terça-feira, 27 de agosto de 2024

A OBJETIVIDADE NAS CIÊNCIAS HUMANAS

Como é cediço, os seres humanos contraem entre si relações de produção, ou de propriedade, que escapam ou são francamente infensas à sua volição e que os dominam, de tal sorte que os indivíduos atuam na história como meros vetores de determinações estruturais de tais relações, as quais devem ser tomadas, portanto, como objeto por excelência das investigações das ciências denominadas "humanas", máxime no âmbito das ciências econômicas. 

A subjetividade individual, nestes termos, somente interessa como inconsciente coletivo, consoante descrito pela psicologia analítica e, assim mesmo, somente como reflexo mediato ou imediato das relações de produção ou de propriedade. 




POR LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

domingo, 25 de agosto de 2024

O dinheiro sujo segundo Alfred Hitchcock.

 Na obra prima clássica de Alfred Hitchcock intitulada Vertigo, de 1958, a transformação de Judy Barton em Madeleine Elster, e vice-versa, representa evidentemente uma metáfora cinematográfica do âmago das artes cênicas, vale dizer, da convolação dos atores em personagens.


Mas esta mutação é deflagrada pela ganância desmedida de Gavin Elster, que colima a extinção de sua esposa Madeleine para arrebatar-lhe a fortuna, vale dizer, trata-se de uma mutação provocada pelo dinheiro, em analogia à função deste como cerne da circulação de mercadorias, isto é, do intercâmbio e equivalência entre as mercadorias.


Enfim, cuida-se de uma película que explora, entre outras coisas, sobretudo a capacidade do dinheiro de transmutar a realidade, inclusive quando este dinheiro serve à produção cinematográfica, uma arte poderosamente mimética do real.


Mas cuidado, o dinheiro é sempre sujo, e exibe grande afinidade com o mundo do crime.


Alfred Hitchcock, um gigante nos 125 anos de seu nascimento!





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sábado, 24 de agosto de 2024

DINHEIRO SUJO

 O dinheiro é sujo por definição, sempre foi assim e sempre será.


Ele corresponde à circulação de mercadorias, que, na origem histórica, antes do advento do capital, servia aos mercadores para extrair mais-valia dos produtores mediante as diferenças de preços, vendendo caro e comprando barato, como no antigo sistema colonial descrito por Fernando Novais.


Com o advento do capital, o dinheiro extrai mais-valia diretamente da força de trabalho, mediante o engodo do pagamento de salário.


Dinheiro sujo?


Sim, sempre foi e sempre será!





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

PÓS-MODERNISMO

 Deparo-me com um curso sobre o pensamento de Michel Foucault e constato: estamos perdendo de vez, máxime nas ciências humanas, qualquer traço de objetividade: sim, um curso sobre a subjetividade individual de um autor determinado, não sobre um objeto independente do indivíduo!


Simetricamente, há uma sobrevalorização da metacognição ou da epistemologia: estudos sobre o sujeito do conhecimento, não sobre o objeto do conhecimento.


Alguns diriam que a culpa recai sobre os intelectuais franceses pós modernos.


Eu arriscaria que o pós modernismo consiste numa fase adiantada do capitalismo financeiro: o capital fictício predomina sobre a produção real de mercadorias, e a alienação, a saber, a distância entre os seres humanos e o controle sobre as relações de produção que eles contraem heteronomamente entre si, atinge graus inauditos.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 18 de agosto de 2024

ELUCUBRAÇÕES ESPECULATIVAS

1. A noção de número pressupõe uma delimitação e finitude que é incompatível com o conceito matemático de contínuo, o qual, por seu turno, pressupõe a ideia de infinito;

2. Tal conceito de contínuo atrela-se, na mecânica clássica, à ideia de tempo e espaço contínuos e infinitos, desprovidos de "buracos" ou "vazios";

3. A hipótese do universo em expansão, sustentada nas descobertas empíricas de Edwin Hubble, sugere, todavia, que o espaço não é infinito, pois sua expansão pressupõe "vazios" e "buracos" a serem preenchidos por esse movimento expansivo.



por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.   

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

MARXISTAS E BURGUESES DIANTE DA INFLAÇÃO

Para os economistas de extração tipicamente burguesa, aí inclusos neoclássicos e keynesianos, a inflação decorre das disparidades entre oferta e demanda econômicas, isto é, constitui fenômeno matematicamente indeterminado, subjetivo, mediado pelos agentes econômicos envolvidos, quando na verdade é sabido que tais agentes agem como meros vetores de determinações estruturais do capital. 

Para os marxistas, ao contrário, a inflação decorre da lei do declínio tendencial das taxas de lucro do capital, sendo portanto matematicamente determinada, objetiva e imediata. 

A superioridade do exame marxista na abordagem da inflação reside precisamente no seu maior grau de objetividade em comparação com as investigações de jaez burguês. 




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

terça-feira, 6 de agosto de 2024

O TOMBO DAS BOLSAS DE VALORES

Como sói acontece, a grande mídia de extração burguesa internacional atribuiu, ontem, a forte queda generalizada dos índices das bolsas de valores, no mundo inteiro, à aversão ao risco decorrente de fatores como receio atrelado a possível recessão da economia estadunidense e à crise recente no Oriente Médio.

Tal atitude está arraigada na pseudociência da economia comportamental que coloca o ser humano no centro das decisões econômicas, quando é cediço que os capitalistas agem como meros vetores de determinações estruturais do capital, pois o capitalismo desenha-se a partir de relações de produção alheias à volição humana.  

Nesse diapasão, faz-se mister aduzir que, na verdade, o movimento das bolsas de valores é determinado, em última instância, pelas oscilações nas taxas de lucro do capital, máxime pela mais importante das leis da economia burguesa, a saber, aquela descrita por Marx como declínio tendencial das taxas de lucro do capital industrial.

É a partir dessa lei, e não na aversão ao risco, que é preciso investigar as razões profundas das oscilações do mercado acionário.



por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.