sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

LÓGICA E INTUIÇÃO DIANTE DO RACIONALISMO E DO EMPIRISMO: UM SINGELO BOSQUEJO EPISTEMOLÓGICO.

A lógica e a intuição moldaram, no curso da história, o cérebro e o modo de pensar do homo sapiens, dotando-lhe de razão, tanto que a teoria da relatividade, verbi gratia, foi deduzida por Albert Einstein a partir de raciocínios independentes de experimentos empíricos exteriores ao pensamento. 

Pode-se aventar, portanto, que até o início da década de 1920, mais ou menos, o racionalismo predominou no âmbito da epistemologia e da ciência.

Mas o advento da mecânica quântica, há cem anos, trouxe um elemento desconcertante nesse panorama.

Sem embargo, se, no mundo macroscópico, a lógica e a intuição, portanto a razão funciona relativamente bem, o universo subatômico, fora do alcance dos sentidos do homo sapiens, parece ilógico e contraintuitivo, ou seja, irracional, de tal sorte que o racionalismo e a razão perderam seu predomínio em favor da necessidade de experimentação empírica externa ao pensamento, isto é, o empirismo voltou ao proscênio com toda a sua força em busca de evidências que escapam aos sentidos de que o homo sapiens é dotado. 

Logo, pode ser que o cérebro e o pensamento do homo sapiens demorem muito até que o mundo microscópico subatômico torne-se, como acontece atualmente com o universo macroscópico, lógica e intuitivamente apreensível pela razão, mas, como a realidade é, na verdade, uma só, talvez a assim denominada "teoria de tudo" não esteja assim tão distante do nosso alcance. 

Hipóteses sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.

DA MERCADORIA AO CAPITAL, OU TENTATIVA DE APREENSÃO DA LÓGICA SUBJACENTE AO LIVRO PRIMEIRO DE "O CAPITAL" DE KARL MARX.

De proêmio, a mercadoria encerra valor de uso (tese), mas, precisamente por isso, também encerra valor de troca (antítese), que é determinado pelo tempo de trabalho humano socialmente necessário à produção dessa mercadoria. 

Tal contradição entre valor de uso (tese) e valor de troca (antítese) produz uma síntese no dinheiro, que é o valor de troca autonomizado e concretizado como moeda em metal precioso, ou em ouro, para simplificar.

Mas o dinheiro também encerra a contradição entre seu valor de troca (tese, ou tempo de trabalho humano necessário à produção do ouro) e seu valor de uso (antítese, ou a capacidade de servir como equivalente geral na circulação de mercadorias).

A síntese da contradição ínsita ao dinheiro consiste precisamente no capital, que seria a generalização do equivalente geral, agora capaz de convolar o próprio trabalho humano, isto é, a própria fonte do valor, em mercadoria, a saber, a mercadoria consubstanciada na força de trabalho.

Hipóteses sub judice, a desenvolver e refinar. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O CAPITAL NO DIVÃ

Várias produções cinematográficas colimam humanizar o universo do crime organizado, tais como "O poderoso chefão", "Goodfellas", "Máfia no divã" e a estupenda série "Família Soprano", tentando encontrar o que há de humano na psicopatia, mas quem recruta psicopatas para trabalhar a seu favor é, sem dúvida, o capital, cuja promiscuidade com esse universo criminoso, no Brasil pelo menos, tem restado cada vez mais escancarada.

Mas a produção e reprodução da vida material humana encerra duas vertentes, a saber, o trabalho e a reprodução sexuada, sendo certo que, se esta última nos une como espécie biológica do homo sapiens, aquela nos divide em classes sociais antagônicas, bem assim nos aliena em relações de produção heterônomas, que nos governam à nossa revelia e culminam historicamente no capital.

A contradição básica entre estas duas vertentes acima deslindadas, que também divide a vida individual em duas partes antagônicas, é responsável pela maioria das psicopatologias: uma vida dividida entre o amor em família e, no limite, o ódio entre criminosos. 

A personagem "Tony Soprano", da série homônima, talvez seja o paroxismo dessa divisão do indivíduo hodierno em metades inconciliáveis.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

PARA ALÉM DE DETERMINISMO E ALEATORIEDADE, OU CONJECTURAS SOBRE LÓGICA DIALÉTICA.

Determinismo e aleatoriedade são duas facetas do mesmo modo de pensar da lógica formal e apofântica, que observa o princípio da não contradição. 

Destarte, o determinismo segue o princípio da identidade (ser), enquanto a aleatoriedade obedece ao princípio da probabilidade (poder ser), mas ambos deixam de abroquelar a negação e a contradição (não ser). 

Já a lógica dialética procura apreender o devir e o movimento (vir a ser), operando através de contradições sucessivas e, portanto, abroquelando a afirmação (ser), a negação (não ser) e a negação da negação (vir a ser), ou seja, o movimento de sínteses através de teses e antíteses. 

Logo, a oposição, verbi gratia, na mecânica quântica entre Albert Einstein e Niels Bohr, quanto ao determinismo e à aleatoriedade na física subatômica, somente pode ser superada mediante a lógica dialética, algo que ainda não foi resolvido. 

Hipóteses sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

TEMAS SOBRE GREVE GERAL MUNDIAL E GEOPOLÍTICA.

O mais importante político e estadista no mundo hoje atende pelo nome de LULA, o sindicalista brasileiro que derrotou a ditadura militar no Brasil e vem mitigando com galhardia o hodierno fascismo bolsonarista neste país.

Diante do fiasco da estratégia eminentemente militar da guerrilha urbana e rural contra a ditadura implantada no Brasil em 1964, Lula adotou a greve econômica como meio por excelência de luta política, logrando êxito retumbante ao paralisar o aparato industrial que servia de sustentáculo ao regime autoritário brasileiro. 

No âmbito geopolítico hodierno, os BRICS desempenham função industrial predominante no mundo, enquanto os Estados Unidos garantem seu poderio com espeque no capital fictício das finanças e na economia digital que atua mais na orbe do processo de circulação do que propriamente no processo de produção de capital, isto é, os yankees repousam sobre os pés de barro do capitalismo financeiro e digital, que não se sustenta sem a produção industrial e material em geral dos BRICS, o que explica, em grande medida, a animosidade atual de Donald Trump contra tal associação internacional. 

Uma greve geral mundial conduzida por Lula, apta a paralisar o complexo industrial dos BRICS, reduziria a pó o capitalismo mundial e abriria uma vereda sem volta ao comunismo em todo o planeta. 

Hipóteses sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

AINDA SOBRE O LABORATÓRIO, OU PARTIDO E ACADEMIA.

Muito provavelmente, Gyorgy Lukacs tenha sido o pensador marxista que melhor compreendeu a questão da consciência de classe, mas esta instância do real não vale nada sem o concurso da praxis política revolucionária, isto é, a prática política informada pela ciência do socialismo, ou seja, pelo socialismo científico.

Mas ciência e política estão habitualmente separadas em academia e partido político, de tal sorte que o ideal seria juntar as duas em um partido acadêmico ou numa academia partidária. 

No texto intitulado "O legado londrino", aqui publicado, defendi a tese de que o partido político é um proto-estado na iminência de se convolar no próprio Estado, de tal sorte que o partido político socialista e revolucionário deve mimetizar e reproduzir internamente as instituições políticas de uma futura sociedade socialista, tais como as formas democráticas do vindouro socialismo. 

Mas isso também vale para a ciência do socialismo, ou socialismo científico, de tal sorte que tal partido político socialista e revolucionário deveria contar internamente também com uma universidade apta a fazer progredir o socialismo científico, que orientaria sua prática política realmente revolucionária. 

Que tal transformar este NÚCLEO DE ESTUDOS DO CAPITAL na universidade dentro do Partido dos Trabalhadores?





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

PRODUTIVIDADE E CRIATIVIDADE: TENTATIVA OU ESBOÇO DE UMA BREVE HISTÓRIA DO VALOR ECONÔMICO ATRAVÉS DE CONJECTURAS

1. Partimos do pressuposto de que o valor econômico de dada mercadoria é definido em duas etapas, a saber: primeiramente no processo de produção, onde se atribui o valor propriamente dito, segundo a teoria marxista do valor-trabalho, atrelada ao valor de troca; posteriormente, no processo de circulação, em que se confere o preço da mercadoria, consoante a teoria marginalista, vinculada ao valor de uso.  

2. Se na primeira revolução industrial, do século XVIII, a teoria marxista ainda é predominante na definição do valor, a partir da revolução digital, do século XX, a teoria marginalista passa a predominar sobre a marxista, porquanto o trabalho passa a ser mais intelectual do que propriamente manual, de tal sorte que a força produtiva do trabalho, a saber, a produtividade, que diminui o valor de troca, vai paulatinamente perdendo importância para a criatividade (resultante de trabalho eminentemente intelectual), que engendra novos valores de uso, isto é, novas necessidades humanas. 

3. Sem embargo, vimos que o problema da superprodução é de certa forma resolvido pela demanda engendrada por trabalho improdutivo sustentado com parcela do lucro, mas tal sustentáculo tende a diminuir pela lei da queda tendencial da taxa de lucro, de tal sorte que o capital necessita de mercadorias de novos valores de uso e altíssima utilidade marginal com altos preços, como solução para a superprodução de mercadorias de velhos valores de uso.

4. Destarte, a criação de novos valores de uso pelo trabalho eminentemente intelectual e criativo passa a ser gradativamente mais importante do que a produtividade do trabalho eminentemente manual (que diminui o valor de troca das mercadorias), enfim, o valor de uso passa a ser mais importante do que o valor de troca, e o marginalismo mais importante do que o marxismo na definição do valor final das mercadorias, sendo interessante observar que tal evolução histórica do valor econômico segue, grosso modo, a evolução histórica da energia mecânica (máquinas a vapor) para a energia elétrica (máquinas elétricas) e, desta, para as máquinas eletrônicas. 

5. Hipóteses sub judice, a desenvolver e refinar. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.