Em sua película cinematográfica intitulada "Era uma vez em Tóquio" (1953), o realizador japonês Yasujiro Ozu exibe, com grande sensibilidade estética, um elemento mais destrutivo e perigoso do que as bombas atômicas que caíram sobre Hiroshima e Nagasaki.
Cuida-se da dissolução dos laços pessoais e familiares empreendida pelo avanço das relações de produção capitalistas, mesmo em um país em que a honra ainda trava uma guerra sangrenta contra o dinheiro na contenda entre os valores, um país, enfim, em que a cultura ocidental tem dificuldades de estabelecer seu completo predomínio, como também mostrou outro grande cineasta, Martin Scorsese, em sua película "Silêncio".
Numas das cenas mais tristes de toda a história do cinema, o casal de idosos é literalmente despejado pelos próprios filhos e fica ao desabrigo na via pública como indigentes, à procura de um lugar para dormir.
Uma violência que é exibida, todavia, de forma extremamente sutil e suave como sói acontecer com a tradicional cordialidade nipônica, numa demonstração de impressionante domínio técnico da câmera de filmagem.
Enfim, um clássico atemporal.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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