O que há de atraente no enigma?
Para tentar responder a tal indagação, recorreremos a um singelo bosquejo de exame da bela canção de Chico Buarque intitulada "Terezinha"
Nesse diapasão, partiremos novamente da bifurcação da produção e reprodução da vida material humana em: 1. universo da reprodução sexuada, mediado pelo amor, em que se produz o ser humano em todas as suas potencialidades; e 2. universo do trabalho, mediado pelo dinheiro e correlata circulação de mercadorias, em que se mutila o ser humano para engendrar a força de trabalho.
Pois bem, o primeiro que chega à Terezinha, na canção em comento, representa a relação de produção consubstanciada na mercadoria, pois vem do florista lhe trazendo um bicho de pelúcia, um broche de ametista, mostra o relógio e conta vantagens e viagens.
O segundo é a personificação do dinheiro, representado na liquidez da aguardente que oferece a Terezinha, ou seja, é o aspecto abstrato da mercadoria, que não entrega nem vale, em si, nada, que a assusta.
Logo, o primeiro e o segundo que chegam a Terezinha participam do universo de 2.
Já o terceiro representa realmente o universo de 1, pois chega do nada e não lhe traz mercadoria ou dinheiro, mas verdadeiro amor, e atrai Terezinha enquanto ser humano em sua plenitude, com todas as verdadeiras e enigmáticas potencialidades que o membro da espécie do homo sapiens encerra.
O enigma atrai e encanta, provavelmente, por todos os misteriosos meandros pelos quais pode perpassar a personalidade humana que não é mutilada como força de trabalho.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
Muito bom
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