segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O todo é maior do que a soma das partes, ou singelo esboço de crítica da macroeconomia keynesiana

A macroeconomia dos grandes agregados econômicos de tradição teórica keynesiana opera com a somatória simples dos correspondentes agentes econômicos, o que se me antolha, a princípio, um tanto reducionista e, quiçá, equivocado.


Sem embargo, no modo capitalista de produção os agentes econômicos, na maioria das vezes, operam como concorrentes, o que estimularia o avanço tecnológico e o aumento da produtividade respectivo, mas concretamente observa-se o fenômeno da formação de monopólios pela concentração e centralização de capital, e, contrariamente a um esperado declínio dos preços pelo mencionado aumento da produtividade, o que se nota é a propagação do fenômeno inflacionário.


De outro bordo, em uma eventual planificação econômica auxiliada por tecnologia digital na coleta e tratamento de dados, o que se poderá observar coincidirá com a sinergia da cooperação econômica entre os agentes correspondentes, com aumento de eficiência e de velocidade de circulação de produtos e serviços.


Em ambos os casos, o todo sempre é maior do que a mera soma das partes, isto é, do que o agregado.


Hipóteses sub judice.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

OGAS

O conceito de planificação econômica descentralizada instruída por tecnologia digital, como temos aqui preconizado, não é, em absoluto, uma novidade, mas tem como precursores históricos os projetos OGAS na União Soviética, na década de 1960, e o projeto CYBERSYN no Chile, na década de 1970, durante o governo de Salvador Allende. 

O primeiro, liderado pelo cientista da computação soviético VIKTOR GLUSHKOV, propunha uma rede hierárquica de três níveis de terminais localizados em regiões economicamente significantes que poderiam transmitir dados entre si em tempo real, utilizando a infraestrutura telefônica preexistente na União Soviética, de maneira a proporcionar um modelo de economia em que o papel-moeda seria substituído por pagamentos de forma eletrônica. 

Tanto o CYBERSYN quanto o OGAS parecem ter provocado imenso temor e receio por parte do Departamento de Estado norte-americano, e a CIA pode ter tido participação ativa no fracasso e posterior ostracismo de tais projetos de economia cibernética.

Hodiernamente, o PIX brasileiro já desperta grande atenção e animosidade dos imperialistas yankees, o que demonstra o quanto pode ser perigoso para o capital como modo de produção específico. 

Tanto o CYBERSYN quanto o OGAS estão a merecer investigações profundas por parte da historiografia econômica. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

CIÊNCIA E TRABALHO

A forma básica de divisão social do trabalho opõe o capital (detentor do trabalho eminentemente intelectual e, em decorrência, da produção científica) e o trabalho em sentido lato (vale dizer, aqui, como trabalho eminentemente manual), divisão esta que se reproduziu, verbi gratia, na experiência soviética, em que uma classe trabalhadora fabril típica arrostava uma classe burocrática de servidores públicos intelectuais engajados na imensa tarefa de planificação econômica. 

De outro bordo, aventamos aqui que a função precípua do Estado capitalista consiste na produção da mercadoria denominada força de trabalho, sendo certo que a hodierna revolução digital engendrou uma força de trabalho eminentemente intelectual engajada na produção de programas de computador (software), subvertendo, destarte, a mencionada divisão social do trabalho básica entre capital e trabalho, pois agora a classe trabalhadora também encerra sua parcela eminentemente intelectual nos produtores de tecnologia da informação. 

Ora, se considerarmos uma vindoura planificação econômica descentralizada e instruída por tecnologia digital (consoante temos preconizado também aqui), em substituição à mencionada burocracia sovética, podemos supor que a hodierna parcela intelectual da classe trabalhadora encontra-se apta a gerir e administrar tal tarefa de planificação econômica em ambiente de relações de produção tipicamente socialistas. 

A unificação política entre as parcelas manual e intelectual da classe trabalhadora exibe-se, portanto, como tarefa inadiável, conquanto difícil. 

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.   

domingo, 23 de agosto de 2026

CALIFÓRNIA, OU A REVOLUÇÃO DIGITAL ENTRE HOLLYWOOD E O VALE DO SILÍCIO.

Parece haver conexões profundas entre a indústria cinematográfica e a revolução digital, e não por acaso a Califórnia tem sido, há décadas, o proscênio por excelência de ambos os fenômenos.   

Sem embargo, o cinema, ou o âmbito audiovisual, encerra a faculdade de convolar em mercadorias virtuais uma grande gama de artes e mercadorias físicas, cabendo ventilar que entre Hollywood e o Vale do Silício situa-se o itinerário da transposição das telas dos teatros cinematográficos para as telas das televisões, inicialmente, e depois para as telas de computadores e celulares.

Nesse percurso, o mundo físico das artes e das mercadorias palpáveis perde sua "aura" (na acepção preconizada por Walter Benjamin) para o mundo virtual da hodierna revolução digital.






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

sábado, 22 de agosto de 2026

CONJECTURA SOBRE AS MODERNAS FORÇAS PRODUTIVAS

A princípio, historicamente, o capital alavanca forças produtivas atuantes em âmbito microeconômico, adotadas primordialmente no processo fabril pelo capital individualmente considerado, mas hodiernamente sucede algo deveras interessante.


A revolução digital e os atuais algoritmos da assim denominada inteligência artificial, ao que tudo indica, atuam primordialmente no âmbito da circulação de capital, incrementando a velocidade de rotação correspondente, e encerram grande potencial, enquanto forças produtivas, de atuar em patamar macroeconômico, auxiliando uma vindoura planificação econômica instruída por tecnologia digital.


Por ora, no entanto, a revolução digital foi apropriada no âmbito microeconômico pela propriedade privada capitalista através das assim designadas Big Techs, que adotam a tecnologia digital para extração intensiva de mais-valia e, particularmente quanto à mencionada inteligência artificial, como capital fixo para subjugar o moderno trabalho eminentemente intelectual na produção de software.


Nesse diapasão, seria lícito ventilar que forças produtivas de jaez macroeconômico e potencialmente socialista entraram em contradição com as relações de produção capitalistas, que as adotam de maneira microeconômica e para fins de reprodução da propriedade privada dos meios de produção.


Impõe-se, destarte, que a classe trabalhadora em escala mundial aproprie-se de tais forças produtivas modernas para que a verdadeira natureza social de tais forças possa vicejar.


Hipóteses embrionárias sub judice, a desinibir.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

domingo, 16 de agosto de 2026

A TEORIA DO VALOR ENTRE A REPRODUÇÃO SEXUADA E O TRABALHO

Reiteradamente, já ventilamos aqui que a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em: 

1. Instância da reprodução sexuada, mediada pela família, em que se produz o ser humano integral;

2. Instância do trabalho, mediada pelo Estado, em que se mutila o ser humano para produzir força de trabalho apta a ser vendida ao capital. 

Cuida-se de instâncias distintas, mas não estanques, sendo certo que a teoria marxista do valor deve ser investigada quanto à produção da força de trabalho pelo Estado, e não quanto à produção do ser humano pela família, eis que os cuidados familiares não configuram trabalho propriamente dito. 

De outro bordo, o Estado engendra a força de trabalho mediante serviços como segurança (através das forças públicas, que reproduzem diariamente a separação entre trabalhadores e meios de produção), educação e saúde. 

Todavia, é de rigor distinguir, entre tais serviços estatais, aqueles que envolvem trabalho produtivo (como educação) e aqueles que envolvem trabalho improdutivo (como segurança e, provavelmente, saúde, uma espécie de faux frais da produção da força de trabalho).

Nesse diapasão, os trabalhos estatais improdutivos geram apenas custos, enquanto os trabalhos estatais produtivos engendram efetivo valor econômico. 

Por derradeiro, é de rigor apontar um equívoco teórico persistente no âmbito do movimento feminista de inspiração marxista, que confunde produção do ser humano e produção da força de trabalho, investigando indevidamente a teoria do valor no cerne do primeiro caso, em que não há realização efetiva de trabalho, mas somente de cuidados familiares. 

Hipóteses sub judice. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CONJECTURA SOBRE CAPITAL FIXO

LEI CONJECTURAL SOBRE CAPITAL FIXO.





Para que haja efetiva diminuição do valor individual da mercadoria mediante aumento da produtividade decorrente de investimento em capital fixo, o incremento da força produtiva do trabalho deve ser tal que compense o acréscimo de valor paulatinamente transferido aos produtos pela circulação de tal capital fixo. 


Tal lei consiste em conjectura sujeita a confirmação empírica e teórico-matemática.


Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ESQUEMAS SOBRE A PRODUÇÃO ECONÔMICA DA CIÊNCIA MATEMÁTICA.

O dinheiro, isto é, o aspecto abstrato da mercadoria devidamente emancipado no curso da história, funciona como equivalente geral e, nessa condição, não exibe valor de uso específico, mas pode convolar-se em qualquer coisa, em qualquer substância. 

O número é o correspondente matemático do dinheiro, porquanto, na sua abstração, pode referir-se a qualquer coisa, a qualquer substância. 

Mas o dinheiro converte-se, dialética e historicamente, em capital propriamente dito, que encerra a tendência e a inclinação a acumular-se indefinidamente, a saber, infinitamente. 

Do mesmo modo, o número, esta forma de limitação, de estabelecer limites, convola-se dialeticamente no seu contrário, qual seja, o infinito, naquilo que é ilimitado, que não tem limites, de tal sorte que o infinito consiste no correspondente matemático do capital. 

Hipóteses sub judice.      





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

domingo, 9 de agosto de 2026

BREVÍSSIMA TENTATIVA DE HISTÓRIA ECONÔMICA COMPARATIVA

A União Soviética exibia um parque industrial potente, fruto da bem sucedida política de coletivização e industrialização implementada a partir do primeiro plano quinquenal, mas, lamentável e enigmaticamente, não logrou alcançar a revolução digital e a economia planificada colapsou.


Os Estados Unidos da América exibiam um potente parque industrial que, talvez em razão da queda tendencial da taxa de lucro do capital fabril, cedeu lugar à indústria de software derivada da revolução digital, evidente na superação do Cinturão da Ferrugem pelo Vale do Silício.


A China hodierna, por seu turno, exibe um potente parque industrial e um promissor setor econômico atrelado à revolução digital, condições que poderiam favorecer uma coletivização e uma planificação econômica instruída por algoritmos que conduziriam o país a um estágio avançado de socialismo econômico mais viável e menos crítico do que o capitalismo.


Hipóteses sub judice.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

sábado, 8 de agosto de 2026

O COMUNISMO NUNCA EXISTIU

Dessume-se de obras como A ideologia alemã e o Manifesto Comunista que o comunismo somente será alcançado em escala mundial, planetária, quando todas as formas de propriedade privada dos meios de produção forem definitivamente erradicadas, isto é, quando todo o nosso planeta for propriedade de uma Humanidade unificada e despojada de divisões de classes sociais e Estados nacionais.


Nesse diapasão, os impropriamente designados comunismo primitivo e comunismo soviético configuraram tão somente, na verdade, “propriedades privadas coletivas” de determinados povos frente a outras formas de propriedade privada dos meios de produção, de outros povos ou nações, mas jamais constituíram o efetivo modo comunista de produção, nos termos acima deslindados.










Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

SOBRE O AFORISMO PRECEDENTE

Recebi críticas acerbas sobre o texto imediatamente antecedente aqui publicado, sendo certo que o camarada CARLOS OTÁVIO SANTIAGO aduziu que se trata de uma visão cruel, desnecessária, sem esperança, enfim, pesada e amarga. 

Ele tem toda a razão, decerto, mas tentarei reparar o estrago. 

Karl Marx preconizava, já na juventude, que o ser humano é um animal social, a partir mesmo do simples fato de que não se reproduz sozinho, mas de forma sexuada. 

Por outro lado, a divisão do trabalho, tanto social quanto na fábrica, intensifica tal jaez social do ser humano, cujos laços de cooperação e coletividade são objetivamente dados. 

Todavia, o desenvolvimento histórico engendra a propriedade privada dos meios de produção e a família nuclear, favorecendo a ilusão do indivíduo abstrato e isolado, isto é, as "robinsonadas" em evidente contradição diante do caráter social do ser humano acima mencionado. 

Portanto, tal contradição somente será resolvida, ao que parece, com a erradicação da propriedade privada dos meios de produção e da família  nuclear, no vindouro modo comunista de produção em escala mundial, quanto toda a Humanidade funcionará como uma grande e única família. 

É nossa esperança. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

AFASIA

Persona, de Ingmar Bergman, e Paris Texas, de Wim Wenders, são duas películas cinematográficas que tratam de alguma forma, entre outras camadas semânticas, da incomunicabilidade, da dificuldade extrema de romper a mônada e comunicar-se com outrem.


Tal mônada consiste em verdade na tradução filosófica do indivíduo abstrato, fruto ou causa da propriedade privada dos meios de produção e da correspondente família nuclear, isto é, dos universos, respectivamente, do trabalho e da reprodução sexuada, pelos quais se efetiva a produção e reprodução da vida material humana, universos distintos mas não estanques.


Ora, tanto Elisabet, em Persona, quanto Travis, em Paris Texas, perdem a capacidade de comunicação e vivem um vazio de sentido, um deserto semântico apesar de constituirem família e se reproduzirem sexualmente, engendrando prole, o que não garante em absoluto um significado para suas existências individuais, ao contrário, causa afasia.


Quero crer que, superada a propriedade privada dos meios de produção e a correspondente família nuclear, a existência individual adquira pleno significado, porquanto cada um contribuirá e cooperará com todos os demais na continuação da espécie humana, de forma efetivamente coletiva e plena de sentido.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MICROCONTO DO AMOR DIFUSO ESCRITO COM SANGUE

Maria Madalena da Silva mantinha com galhardia e airosamente a mais famosa e bem frequentada casa de lenocínio daquele vilarejo incrustado no meio do mais árido e recôndito sertão nordestino, mas quando, aos quarenta anos de idade, concebeu e deu à luz aquela criança, batizada com o epíteto de Nilton, realmente não conseguia recordar-se de que homem a engendrara, malgrado suspeitasse de um cidadão britânico que compareceu a negócio naquelas plagas olvidadas por Deus, mercê dos cabelos lisos e dos olhos azulados que Nilton desinibiu ulteriormente, mas o fato é que aquele menino não desfrutou da companhia de um pai ou de irmãos, mas, em compensação, recebeu de sua genitora um afeto incondicional e quiçá desmedido que, por ocasião da morte precoce de Madalena aos quarenta e sete anos, de causas mal explanadas até hoje, foi intensificado por seus avós, pais de sua mãe, que o acolheram na capital após tal óbito enigmático, os quais passaram a dedicar tempo integral aos cuidados de Nilton, com aquele amor que somente os avós em luto pela filha sabem nutrir pelo correspondente neto, ou seja, o menino sertanejo foi efetivamente cercado de todo o carinho plausível neste mundo incompreensível, e isto tem consequências, para o bem e para o mal, tanto que Nilton acabou por desenvolver certa sensibilidade afetiva também desmesurada, que o fez elaborar copiosos poemas de intensa inspiração religiosa já aos dez anos de idade, mas tal veia poética quedou silente na juventude do garoto, que a substituiu pelo talento matemático tão desenvolvido quanto a verve literária, pois foi estudar física quântica na universidade, onde mergulhou nos estudos com paixão adolescente e desenfreada, conquanto jamais tenha contraído conjunção carnal em toda a sua breve existência, movido que era por sentimentos de jaez, talvez, mais nobre do que a mera reprodução sexual individual, e de fato Nilton exibiu todo o seu imenso amor pela vida em sentido lato ao desenvolver o pioneiro modelo integralmente estável de computador quântico, que beneficiou toda a humanidade, mas faleceu muito cedo, aos quarenta e sete anos, como Madalena, deixando legado perene.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

PLANIFICAÇÃO DEMOGRÁFICA

Naturalmente, a questão por excelência que se manifesta quanto ao problema da planificação econômica socialista consiste em superar a contradição entre relações de produção e forças produtivas, uma contradição que parece encerrar jaez de principal, em termos maoístas.

Todavia, como já reiteramos aqui, a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em universo do trabalho e universo da reprodução sexuada, os quais também são dissociados e contraditórios entre si enquanto remanescer a propriedade privada dos meios de produção econômica e de reprodução sexuada, respectivamente no capital e na família nuclear. 

Logo, coadunar estes dois universos acima mencionados, numa planificação demográfica ajustada à planificação econômica, com a erradicação total da propriedade privada nestes dois universos, também constitui tarefa do vindouro modo comunista de produção em escala mundial.  

Hipóteses sub judice e embrionárias a refinar e desinibir. 







por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

O ENIGMA CHINÊS

Karl Marx já postulava a ocorrência, como motor da história, da contradição e descompasso entre relações de produção e forças produtivas, no que se mostrou, mais uma vez, certeiro e preciso.    

Sem embargo, o colapso soviético exibe muito bem tal situação: uma nação em que as relações de produção, ou de propriedade, progressistas e avançadas colidiram frontalmente com as precárias forças produtivas, eis que a União Soviética não logrou atingir um nível mínimo de revolução digital ou informática necessário ao bom desempenho da planificação econômica de jaez socialista. 

A China hodierna, de outro bordo, exibe a relação inversa, isto é, uma nação que apresenta forças produtivas de alto nível, tendo alcançado a revolução digital e agora emula pela liderança da tecnologia dos algoritmos de inteligência artificial, mas ao mesmo tempo preserva relações de produção tipicamente capitalistas. 

Não se sabe exatamente qual a postura do Partido Comunista Chinês diante de tal condição histórica: estaria aguardando um novo salto das forças produtivas, talvez o pleno desenvolvimento da computação quântica, para implementar relações de produção realmente avançadas e socialistas, ou teria definitivamente capitulado perante o poder do dinheiro e do capital?

Mistério!





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

AUTOCRÍTICA

Com muita frequência, o vertente sítio eletrônico, ou blog, recebe críticas acadêmicas em razão da ausência de acabamento empírico e formal, bem como de referências bibliográficas. 

Há certa dose de razão nisso, mas nota bene.

Cuida-se aqui de uma plataforma deprovida de qualquer pretensão ou veleidade acadêmica, eis que é produzida no âmago e para um partido político, cujos critérios de validade e veracidade destoam daqueles da Academia, com seus rituais formais, empíricos e bibliográficos. 

Nesse diapasão, é de rigor aduzir que o critério de validade das hipóteses aqui ventiladas é a PRÁTICA POLÍTICA, nos exatos termos das Teses contra Feuerbach, que não se confunde integralmente com o universo da empiria.

Demais disso, faz-se mister também aventar que a Academia oficial, cuja chancela parece dispensável para este veículo eletrônico, cumpre seu papel institucional de produzir força de trabalho para o capital, nos termos que aqui temos teoricamente suscitado, enquanto este blog peleja precisamente pela erradicação da oposição entre capital e força de trabalho.  

Todavia, este núcleo partidário ostenta, também, sua versão mais acadêmica com a revista marxista Mouro.

Enfim, as críticas acadêmicas serão sempre muito bem aceitas, mas cum grano salis, nos termos acima aludidos, ou seja, serão acatadas se colimarem, de alguma forma, a transformação social de jaez socialista. 




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

TEMAS SOBRE O MOVIMENTO HISTÓRICO PENDULAR DAS TEORIAS DO VALOR.

Antes de configurar uma controvérsia teórica, marxismo e marginalismo, enquanto teorias antagônicas do valor econômico, consitituem uma oposição e um conflito histórico prático, social e concreto entre o processo de produção e o processo de circulação de mercadorias e, ulteriormente, de capital. 

Sem embargo, no período da Idade Moderna, o antigo sistema colonial descrito por Fernando Novais representa precisamente tal conflito histórico, com os donos do dinheiro ou mercadores, isto é, a burguesia comercial haurindo mais-valia mediante o processo de circulação de mercadorias, pela diminuição dos preços de compra dos produtos das colônias ultramarinas e aumento dos preços de venda de tais produtos na metrópole, com supedâneo no exclusivo colonial e na grande utilidade marginal dos produtos coloniais, exóticos na metrópole. Daí o predomínio, em tal época histórica, da teoria marginalista quanto à determinação dos preços.   

Com a acumulação primitiva de capital e o advento da grande revolução industrial inglesa do século XVIII, tal conflito entre trabalhadores e mercadores é definitivamente resolvido em favor destes últimos, que, introduzindo o dinheiro no próprio processo de produção mediante compra e venda de força de trabalho, passam a extrair mais-valia nesse mesmo âmbito do processo de produção econômica, de que resulta o predomínio da teoria marxista na determinação dos preços. 

Mas a concentração e centralização de capital e as crises de superprodução conduzem, inevitavelmente, ao retorno da necessidade de lançamento de novos valores de uso de alta utilidade marginal para compensar tais crises, em um retorno da teoria marginalista na deteminação dos preços e na obtenção de mais-valia no âmbito do processo de circulação de capital. 

Hipóteses sub judice. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

sábado, 1 de agosto de 2026

POR UMA UNIVERSIDADE PARTIDÁRIA

Já ventilamos aqui que a função precípua do Estado consiste na produção da mercadoria denominada força de trabalho, através de serviços como segurança, educação e saúde. 

Do mesmo modo, também aventamos que os partidos nada mais são do que proto-Estados na iminência de se convolarem no próprio Estado. 

Os partidos burgueses, portanto, reproduzem a dissociação entre capital e trabalho, ou seja, operam na frequência da produção da força de trabalho a ser explorada pelo capital.

Os partidos proletários realmente revolucionários, todavia, operam no sentido da emancipação da força de trabalho como tal, de modo a superar a dicotomia social entre capital e trabalho num estágio superior de modo de produção.

Destarte, tais partidos proletários devem conter em germe, de forma embrionária, as instituições estatais aptas a emancipar a força de trabalho, entre elas a instituição educacional hábil a preparar a classe trabalhadora para tal emancipação. 

Nesse diapasão, preconizamos aqui a necessidade do partido proletário revolucionário conter e abrigar, em seu âmago, uma universidade partidária capaz de preparar a classe trabalhadora para a própria emancipação. 

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.