"A vida é breve, a arte é longa, a ocasião fugidia, a experiência enganosa, o julgamento difícil", asseverava o grandíloquo médico Hipócrates, aforismo este que eu ousaria parafrasear dizendo: a arte deve ser longa como a vida, a ciência deve ser breve como a morte.
Reiteradamente aduzimos aqui que a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em dua instâncias, a saber: 1. a reprodução sexuada, mediada pelo amor, que produz o ser humano integral; 2. o trabalho, mediado pelo dinheiro, que mutila o ser humano para engendrar a força de trabalho.
Ora, a arte participa do universo de 1, sendo uma extensão da plenitude da vida humana, enquanto a ciência subsume-se no universo de 2, que por ora governa de forma heterônoma a vida humana enquanto as relações de produção alienadas, isto é, enquanto "toda a velha merda" (Marx) do mundo econômico não for superada pelo modo de produção comunista onde a abundância poderá ser regra e o trabalho mitigado.
Manuel Bandeira sintetizou essa mutilação de 1 por 2 cantando: "A vida inteira que podia ter sido e que não foi"
Portanto reitero: arte longa como a vida, ciência breve como os aforismos de Hipócrates.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
Boa!
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