sexta-feira, 28 de agosto de 2026

OGAS

O conceito de planificação econômica descentralizada instruída por tecnologia digital, como temos aqui preconizado, não é, em absoluto, uma novidade, mas tem como precursores históricos os projetos OGAS na União Soviética, na década de 1960, e o projeto CYBERSYN no Chile, na década de 1970, durante o governo de Salvador Allende. 

O primeiro, liderado pelo cientista da computação soviético VIKTOR GLUSHKOV, propunha uma rede hierárquica de três níveis de terminais localizados em regiões economicamente significantes que poderiam transmitir dados entre si em tempo real, utilizando a infraestrutura telefônica preexistente na União Soviética, de maneira a proporcionar um modelo de economia em que o papel-moeda seria substituído por pagamentos de forma eletrônica. 

Tanto o CYBERSYN quanto o OGAS parecem ter provocado imenso temor e receio por parte do Departamento de Estado norte-americano, e a CIA pode ter tido participação ativa no fracasso e posterior ostracismo de tais projetos de economia cibernética.

Hodiernamente, o PIX brasileiro já desperta grande atenção e animosidade dos imperialistas yankees, o que demonstra o quanto pode ser perigoso para o capital como modo de produção específico. 

Tanto o CYBERSYN quanto o OGAS estão a merecer investigações profundas por parte da historiografia econômica. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

CIÊNCIA E TRABALHO

A forma básica de divisão social do trabalho opõe o capital (detentor do trabalho eminentemente intelectual e, em decorrência, da produção científica) e o trabalho em sentido lato (vale dizer, aqui, como trabalho eminentemente manual), divisão esta que se reproduziu, verbi gratia, na experiência soviética, em que uma classe trabalhadora fabril típica arrostava uma classe burocrática de servidores públicos intelectuais engajados na imensa tarefa de planificação econômica. 

De outro bordo, aventamos aqui que a função precípua do Estado capitalista consiste na produção da mercadoria denominada força de trabalho, sendo certo que a hodierna revolução digital engendrou uma força de trabalho eminentemente intelectual engajada na produção de programas de computador (software), subvertendo, destarte, a mencionada divisão social do trabalho básica entre capital e trabalho, pois agora a classe trabalhadora também encerra sua parcela eminentemente intelectual nos produtores de tecnologia da informação. 

Ora, se considerarmos uma vindoura planificação econômica descentralizada e instruída por tecnologia digital (consoante temos preconizado também aqui), em substituição à mencionada burocracia sovética, podemos supor que a hodierna parcela intelectual da classe trabalhadora encontra-se apta a gerir e administrar tal tarefa de planificação econômica em ambiente de relações de produção tipicamente socialistas. 

A unificação política entre as parcelas manual e intelectual da classe trabalhadora exibe-se, portanto, como tarefa inadiável, conquanto difícil. 

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.   

domingo, 23 de agosto de 2026

CALIFÓRNIA, OU A REVOLUÇÃO DIGITAL ENTRE HOLLYWOOD E O VALE DO SILÍCIO.

Parece haver conexões profundas entre a indústria cinematográfica e a revolução digital, e não por acaso a Califórnia tem sido, há décadas, o proscênio por excelência de ambos os fenômenos.   

Sem embargo, o cinema, ou o âmbito audiovisual, encerra a faculdade de convolar em mercadorias virtuais uma grande gama de artes e mercadorias físicas, cabendo ventilar que entre Hollywood e o Vale do Silício situa-se o itinerário da transposição das telas dos teatros cinematográficos para as telas das televisões, inicialmente, e depois para as telas de computadores e celulares.

Nesse percurso, o mundo físico das artes e das mercadorias palpáveis perde sua "aura" (na acepção preconizada por Walter Benjamin) para o mundo virtual da hodierna revolução digital.






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

sábado, 22 de agosto de 2026

CONJECTURA SOBRE AS MODERNAS FORÇAS PRODUTIVAS

A princípio, historicamente, o capital alavanca forças produtivas atuantes em âmbito microeconômico, adotadas primordialmente no processo fabril pelo capital individualmente considerado, mas hodiernamente sucede algo deveras interessante.


A revolução digital e os atuais algoritmos da assim denominada inteligência artificial, ao que tudo indica, atuam primordialmente no âmbito da circulação de capital, incrementando a velocidade de rotação correspondente, e encerram grande potencial, enquanto forças produtivas, de atuar em patamar macroeconômico, auxiliando uma vindoura planificação econômica instruída por tecnologia digital.


Por ora, no entanto, a revolução digital foi apropriada no âmbito microeconômico pela propriedade privada capitalista através das assim designadas Big Techs, que adotam a tecnologia digital para extração intensiva de mais-valia e, particularmente quanto à mencionada inteligência artificial, como capital fixo para subjugar o moderno trabalho eminentemente intelectual na produção de software.


Nesse diapasão, seria lícito ventilar que forças produtivas de jaez macroeconômico e potencialmente socialista entraram em contradição com as relações de produção capitalistas, que as adotam de maneira microeconômica e para fins de reprodução da propriedade privada dos meios de produção.


Impõe-se, destarte, que a classe trabalhadora em escala mundial aproprie-se de tais forças produtivas modernas para que a verdadeira natureza social de tais forças possa vicejar.


Hipóteses embrionárias sub judice, a desinibir.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

domingo, 16 de agosto de 2026

A TEORIA DO VALOR ENTRE A REPRODUÇÃO SEXUADA E O TRABALHO

Reiteradamente, já ventilamos aqui que a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em: 

1. Instância da reprodução sexuada, mediada pela família, em que se produz o ser humano integral;

2. Instância do trabalho, mediada pelo Estado, em que se mutila o ser humano para produzir força de trabalho apta a ser vendida ao capital. 

Cuida-se de instâncias distintas, mas não estanques, sendo certo que a teoria marxista do valor deve ser investigada quanto à produção da força de trabalho pelo Estado, e não quanto à produção do ser humano pela família, eis que os cuidados familiares não configuram trabalho propriamente dito. 

De outro bordo, o Estado engendra a força de trabalho mediante serviços como segurança (através das forças públicas, que reproduzem diariamente a separação entre trabalhadores e meios de produção), educação e saúde. 

Todavia, é de rigor distinguir, entre tais serviços estatais, aqueles que envolvem trabalho produtivo (como educação) e aqueles que envolvem trabalho improdutivo (como segurança e, provavelmente, saúde, uma espécie de faux frais da produção da força de trabalho).

Nesse diapasão, os trabalhos estatais improdutivos geram apenas custos, enquanto os trabalhos estatais produtivos engendram efetivo valor econômico. 

Por derradeiro, é de rigor apontar um equívoco teórico persistente no âmbito do movimento feminista de inspiração marxista, que confunde produção do ser humano e produção da força de trabalho, investigando indevidamente a teoria do valor no cerne do primeiro caso, em que não há realização efetiva de trabalho, mas somente de cuidados familiares. 

Hipóteses sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CONJECTURA SOBRE CAPITAL FIXO

LEI CONJECTURAL SOBRE CAPITAL FIXO.





Para que haja efetiva diminuição do valor individual da mercadoria mediante aumento da produtividade decorrente de investimento em capital fixo, o incremento da força produtiva do trabalho deve ser tal que compense o acréscimo de valor paulatinamente transferido aos produtos pela circulação de tal capital fixo. 


Tal lei consiste em conjectura sujeita a confirmação empírica e teórico-matemática.


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ESQUEMAS SOBRE A PRODUÇÃO ECONÔMICA DA CIÊNCIA MATEMÁTICA.

O dinheiro, isto é, o aspecto abstrato da mercadoria devidamente emancipado no curso da história, funciona como equivalente geral e, nessa condição, não exibe valor de uso específico, mas pode convolar-se em qualquer coisa, em qualquer substância. 

O número é o correspondente matemático do dinheiro, porquanto, na sua abstração, pode referir-se a qualquer coisa, a qualquer substância. 

Mas o dinheiro converte-se, dialética e historicamente, em capital propriamente dito, que encerra a tendência e a inclinação a acumular-se indefinidamente, a saber, infinitamente. 

Do mesmo modo, o número, esta forma de limitação, de estabelecer limites, convola-se dialeticamente no seu contrário, qual seja, o infinito, naquilo que é ilimitado, que não tem limites, de tal sorte que o infinito consiste no correspondente matemático do capital. 

Hipóteses sub judice.      





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.