Equivocou-se quem imaginou que este singelo discurso versaria sobre o compositor Karlheinz Stockhausen, malgrado trate de música, de alguma forma.
Não, definitivamente cuido aqui, de maneira muito breve, da Balada número 1 de Chopin, que foi dedicada pelo músico polonês, radicado na França, ao senhor Barão de Stockhausen, embaixador de Hannover em Paris no curso do século XIX, cuja figura, a julgar pelo monumento musical com que foi homenageado, deve ter impressionado seus coetâneos pela sobriedade, austeridade, circunspecção e gravidade.
Mencionada peça artística enceta-se com a apresentação do primeiro tema, que é sucedida por uma das mais belas passagens da história da música ocidental: uma seção com sequências repetidas de um tema melódico de oito notas, cuja execução vai-se acelerando até culminar numa apoteose dilacerantemente deslumbrante, que mimetiza a aceleração da história da humanidade, ou a percepção individual da aceleração ilusória do tempo com o envelhecimento, cujo ápice seria uma evento apocalíptico.
Não há mais palavras para descrever a epifania catártica decorrente da audição correspondente, somente pranto inexorável e copioso.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.