A Humanidade ainda não existe como realidade concreta, mas somente enquanto conceito vago e abstrato, restando a espécie humana fragmentada em classes sociais antagônicas e Estados nacionais beligerantes entre si, de tal sorte que a erradicação da propriedade privada dos meios de produção, em um vindouro modo comunista de produção em âmbito mundial, exibe-se como pressuposto básico para que tal conceito abstrato adquira concretude.
Dito isto, é de rigor obtemperar que a etnologia encerra especial predileção pelo estudo de povos originários, como os indígenas do Brasil, que ainda vivem, de alguma forma, sob o pálio do modo de produção comunista dito "primitivo", que seria aquilo que mais se aproxima de sociedade despojada de propriedade privada dos meios de produção.
Mas vejam!
O assim denominado comunismo primitivo, que de certa forma se aproxima da realidade concreta da Humanidade, nos termos acima mencionados, não constitui propriedade coletiva MUNDIAL dos meios de produção, quedando ainda como certa "propriedade privada coletiva" de um determinado povo, e não propriedade coletiva de todos os seres humanos que habitam este planeta.
Por tal motivo, a etnologia, como a de Lévi-Strauss, observou que os povos originários do Brasil submetem-se ainda a certas estruturas sociais que os governam de forma heterônoma e alienada, como uma razão externa que dita seus cânones aos habitantes da floresta, exatamente como nós, ditos "civilizados", ainda nos submetemos aos ditames do capital como estrutura social heterônoma e alienada, consoante nos lembrava Louis Althusser.
No comunismo mundial vindouro, tais estruturas alienadas desaparecerão em nome do autogoverno da verdadeira Humanidade, que tomará de assalto as rédeas de sua própria história.
Hipóteses sub judice.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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