domingo, 14 de junho de 2026

PIX

Por evidente, existem efetivamente interesses escusos das grandes administradoras de cartões de crédito na animosidade imperialista contra o nosso PIX brasileiro, mas há também algo mais profundo e de maior alcance nisso.  

Sem embargo, o centro do capitalismo mundial, nos Estados Unidos, encontra-se em fase de franca desindustrialização e transição para o predomínio do trabalho eminentemente intelectual na produção de software, conquanto o capitalismo em essência exiba-se materialista, pois é mais complexo extrair mais-valia relativa desse tipo de trabalho intelectual, cabendo destacar que as moedas digitais, em contraste com a natureza tipicamente material do dinheiro, são outrossim reflexo de tal tipo de trabalho intelectual e, por decorrência, sintoma da deterioração e putrefação do modo de produção capitalista. 

Ora, o PIX brasileiro, aqui na periferia do sistema, representa um passo gigantesco na adoção da moeda digital oficial e estatal e, portanto, também um sintoma e uma ameaça aos pilares monetários desse modo de produção. 

Não, Trump não tem problemas mentais, mas problemas com as ameaças ao modo de produção capitalista, que ele lidera em âmbito mundial. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

UMA BOMBA SOBRE O JAPÃO

Em sua película cinematográfica intitulada "Era uma vez em Tóquio" (1953), o realizador japonês Yasujiro Ozu exibe, com grande sensibilidade estética, um elemento mais destrutivo e perigoso do que as bombas atômicas que caíram sobre Hiroshima e Nagasaki.

Cuida-se da dissolução dos laços pessoais e familiares empreendida pelo avanço das relações de produção capitalistas, mesmo em um país em que a honra ainda trava uma guerra sangrenta contra o dinheiro na contenda entre os valores, um país, enfim, em que a cultura ocidental tem dificuldades de estabelecer seu completo predomínio, como também mostrou outro grande cineasta, Martin Scorsese, em sua película "Silêncio".

Numas das cenas mais tristes de toda a história do cinema, o casal de idosos é literalmente despejado pelos próprios filhos e fica ao desabrigo na via pública como indigentes, à procura de um lugar para dormir. 

Uma violência que é exibida, todavia, de forma extremamente sutil e suave como sói acontecer com a tradicional cordialidade nipônica, numa demonstração de impressionante domínio técnico da câmera de filmagem.

Enfim, um clássico atemporal.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.