distintas de limite interno do processo econômico: o limite físico, expresso pela segunda lei da termodinâmica, e o limite social, expresso pela superprodução capitalista.

Embora partam de tradições teóricas diferentes, ambos os autores identificam uma contradição estrutural no movimento expansivo da economia. Georgescu-Roegen demonstra que todo processo econômico implica transformação irreversível de recursos de baixa entropia em resíduos de alta entropia. Já Rosa Luxemburgo argumenta que o capitalismo, ao ampliar continuamente a produção, gera um excedente que não pode ser plenamente realizado no interior das relações capitalistas.

Em 'A lei da entropia e o processo econômico', Georgescu-Roegen critica a visão tradicional da economia como um sistema circular. Segundo ele, o processo econômico é um fluxo entrópico: a produção consome energia e matéria organizadas e as transforma em resíduos degradados. Essa transformação é irreversível, pois a energia degradada não pode ser totalmente reconvertida em energia útil. Assim, o crescimento econômico ilimitado é fisicamente impossível.

A economia, nessa perspectiva, não é um sistema autônomo, mas um subsistema da biosfera. Ela depende continuamente de fluxos de energia solar e de estoques finitos de recursos naturais. A expansão econômica implica necessariamente maior dissipação entrópica, o que conduz, em última instância, a limites materiais insuperáveis.

Rosa Luxemburgo, por sua vez, analisa o capitalismo a partir da teoria marxista da reprodução ampliada. Em 'A acumulação de capital', ela investiga o problema da realização da mais-valia. Como os trabalhadores recebem salários inferiores ao valor total produzido, não podem comprar toda a produção. Surge então o problema estrutural da superprodução: quem realizará o excedente?

A resposta de Luxemburgo é que o capitalismo depende de mercados não capitalistas para absorver esse excedente. Daí a importância histórica do imperialismo, da colonização e da expansão geográfica. Quando esses espaços externos se esgotam, a acumulação encontra seu limite histórico, pois o capital não consegue realizar a mais-valia produzida.

A analogia entre os dois autores torna-se evidente quando observamos a estrutura lógica de suas análises. Em ambos os casos, o sistema econômico gera um excedente que não pode ser plenamente reintegrado ao próprio sistema. Em Georgescu-Roegen, esse excedente assume a forma de energia degradada e resíduos materiais. Em Luxemburgo, assume a forma de mercadorias e capital que não encontram realização.

No plano físico, a segunda lei da termodinâmica estabelece que toda transformação energética implica aumento de entropia. No plano social, a acumulação capitalista implica aumento contínuo de capital excedente. Em ambos os casos, o movimento expansivo do sistema gera um produto residual que se torna um obstáculo ao próprio funcionamento do sistema.

Pode-se, assim, formular a hipótese de que a superprodução capitalista constitui a forma social da entropia econômica. Enquanto a entropia expressa a dissipação material inevitável, a superprodução expressa a dissipação social do capital sob a forma de crises, estoques invendáveis, capacidade ociosa e destruição periódica de forças produtivas.

Apesar dessa analogia estrutural, há diferenças fundamentais entre os dois autores. O limite identificado por Georgescu-Roegen é físico e universal, válido para qualquer sistema econômico. Já o limite apontado por Rosa Luxemburgo é histórico e social, específico do modo de produção capitalista. A superprodução não é uma necessidade natural, mas uma contradição histórica determinada pelas relações de produção.

Além disso, Georgescu-Roegen não desenvolve uma teoria socialista sistemática. Sua conclusão aponta para uma economia de baixo crescimento ou estado estacionário. Luxemburgo, ao contrário, vê no esgotamento da acumulação capitalista a base objetiva para a transição ao socialismo.

Uma síntese entre as duas perspectivas sugere que o capitalismo enfrenta simultaneamente um limite social e um limite físico. A acumulação ilimitada é socialmente contraditória, pois gera superprodução, e fisicamente impossível, pois aumenta a entropia e esgota recursos naturais.

Desse ponto de vista, o socialismo poderia resolver a contradição social da superprodução, mas continuaria submetido aos limites entrópicos da natureza. A planificação econômica, portanto, teria de considerar não apenas a distribuição racional do trabalho social, mas também a minimização da dissipação material e energética.

A comparação entre Georgescu-Roegen e Rosa Luxemburgo revela, assim, duas faces de uma mesma problemática: a impossibilidade de um crescimento indefinido num mundo finito. A segunda lei da termodinâmica e a lei da acumulação capitalista apontam, cada uma em seu plano, para a necessidade de superar o modelo econômico baseado na expansão ilimitada.