sexta-feira, 28 de agosto de 2026

CIÊNCIA E TRABALHO

A forma básica de divisão social do trabalho opõe o capital (detentor do trabalho eminentemente intelectual e, em decorrência, da produção científica) e o trabalho em sentido lato (vale dizer, aqui, como trabalho eminentemente manual), divisão esta que se reproduziu, verbi gratia, na experiência soviética, em que uma classe trabalhadora fabril típica arrostava uma classe burocrática de servidores públicos intelectuais engajados na imensa tarefa de planificação econômica. 

De outro bordo, aventamos aqui que a função precípua do Estado capitalista consiste na produção da mercadoria denominada força de trabalho, sendo certo que a hodierna revolução digital engendrou uma força de trabalho eminentemente intelectual engajada na produção de programas de computador (software), subvertendo, destarte, a mencionada divisão social do trabalho básica entre capital e trabalho, pois agora a classe trabalhadora também encerra sua parcela eminentemente intelectual nos produtores de tecnologia da informação. 

Ora, se considerarmos uma vindoura planificação econômica descentralizada e instruída por tecnologia digital (consoante temos preconizado também aqui), em substituição à mencionada burocracia sovética, podemos supor que a hodierna parcela intelectual da classe trabalhadora encontra-se apta a gerir e administrar tal tarefa de planificação econômica em ambiente de relações de produção tipicamente socialistas. 

A unificação política entre as parcelas manual e intelectual da classe trabalhadora exibe-se, portanto, como tarefa inadiável, conquanto difícil. 

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.   

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