domingo, 19 de julho de 2026

O FETICHISMO DO INDIVÍDUO

Na produção e reprodução de sua vida material, os seres humanos contraem entre si relações de produção heterônomas e alienadas, em que não se reconhecem e que os governam à sua revelia e até contra os mesmos, de tal sorte que as relações entre tais seres humanos lhes aparecem como relações entre coisas, no assim denominado fetichismo da mercadoria, descortinado pioneiramente por Karl Marx em sua obra magna, O Capital.

Mas há também outra espécie de fetichismo: o fetichismo do indivíduo!

Sem embargo, cada ser humano individualmente considerado é fruto das sociedades passada e presente que o produzem, de maneira que o indivíduo isolado e completamente autônomo somente pode existir nas robinsonadas literárias e cinematográficas. 

Todavia, a humanidade cultua e idolatra o indivíduo isolado, apartado da sociedade que o produz, conferindo-lhe estátuas, condecorações, honrarias, prêmios, títulos e outras distinções, como se tivesse atuado sozinho neste mundo, o que é uma decorrência direta da mencionada alienação das relações de produção da vida material humana. 

Charles Bukowski percebeu de forma literária o que há de ridículo neste fetichismo, mas Isaac Newton, um dos indivíduos mais idolatrados nestes termos, proferiu uma sentença esmagadora: "Se enxerguei mais longe, foi porque me apoiei no ombro de gigantes"

Por isso, se quisermos superar tal estado de coisas, nós comunistas devemos proscrever qualquer forma de culto à personalidade, isto é, de fetichismo do indivíduo. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.

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