sábado, 19 de agosto de 2023

Extrato de história do dinheiro e da moeda: segunda parte

 Com a transformação da força de trabalho em mercadoria decorrente da acumulação primitiva de capital, que separou o trabalhador de seus meios de produção, há uma ruptura definitiva entre o valor da mercadoria e o valor do dinheiro metálico que a substitui na respectiva circulação, e o pagamento do trabalhador transforma-se em salário em moeda fiduciária que remunera não mais o trabalho, mas a força de trabalho de que é extraída a mais-valia.


Mas a emissão de moeda fiduciária pelo Estado capitalista pressupõe uma certa acumulação primitiva de ouro como seu lastro, acumulação esta cuja consecução fora haurida pelo Estado moderno mercantilista.


Tal lastro em ouro perde-se paulatinamente depois com a ascensão do capital financeiro, os acordos de Bretton Woods e o plano Marshall, quando se consolida o predomínio econômico dos EUA.


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

Extrato de história do dinheiro e da moeda

 No livro primeiro de sua obra magna, Marx investiga o nascedouro do dinheiro quando ainda impera uma equivalência efetiva e real entre o valor deste e o da mercadoria comprada ou vendida.


Com o advento do capital mercantil, que compra barato para vender caro, tal equivalência imediata rompe-se, e o preço da moeda metálica ultrapassa o valor efetivo de sua composição em ouro ou prata.


Com a inserção do capital no âmbito da produção e a correspondente formação da força de trabalho como mercadoria, a moeda perde completamente seu suporte metálico para poder ocultar a extração de mais-valia.


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Sexto aforismo

 A música exibe-se como uma das artes mais abstratas, pois envolve o sentido da audição tão somente, enquanto todas as demais pressupõem a visão como supedâneo.


Demais, ela se desenvolve no tempo e, por seu caráter abstrato, mimetiza a lógica dialética da história da humanidade, naquilo que esta suplanta o mundo empírico ao alcance de um indivíduo, o qual é incapaz de experimentar estética e sensorialmente tal lógica, conquanto seja apto a capturar sua inteligibilidade.


Enfim, uma arte revolucionária, que suplanta o indivíduo empírico, sendo certo que Nietzsche cobria-se de razão ao enaltecê-la.



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Quinto aforismo

 Em Das Kapital, eu vejo uma sucessão histórica de relações de produção:


Mercadoria, dinheiro, capital produtivo, capital comercial, renda fundiária, capital financeiro e assim por diante…


Os indivíduos somente são chamados à colação como representantes de tais relações de produção!


Hegel tampouco dá atenção ao indivíduo por ele mesmo:


Napoleão Bonaparte, verbi gratia, aparece como personificação da Ideia!



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

Quarto aforismo

 O Estado mercantilista moderno consiste em aliança entre a nobreza latifundiária feudal e a ascendente burguesia mercantil (ainda restrita à circulação de mercadorias, antes de penetrar na produção propriamente dita), sendo predominante o dinheiro metálico.


O Estado capitalista contemporâneo consiste em aliança entre o aparelho burocrático-militar (resquício da nobreza feudal) e a burguesia industrial, sendo capaz de emitir moeda fiduciária.


Portanto, o segredo da substituição do dinheiro metálico pelo fiduciário reside na penetração da produção pelo capital.


Isto deve ser objeto de investigação.



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Terceiro aforismo

A dolarização das economias periféricas parece ser um desdobramento radical, conquanto natural, de Bretton Woods.

Na década de 1990, a hiperinflação no Brasil era mais grave que a argentina atual, mas a social democracia de FHC salvou a moeda nacional com o plano real!

Se estivéssemos nas mãos de um Javier Milei naquela época, hoje a Amazônia seria norte-americana!


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 13 de agosto de 2023

Segundo aforismo

 Há evidências de que, quanto mais aprofundada a divisão do trabalho, tanto em sua modalidade internacional quanto no âmbito social e mesmo fabril, mais independente de um suporte material exibe-se o dinheiro: assim o demonstra a evolução que vai da moeda metálica para a moeda fiduciária e desta para as atuais moedas digitais.


Do mesmo modo, o trabalho torna-se cada vez mais abstrato, no sentido de se afastar cada vez mais do produto acabado final.


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.