Durante uma entrevista em Paris, há muito tempo, o preclaro e insigne Plínio Marcos prolatou a sentença em epígrafe, a qual encerra uma sabedoria de grande envergadura, senão vejamos.
É de rigor, a princípio, estabelecer uma clara, mas não estanque, distinção entre a antropologia humana e a história das relações de produção entre os membros da espécie do homo sapiens, e nesse diapasão podemos ventilar como hipótese de trabalho que a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em: 1. universo da reprodução sexuada, mediado pelo amor e pelo afeto, em que se forja o ser humano em sua integridade e potencialidades; 2. universo do trabalho, mediado pelo dinheiro e pelo capital propriamente dito, em que se engendra a força de trabalho que mutila o ser humano, tolhendo suas plenas potencialidades.
O universo de 1 corresponde à instância familiar, plena de afetos, enquanto o universo de 2 refere-se ao mundo das lutas de classes, pleno de ódio, sendo certo que as relações de produção heterônomas e alienadas típicas de 2, que governam os seres humanos à sua revelia e contra os mesmos, abroquelam o potencial de serem suplantadas e substituídas por vindouras relações de produção comunistas que poderão erradicar as divisões entre classes sociais e Estados beligerantes, com instituir uma Humanidade concreta e real que superará a hodierna condição de conceito vago e abstrato, e em que o amor e o afeto vingarão nas relações sociais entre os seres humanos.
Logo, a sentença de Plínio Marcos, em comento, pode parecer relativa nos dias de hoje, mas corresponde, na verdade, a um projeto de Humanidade vindoura.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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