sábado, 8 de agosto de 2026

O COMUNISMO NUNCA EXISTIU

Dessume-se de obras como A ideologia alemã e o Manifesto Comunista que o comunismo somente será alcançado em escala mundial, planetária, quando todas as formas de propriedade privada dos meios de produção forem definitivamente erradicadas, isto é, quando todo o nosso planeta for propriedade de uma Humanidade unificada e despojada de divisões de classes sociais e Estados nacionais.


Nesse diapasão, os impropriamente designados comunismo primitivo e comunismo soviético configuraram tão somente, na verdade, “propriedades privadas coletivas” de determinados povos frente a outras formas de propriedade privada dos meios de produção, de outros povos ou nações, mas jamais constituíram o efetivo modo comunista de produção, nos termos acima deslindados.










Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

SOBRE O AFORISMO PRECEDENTE

Recebi críticas acerbas sobre o texto imediatamente antecedente aqui publicado, sendo certo que o camarada CARLOS OTÁVIO SANTIAGO aduziu que se trata de uma visão cruel, desnecessária, sem esperança, enfim, pesada e amarga. 

Ele tem toda a razão, decerto, mas tentarei reparar o estrago. 

Karl Marx preconizava, já na juventude, que o ser humano é um animal social, a partir mesmo do simples fato de que não se reproduz sozinho, mas de forma sexuada. 

Por outro lado, a divisão do trabalho, tanto social quanto na fábrica, intensifica tal jaez social do ser humano, cujos laços de cooperação e coletividade são objetivamente dados. 

Todavia, o desenvolvimento histórico engendra a propriedade privada dos meios de produção e a família nuclear, favorecendo a ilusão do indivíduo abstrato e isolado, isto é, as "robinsonadas" em evidente contradição diante do caráter social do ser humano acima mencionado. 

Portanto, tal contradição somente será resolvida, ao que parece, com a erradicação da propriedade privada dos meios de produção e da família  nuclear, no vindouro modo comunista de produção em escala mundial, quanto toda a Humanidade funcionará como uma grande e única família. 

É nossa esperança. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

AFASIA

Persona, de Ingmar Bergman, e Paris Texas, de Wim Wenders, são duas películas cinematográficas que tratam de alguma forma, entre outras camadas semânticas, da incomunicabilidade, da dificuldade extrema de romper a mônada e comunicar-se com outrem.


Tal mônada consiste em verdade na tradução filosófica do indivíduo abstrato, fruto ou causa da propriedade privada dos meios de produção e da correspondente família nuclear, isto é, dos universos, respectivamente, do trabalho e da reprodução sexuada, pelos quais se efetiva a produção e reprodução da vida material humana, universos distintos mas não estanques.


Ora, tanto Elisabet, em Persona, quanto Travis, em Paris Texas, perdem a capacidade de comunicação e vivem um vazio de sentido, um deserto semântico apesar de constituirem família e se reproduzirem sexualmente, engendrando prole, o que não garante em absoluto um significado para suas existências individuais, ao contrário, causa afasia.


Quero crer que, superada a propriedade privada dos meios de produção e a correspondente família nuclear, a existência individual adquira pleno significado, porquanto cada um contribuirá e cooperará com todos os demais na continuação da espécie humana, de forma efetivamente coletiva e plena de sentido.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MICROCONTO DO AMOR DIFUSO ESCRITO COM SANGUE

Maria Madalena da Silva mantinha com galhardia e airosamente a mais famosa e bem frequentada casa de lenocínio daquele vilarejo incrustado no meio do mais árido e recôndito sertão nordestino, mas quando, aos quarenta anos de idade, concebeu e deu à luz aquela criança, batizada com o epíteto de Nilton, realmente não conseguia recordar-se de que homem a engendrara, malgrado suspeitasse de um cidadão britânico que compareceu a negócio naquelas plagas olvidadas por Deus, mercê dos cabelos lisos e dos olhos azulados que Nilton desinibiu ulteriormente, mas o fato é que aquele menino não desfrutou da companhia de um pai ou de irmãos, mas, em compensação, recebeu de sua genitora um afeto incondicional e quiçá desmedido que, por ocasião da morte precoce de Madalena aos quarenta e sete anos, de causas mal explanadas até hoje, foi intensificado por seus avós, pais de sua mãe, que o acolheram na capital após tal óbito enigmático, os quais passaram a dedicar tempo integral aos cuidados de Nilton, com aquele amor que somente os avós em luto pela filha sabem nutrir pelo correspondente neto, ou seja, o menino sertanejo foi efetivamente cercado de todo o carinho plausível neste mundo incompreensível, e isto tem consequências, para o bem e para o mal, tanto que Nilton acabou por desenvolver certa sensibilidade afetiva também desmesurada, que o fez elaborar copiosos poemas de intensa inspiração religiosa já aos dez anos de idade, mas tal veia poética quedou silente na juventude do garoto, que a substituiu pelo talento matemático tão desenvolvido quanto a verve literária, pois foi estudar física quântica na universidade, onde mergulhou nos estudos com paixão adolescente e desenfreada, conquanto jamais tenha contraído conjunção carnal em toda a sua breve existência, movido que era por sentimentos de jaez, talvez, mais nobre do que a mera reprodução sexual individual, e de fato Nilton exibiu todo o seu imenso amor pela vida em sentido lato ao desenvolver o pioneiro modelo integralmente estável de computador quântico, que beneficiou toda a humanidade, mas faleceu muito cedo, aos quarenta e sete anos, como Madalena, deixando legado perene.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

PLANIFICAÇÃO DEMOGRÁFICA

Naturalmente, a questão por excelência que se manifesta quanto ao problema da planificação econômica socialista consiste em superar a contradição entre relações de produção e forças produtivas, uma contradição que parece encerrar jaez de principal, em termos maoístas.

Todavia, como já reiteramos aqui, a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em universo do trabalho e universo da reprodução sexuada, os quais também são dissociados e contraditórios entre si enquanto remanescer a propriedade privada dos meios de produção econômica e de reprodução sexuada, respectivamente no capital e na família nuclear. 

Logo, coadunar estes dois universos acima mencionados, numa planificação demográfica ajustada à planificação econômica, com a erradicação total da propriedade privada nestes dois universos, também constitui tarefa do vindouro modo comunista de produção em escala mundial.  

Hipóteses sub judice e embrionárias a refinar e desinibir. 







por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

O ENIGMA CHINÊS

Karl Marx já postulava a ocorrência, como motor da história, da contradição e descompasso entre relações de produção e forças produtivas, no que se mostrou, mais uma vez, certeiro e preciso.    

Sem embargo, o colapso soviético exibe muito bem tal situação: uma nação em que as relações de produção, ou de propriedade, progressistas e avançadas colidiram frontalmente com as precárias forças produtivas, eis que a União Soviética não logrou atingir um nível mínimo de revolução digital ou informática necessário ao bom desempenho da planificação econômica de jaez socialista. 

A China hodierna, de outro bordo, exibe a relação inversa, isto é, uma nação que apresenta forças produtivas de alto nível, tendo alcançado a revolução digital e agora emula pela liderança da tecnologia dos algoritmos de inteligência artificial, mas ao mesmo tempo preserva relações de produção tipicamente capitalistas. 

Não se sabe exatamente qual a postura do Partido Comunista Chinês diante de tal condição histórica: estaria aguardando um novo salto das forças produtivas, talvez o pleno desenvolvimento da computação quântica, para implementar relações de produção realmente avançadas e socialistas, ou teria definitivamente capitulado perante o poder do dinheiro e do capital?

Mistério!





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

AUTOCRÍTICA

Com muita frequência, o vertente sítio eletrônico, ou blog, recebe críticas acadêmicas em razão da ausência de acabamento empírico e formal, bem como de referências bibliográficas. 

Há certa dose de razão nisso, mas nota bene.

Cuida-se aqui de uma plataforma deprovida de qualquer pretensão ou veleidade acadêmica, eis que é produzida no âmago e para um partido político, cujos critérios de validade e veracidade destoam daqueles da Academia, com seus rituais formais, empíricos e bibliográficos. 

Nesse diapasão, é de rigor aduzir que o critério de validade das hipóteses aqui ventiladas é a PRÁTICA POLÍTICA, nos exatos termos das Teses contra Feuerbach, que não se confunde integralmente com o universo da empiria.

Demais disso, faz-se mister também aventar que a Academia oficial, cuja chancela parece dispensável para este veículo eletrônico, cumpre seu papel institucional de produzir força de trabalho para o capital, nos termos que aqui temos teoricamente suscitado, enquanto este blog peleja precisamente pela erradicação da oposição entre capital e força de trabalho.  

Todavia, este núcleo partidário ostenta, também, sua versão mais acadêmica com a revista marxista Mouro.

Enfim, as críticas acadêmicas serão sempre muito bem aceitas, mas cum grano salis, nos termos acima aludidos, ou seja, serão acatadas se colimarem, de alguma forma, a transformação social de jaez socialista. 




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.