Sem embargo, se Hegel expôs, em sua Fenomenologia do Espírito, o desenvolvimento da história humana mediante a astúcia da razão, Marx exibiu, em O Capital, a evolução das categorias econômicas através da astúcia do dinheiro.
Ora, inicialmente como forma embrionária enquanto valor de troca, esse aspecto abstrato da mercadoria, o dinheiro emancipa-se como circulação de mercadorias para enfim culminar no capital, quando retorna ao concreto submetendo o próprio processo de produção de mercadorias.
Destarte, há uma notável homologia entre as duas obras filosóficas acima mencionadas, nas quais os seres humanos aparecem como títeres de desígnios transcendentes que lhes dirigem e governam a própria história à sua revelia, e até contra os mesmos.
Evidentemente, há discrepâncias muito importantes entre Hegel e Marx, pois se, para o primeiro, a história humana pode culminar na forma elevada do Estado burguês enquanto estágio derradeiro de tal história (vide a obra do idealista hodierno Francis Fukuyama), para Marx o Estado burguês, como forma política do capital, representa apenas o estágio derradeiro da pré-história da verdadeira Humanidade, a saber, uma Humanidade ainda vindoura e despojada de divisões entre classes sociais e Estados nacionais, quando então os seres humanos livremente associados tomarão de assalto as rédeas de sua própria história.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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