terça-feira, 16 de dezembro de 2025

MEA MAXIMA CULPA

 Há muito tempo, encetei relacionamento amoroso que estava inexoravelmente condenado ao fracasso: uma namorada que era fisicamente idêntica à minha mãe.


O problema é que o complexo edipiano, no meu caso concreto, é de uma delicadeza extrema, desde a morte precoce de meu pai aos 47 anos de idade.


Preferi remanescer com a mãe verdadeira a manter o relacionamento com a, digamos, mãe falsa, e difundi, destarte, sofrimento para todos os lados.


Mea culpa, mea maxima culpa.


A vida é dura.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

AMOR E CAPITAL

 Karl Marx asseverava que o jaez social e gregário do homo sapiens já está pressuposto na relação entre mulher e homem, mediante a qual a sociedade reproduz-se biologicamente, e esse aspecto da reprodução social da vida material humana é aquele que nos une efetivamente.


Mas, afora a reprodução sexuada, o homo sapiens precisa trabalhar para sobreviver, e esse aspecto nos separa em classes sociais antagônicas, mediante contração de relações de produção alienadas e heterônomas que nos governam à nossa revelia e que atingem o paroxismo no capital.


Nossa tarefa, pois, é superar o capital para soerguer a verdadeira humanidade ancorada numa sociedade sem divisão de classes sociais, em que o trabalho heterônomo será extinto e prevalecerá a relação fraterna entre os indivíduos da nossa espécie biológica.


Tal revolução exibe-se, portanto, um ato de amor ao homo sapiens, que poderá então unir-se na reprodução biológica, de caráter gregário, de forma mais livre e edificante.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 14 de dezembro de 2025

DETERMINISMO EM O CAPITAL

 Deparei-me com indagações a propósito do jaez determinista da lei do declínio tendencial da taxa de lucro e, diante disso, debrucei-me sobre tal aspecto da obra magna de Karl Marx, máxime quanto à sua formalização matemática, e logrei um resultado provisório, a saber:


A lei tendencial da queda da taxa de lucro descreve um sistema dinâmico não linear,

estruturalmente determinista,

cujo comportamento empírico se manifesta de forma estatisticamente irregular,

admitindo formalização estocástica apenas no plano fenomênico, nunca no ontológico.


Isso se prende ao fato de que, malgrado seu caráter essencialmente determinista, apesar das contratendências assinaladas na dita lei, a pesquisa empírica e fenomênica sobre a evolução histórica da taxa de lucro exibe um caráter mais aleatório.


Cuida-se, evidentemente, de tema bastante complexo e controverso, merecedor de mais estudos.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

NOTA URGENTE!

 “Membros deste Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores foram recentemente vitimas de ataques de jaez evidentemente fascista através de meios insidiosos!


O fascismo e seus métodos supostamente intimidadores, todavia, não exibirão o condão de silenciar os veículos de informação e formação política mantidos por este núcleo partidário, seja o vertente portal eletrônico, seja a revista marxista Mouro!


Fascistas não passarão!”

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

MARX E EINSTEIN DIANTE DO DETERMINISMO E DA PROBABILÍSTICA

É cediço o jaez infrutífero das investigações de Albert Einstein no tocante à teoria de campo unificado, em que colimava harmonizar matematicamente a teoria geral da relatividade e o eletromagnetismo, frustração esta resultante em grande medida da desconsideração da mecânica quântica e seu caráter probabilístico e não determinista. 

Mas Karl Marx também experimentou um dilema similar quando arrostou o contraste entre a natureza determinista de O Capital e o caráter probabilístico das lutas de classes no Manifesto Comunista. 

Quer me parecer que, em ambos os casos, quanto mais empírico e próximo da experiência e dimensão humanas, mais probabilístico é o conhecimento, ao passo que, quanto mais teórico, conceitual e distante da experiência e dimensão humanas, mais determinista se exibe tal conhecimento.

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ENGENHEIROS E ADVOGADOS

Em recente entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo, aos 30/11/2025, o pesquisador da prestigiada universidade Stanford, Dan Wang, estabelece um cotejo entre as sociedades chinesa e estadunidense, destacando o predomínio de engenheiros na primeira e advogados na segunda. 

Com todo o devido respeito, tal exame antolha-se-me de uma ingenuidade gritante, de tal sorte que ousarei aqui bosquejar certa tentativa de cotejo mais consentânea com uma análise de jaez marxista. 

Nesse diapasão, creio que os Estados Unidos encerram uma cena econômica hodierna com características de predomínio do processo de circulação de capital, enquanto a China ostenta uma economia fundada no processo de produção de capital com elementos de planejamento estatal mais evidentes. 

Sem embargo, a revolução digital estadunidense revelou-se um grande movimento infenso ao declínio da taxa de lucro do capital industrial manufatureiro, que de certa forma resolveu tal tendência declinante dos ganhos mediante aceleração do processo de circulação de capital por intermédio da informática, reduzindo os faux frais de produção e incrementando, destarte, a taxa de lucro: no entanto, quer me parecer que tal movimento acabou por desindustrializar o país, com o capital migrando de forma massiva para o setor de circulação de capital em detrimento do setor de produção, o que explica, em certa medida, a política de reindustrialização entabulada, de forma um tanto açodada, atualmente por Donald Trump.

Não me deterei na história econômica chinesa, de uma complexidade mais desafiadora, mas parece evidente que sua economia de caráter fortemente industrial e manufatureiro autoriza a asserção de que nela, ao contrário dos Estados Unidos, o processo de produção de capital ainda não foi ofuscado pelo processo de circulação respectivo. 

São singelas hipóteses sub judice.





Por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador e advogado.  

domingo, 30 de novembro de 2025

TEMAS PARA UM ESTUDO SOBRE A FORÇA DE TRABALHO ENQUANTO MERCADORIA

1. No primeiro livro de sua monumental obra-prima de crítica da economia política intitulada O Capital, Karl Marx identifica com precisão a força de trabalho como mercadoria especial do modo capitalista de produção, malgrado deixe de investigar mais detidamente o processo de produção dessa força de trabalho, enquanto mercadoria, de forma SOCIALIZADA pelo Estado capitalista, seja através do exercício do monopólio jurídico da violência, seja através da prestação de serviços como saúde e educação. 

2. Já no segundo livro de tal obra magna, Marx simplesmente deixa de investigar o processo de circulação da força de trabalho enquanto mercadoria, o que foi ulteriormente efetuado por Keynes e Kalecki, os quais, todavia, não investigaram com o devido afinco o aludido processo de produção de tal força de trabalho, de forma socializada, pelo Estado capitalista, nos moldes acima mencionados.

3. Urge, pois, investigar o PROCESSO DE PRODUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO, tarefa que se impõe à crítica marxista da economia política, algo que já se exibia previsto no projeto originário de Karl Marx inscrito nos Grundrisse, particularmente no que pertine ao livro que seria dedicado ao trabalho assalariado.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.