quinta-feira, 7 de novembro de 2024

INDIVIDUALISMO

 O liberalismo é individualista, mas o indivíduo nada representa fora da sociedade em que vive na atualidade e apartado das gerações precedentes que o engendraram.


Tal individualismo reflete-se na forma política da democracia burguesa, que está lastreada na acepção da representação, em que indivíduos são escolhidos para liderar a nação.


Tal democracia política será substituída pela democracia econômica do comunismo, em que todos os indivíduos serão contemplados em suas necessidades e potencialidades, sem mediação pela representação política, mas diretamente através do governo impessoal da planificação econômica descentralizada, pressuposta a propriedade coletiva dos meios de produção.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

DONALD TRUMP

Karl Marx ensinou-nos a investigar na infraestrutura econômica das relações de produção o segredo mais recôndito da superestrutura política, então vejamos. 

Donald Trump é um fenômeno político típico da hodierna revolução industrial digital, que encerra como epicentro precisamente a economia estadunidense, vanguardeira na produção da mercadoria por excelência de tal revolução industrial, a saber, o software, cujo produto mais avançado atualmente consiste na assim designada inteligência artificial.

Tal revolução trouxe como sua faceta mais evidente a adoção em larga escala do trabalho assalariado eminentemente intelectual, que mitigou a clássica divisão do trabalho entre trabalhadores manuais (proletariado) e trabalho intelectual (capital), culminando no fenômeno ideológico de certa identificação do proletariado eminentemente intelectual ou digital com o patronato também intelectual, no atual discurso ideológico do empreendedorismo, bem assim no fenômeno político do neofascismo, que nega a existência da distinção entre classes sociais e suas lutas políticas. 

Nos Estados Unidos da América, especificamente, o Vale do Silício, da indústria digital, substituiu o Cinturão do Ferrugem, da clássica indústria de transformação, na vanguarda industrial e econômica, o que resultou no advento do fenômeno político do neofascista Donald Trump, hoje sagrado eleitoralmente vitorioso. 



por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

terça-feira, 5 de novembro de 2024

ESPECULAÇÕES SOBRE UMA APORIA

Segundo Marx, o valor de dada mercadoria é determinado pelo tempo de trabalho humano abstrato socialmente necessário à sua produção, mas este trabalho humano antolha-se-nos mais afeto ao trabalho assalariado, máxime o industrial, e não ao trabalho, verbi gratia, que a família despende na formação da respectiva prole.

Por isso, Marx assevera que o valor da mercadoria consubstanciada na força de trabalho não é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário à sua produção e reprodução, mas sim diretamente pelo valor de uma cesta básica composta por meios de subsistência da força de trabalho. 

Haveria aí uma real aporia ou contradição na teoria marxista do valor?

É mister destacar que Marx estudou basicamente o capital da primeira grande revolução industrial, a inglesa do século XVIII, quando a força de trabalho ainda era eminentemente manual e não intelectual, com reduzida qualificação exigida, portanto mais propriamente produzida no âmago familiar e não pelo trabalho assalariado e abstratamente intelectual dos professores no âmbito escolar.

A atual revolução industrial digital, todavia, exige uma evidente qualificação intelectual da força de trabalho, máxime na produção da sua mercadoria por excelência, o software, portanto a força de trabalho, hodiernamente, exibe-se sim produto do trabalho assalariado, aquele dos professores no âmbito escolar, de tal sorte que a aporia acima descrita resolve-se, eis que agora a mercadoria consubstanciada na força de trabalho é realmente produzida pelo trabalho humano abstrato, isto é, o trabalho assalariado intelectual dos professores.

Quer nos parecer, pois, que a aparente aporia ou contradição acima aduzida torna-se evanescente à medida que a força de trabalho torna-se mais eminentemente intelectual, sendo produto do trabalho intelectual dos professores e tendo como mercadoria por excelência um produto também eminentemente intelectual, o software, bem assim um dinheiro também digital ou intelectual.

Nessa economia capitalista eminentemente intelectual, as aporias ou contradições aparentes na teoria marxista do valor tornam-se, pois, evanescentes, ou em vias de desaparecimento.

Karl Marx era, sem nenhum embargo, um visionário. 

Hipóteses sub judice, para discussão.



por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.    

sábado, 2 de novembro de 2024

EDUCAÇÃO E INDÚSTRIA DIGITAL

Consoante já muito bem ressaltado nesta plataforma digital pelo companheiro LINCOLN SECCO, professor de história da Universidade de São Paulo e membro deste núcleo temático de estudos vinculado ao Partido dos Trabalhadores, a desindustrialização brasileira é um fato consumado e irrefutável. 

Karl Marx asseverava que os países industrializados do centro do modo capitalista de produção revelam a faceta vindoura dos países da periferia deste modo de produção, parecendo lícito ventilar que os Estados Unidos da América, epicentro do capitalismo mundial hodierno, exibe a indústria mais avançada desse sistema econômico mundial, a saber, a indústria da mercadoria consubstanciada no software, cujo ápice atualmente se manifesta na assim designada inteligência artificial.

A indústria de software, todavia, demanda força de trabalho altamente qualificada sob prisma intelectual e, portanto, uma sistema educacional também altamente qualificado e voltado a tal indústria. 

Logo, uma política moderna de industrialização não dependente nem periférica, no modo de produção capitalista, demanda esforço governamental concentrado na produção industrial de software e no célere desenvolvimento do sistema educacional nacional dirigido a essa produção industrial. 

Entrementes, tal política industrial favorecerá, por óbvio, a vindoura planificação econômica descentralizada de jaez socialista lastreada em algoritmo central alimentado pela internet com dados de produção e consumo econômicos em tempo real, consoante também já aventado neste espaço. 





por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.  

DINHEIRO E FORÇA DE TRABALHO, parte dois.

 Parece que a manifestação do dinheiro como moeda segue a natureza da mercadoria força de trabalho.


No período da circulação simples de mercadorias, antes do advento do capital propriamente dito, a força de trabalho é eminentemente manual e física, o que se reflete na moeda metálica.


Com o advento do capital, nas duas primeiras revoluções industriais, a força de trabalho é manual e intelectual na mesma medida, o que se reflete na dualidade da moeda fiduciária ou papel moeda com lastro em metal precioso, máxime o ouro.


Com a revolução digital hodierna e o advento da força de trabalho eminentemente intelectual na produção da mercadoria software, a moeda passa a ser digital e perde seu suporte material ou metálico.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

DINHEIRO E FORÇA DE TRABALHO

 No período histórico do dinheiro enquanto circulação simples de mercadorias, a saber, anteriormente à inserção do dinheiro na compra e venda da força de trabalho, a moeda é metálica e as mercadorias exibem-se fruto do trabalho manual dos respectivos produtores.


Com o advento da força de trabalho como mercadoria, que é fruto do trabalho familiar e não industrial, o dinheiro passa a manifestar-se como moeda fiduciária ou papel-moeda, desligando-se paulatinamente da forma material equivalente às mercadorias.


Com o advento da atual revolução digital e da força de trabalho eminentemente intelectual na produção da mercadoria consubstanciada no software, força de trabalho esta que é produto do trabalho também intelectual dos professores, a moeda perde seu suporte material para se manifestar como moeda digital.


Texto para discussão.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Empreendedorismo faz parte do passado!

 Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem sob circunstâncias de sua própria escolha, mas sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado; a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos.


A sentença de Karl Marx, acima, antolha-se-nos axial: decerto a propriedade privada dos meios de produção e o individualismo empreendedor cumpriram uma função histórica no desenvolvimento das forças produtivas, constituindo um substrato econômico sobre o qual se erguerá o modo comunista de produção lastreado na propriedade coletiva dos meios de produção e na planificação econômica mundial.


O modo capitalista de produção consistiu em fase necessária do desenvolvimento econômico da história humana, mas atualmente ele a coloca em perigo: crises financeiras e ecológicas hodiernas ameaçam a própria existência da espécie humana.


O empreendedorismo individual exibe-se, pois, atualmente extemporâneo e intempestivo e, se cumpriu a sua função no desenvolvimento histórico das forças produtivas, hoje ele não suplanta o jaez de mera ideologia burguesa conservadora e retrógrada que somente reproduz o atual estado de coisas periclitante.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.