sábado, 29 de junho de 2024

A indigência do jornalismo econômico brasileiro

 A taxa de desemprego no Brasil baixou para 7,1%, uma das menores da história, e a cotação do dólar, em razão disso, foi a 5,6 reais ontem, pois o denominado “mercado” vive atrelado à famigerada curva de Phillips, malgrado as evidências em contrário!


Mas o jornalismo econômico pátrio atribui a deterioração do câmbio às críticas de Lula ao banco central!


Pura indigência do jornalismo brasileiro!






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

O POLÍMATA KARL MARX.

 A obra magna de Karl Marx, O Capital, foi originalmente redigida no idioma alemão, mas dado o grau de universalismo de seu teor e conteúdo, rapidamente foi traduzida para a maioria dos idiomas, tornando-se uma verdadeira Bíblia moderna, amplamente lida no mundo todo.


O grau de abstração dessa obra, todavia, permitiria que fosse redigida em linguagem matemática, notadamente quanto à lei de contínuo aumento da composição orgânica do capital e correspondente declínio tendencial da sua taxa de lucro, uma lei econômica e matemática descoberta por Marx.


Mas esse autor considerou politicamente mais interessante atribuir à obra um jaez mais discursivo e mais acessível ao grande público não versado na notação matemática, malgrado Marx dominasse tal linguagem matemática e inclusive a tivesse como passatempo, ele que apreciava o cálculo diferencial e integral.


Marx era um polímata, e tinha condições de redigir uma obra matemática, máxime porquanto o nível de abstração e universalismo do teor de O Capital o permitia, mas para fins políticos preferiu o discurso do idioma coloquial, não a linguagem lógica.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 26 de junho de 2024

SÓCRATES 2

No impropriamente denominado "comunismo" primitivo, a propriedade privada coletiva de determinado grupo de seres humanos funda-se no binômio trabalho e violência, a saber, pelo trabalho transformam-se determinados meios de produção, notadamente a terra, em produtos satisfativos de necessidades humanas; pela violência evita-se a turbação da posse desses meios de produção por outros grupos humanos. 

O escravismo antigo decorre dialeticamente do trabalho e da violência acima descritos, de tal sorte que surge uma classe social que só trabalha (escravos) e outra que domina esta primeira pela violência (senhores). 

Nos poros e fímbrias do escravismo antigo exsurgem mercadorias decorrentes do excedente de produção desta formação social, que circulam por meio do dinheiro, a saber, uma atividade que dispensa o trabalho e a violência e atua por meio da razão, vendendo caro e comprando barato mediante as diferenças de preços. 

A classe que exerce a circulação de mercadorias pelo dinheiro denomina-se burguesia, que opera racionalmente nas fímbrias do modo escravista antigo de produção. 

Sócrates e seu racionalismo são fruto legítimo, portanto, do dinheiro e da burguesia mercantil, que mais tarde, na história, convolar-se-á no capital industrial.

Todas as formas de filosofias irracionalistas e niilistas posteriores a Sócrates representam um saudosismo do domínio da violência sobre o trabalho no escravismo antigo. 




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

domingo, 23 de junho de 2024

LADAINHA

E o PIG (partido da imprensa golpista) continua sua campanha subversiva contra o governo Lula mediante a velha ladainha econômica do desajuste fiscal que seria responsável pela inflação e por todos os males dela decorrentes na nação brasileira. 

Com efeito, esse discurso não consegue transcender o binômio oferta e demanda no âmbito do processo de circulação de capital, atribuindo à demanda efetiva ou às baixas taxas de desemprego a carestia e tudo que de mal acontece neste país. 

Já esgrimi inúmeras vezes que, na verdade, é o próprio capital que provoca inflação e juros elevados, em razão da lei descrita por Karl Marx consistente no declínio tendencial da taxa de lucro, combatida com aumento generalizado de preços. 

Sem embargo, hodiernamente a revolução digital difundiu-se pelo mundo afora e provocou um incremento do valor da força de trabalho e consequente diminuição da taxa de mais-valia, decorrente da necessidade de sua maior qualificação com um aumento do tempo de sua formação no âmbito escolar, fora dos limites familiares. 

Isso causou uma diminuição nas taxas de lucro do capital pelo mundo afora, e desde a década de 2020 o planeta convive com altas taxas de inflação decorrente da contraposição do próprio capital a tal declínio.

Mas o discurso econômico neoliberal dominante não admite olhar para esse processo de produção de capital, pois isso requer uma admissão da existência da extração da mais-valia, a saber, da exploração econômica do ser humano pelo seu semelhante, que acompanha o Homo sapiens desde seu nascedouro. 

Mudar esse estado de coisas, de fato, é muito difícil. 





por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador formado pela USP.  

sábado, 22 de junho de 2024

BERNARDO BERTOLUCCI

Bernardo Bertolucci foi um cineasta italiano de grande envergadura e sucesso no mundo inteiro, mas hoje foi cancelado por acusações de ter filmado uma cena de violência sexual real, em que a atriz Maria Schneider teria sido estuprada. 

Como dizem o franceses, c´est dommage.

Realizou obras primas como 1900, O céu que nos protege e O último imperador, o qual recebeu nove Oscars da Academia de ciências cinematográficas dos Estados Unidos. 

Mas o seu projeto mais ambicioso, em que a cena de estupro real acima mencionada foi filmada e integrou a montagem final da película, foi O último tango em Paris, de 1972. 

Não fosse pela cena de estupro que o integra, esse filme provavelmente figurasse entre os maiores já realizados em todos os tempos. 

Com efeito, Louis Althusser postulava que somos todos meros vetores de determinações estruturais do capital, ao passo que hodiernamente o biólogo Robert Sapolsky aniquilou em sua obra a existência do livre arbítrio entre nós. 

A individualidade, pois, foi colocada em xeque mate, de tal sorte que não nos seria facultado usar nomes individuais para distinguir nossa subjetividade individual. 

Sem embargo, na produção e reprodução de sua vida material em sociedade, os seres humanos contraem entre si relações de produção heterônomas que escapam ao seu controle e volição, dirigindo-lhes o destino de forma alienada e reificada; por outro lado, na reprodução dos próprios indivíduos humanos, a sexualidade impõe suas determinações, a começar pela definição de macho e fêmea.

Destarte, Marx e Freud foram a dupla que moldou definitivamente nossa percepção da produção e reprodução da vida material humana, seja no campo do trabalho, seja no campo da reprodução sexuada, de tal sorte que somente nos é dado usar dois nomes de cada vez, a saber, ou o binômio capital e trabalho, ou o binômio macho e fêmea e suas derivações.

O mencionado filme mostra um casal que não se identifica individualmente, malgrado a atração sexual que os une, e quando se identificam finalmente, parecem mais sombras dançando uma coreografia preconcebida como no tango. 

Mas a cena de estupro maculou toda a película, que atualmente foi colocada no ostracismo. 

O que teria conduzido Bertolucci a filmar e aproveitar essa violência sexual, não sei dizer, mas me parece lamentável. 

Enfim, é uma pena...





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

SÓCRATES

A morte de Sócrates, o filósofo grego, marca o início da ideologia que no século XX seria conhecida como fascismo.


O racionalismo socrático reflete a ascensão da circulação de mercadorias mediante o dinheiro em um universo histórico dominado pelo modo de produção escravista antigo, com a decorrente dissociação entre atividade eminentemente intelectual (dinheiro) e atividade eminentemente manual (produção de mercadorias).


Os algozes de Sócrates combatiam esse irrefreável ímpeto histórico da ascensão monetária no mundo escravista, colimando extirpar a classe burguesa em seu nascedouro, mas quando os nazifascistas vituperavam contra a finança judaica, também deliravam com a utopia de uma sociedade de senhores e escravos despojados da racionalidade capitalista!


Uma ideologia perniciosa que elegia um inimigo imaginário na sociedade, o dinheiro, que era suscetível de hiperinflação, para propor uma fusão de classes produtivas, capitalistas industriais e proletariado, contra essa finança estrangeira e judaica.


O futurismo industrialista foi a manifestação mais clara de tal fusão no âmbito estético.


A morte de Sócrates é o pecado original da Bíblia nazifascista.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

NAZISMO 3

 A democracia antiga cingia-se a uma minoria aristocrática de que não participavam os trabalhadores escravos.


A democracia moderna estende-se a todos, burguesia e proletariado, donos do capital e trabalhadores assalariados, e funciona mais ou menos como termômetro da luta de classes.


O nazifascismo quer, portanto, abolir a democracia com a união entre classes antagônicas!






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.