Nosso cotidiano enquanto indivíduos humanos exibe-se completamente dominado pelo tempo abstrato do relógio, aquele tão intuitivo quanto vazio de conteúdo tempo mensurável, derivado, na verdade, da teoria econômica, isto é, do tempo de trabalho abstrato socialmente necessário que atribui valor às mercadorias.
Já o tempo concreto do movimento relativo dos corpos físicos, a saber, o tempo da teoria da relatividade especial, parece-nos distante e contraintuitivo, alheio à nossa existência cotidiana.
Tal percepção distorcida da realidade ocorre pois nossas relações sociais de produção da vida material humana, mediadas pelo dinheiro e pelo capital em sentido estrito, governam-nos à nossa revelia e mesmo contra nossa vontade, de tal sorte que a história dos seres humanos em sociedade obedece e observa os desígnios de tais relações de produção alienadas e heterônomas, e não os desígnios dos indivíduos livremente associados que aflorarão com o vindouro modo comunista de produção da vida material humana, quando então tomaremos coletivamente as rédeas de nossa própria história.
Registre-se, por oportuno, que a teoria da relatividade somente emerge tardiamente na história humana, precisamente quando o modo comunista de produção aparece no horizonte de tal história como uma possibilidade real e concreta.
Hipóteses sub judice, a aprofundar e desenvolver.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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