Eu tive um professor de relações internacionais e geopolítica na Universidade de São Paulo que costumava asseverar o seguinte: "o mundo é um tabuleiro bélico armado", ou coisa desse mesmo jaez, mas o fato é que ele não levava muito a sério os organismos internacionais como a ONU, nem mesmo Estados como o Vaticano, na exata medida em que não contam com forças armadas próprias.
Sem embargo: quantas divisões de exército próprias tem a ONU ou, digamos, o Papa?
Com efeito, a névoa que exsurgiu após o colapso soviético, consubstanciado na queda do muro de Berlim, despertou sonhos e expectativas dos mais puros e ingênuos diante de uma abstração como o Direito Internacional, mas ontem, 3 de janeiro de 2026, pudemos constatar que a realidade nua e crua bateu mais uma vez à nossa porta e a política do "tabuleiro bélico" despertou como verdade tão cintilante que parece ofuscar as análises dos mais argutos doutores.
Cuida-se de uma realidade tão cintilante que ocorreu até mesmo acordo entre as forças armadas venezuelanas e o invasor estadunidense, cabendo destacar que uma das exigências dos militares consistiu na interdição da atual portadora do prêmio Nobel da Paz (esse galardão tipicamente Ocidental) como nova mandatária na presidência do país, algo que os EUA informaram de pronto, para frustração dos assépticos e democráticos europeus.
Qualquer analista geopolítico minimamente honesto abriria o mapa e constataria, de forma tão cintilante quanto o Sol, que a estratégia de tomada das reservas de petróleo da Venezuela começaram "pavimentando" a via de escoamento respectivo no Mar do Caribe, que vai do recém batizado Golfo da América, passando pelo canal do Panamá, Honduras e El Salvador, até a posição hodierna da frota de guerra, que funciona como escolta para o livre trânsito de mercadorias e petróleo entre a metrópole e a colônia.
O fato é que agora os EUA contam com uma base militar hostil na fronteira entre o Brasil e a Colômbia, mas talvez a realidade cintilante prossiga ofuscando parte da esquerda.
Enfim, a realidade raiou como o Sol, que teima em se levantar todo o dia.
Chegou a hora de acordar.
por CARLOS CÉSAR FÉLIX VIEIRA, o PUNK.
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