Até a primeira metade do século passado, as revoluções industriais que sacudiram o modo capitalista de produção atingiram primordialmente o processo de produção de capital, deixando quase incólume o processo de circulação de capital.
A hodierna revolução digital, todavia, atinge precisamente tal processo de circulação de capital, com aumentar a velocidade de rotação de capital e diminuir, destarte, os faux frais da circulação, o que pode incrementar a taxa de lucro, cuja tendência é naturalmente declinante.
Destarte, tal revolução digital pode ser considerada como uma dobra do capitalismo sobre si próprio, na medida em que se cuida de progresso técnico que atinge apenas indiretamente o processo de produção de capital, acelerando-o.
Mas as dificuldades teóricas começam quando se faz mister discernir o trabalho envolvido em tal revolução digital, ou seja, quando se indaga a propósito de seu jaez produtivo ou improdutivo.
Nesse diapasão, é de rigor estabelecer distinção entre produção e uso (ou manejo) dos programas de computador ou software, de tal sorte que poderíamos considerar o trabalho envolvido no primeiro caso como produtivo e, no segundo, como improdutivo, sendo certo que, ao lado da produção de software, há também o trabalho produtivo de fabricação de dispositivos digitais, como computadores e telefones celulares.
Entretando, o trabalho produtivo de software e dispositivos digitais queda subsumido nas necessidades e injunções econômicas impostas pelo processo de circulação de capital em sentido mais clássico, de tal sorte que poderíamos aventar a hipótese de que se cuida de trabalho produtivo de segunda categoria ou geração, já que tal processo de circulação de capital exibe-se majoritariamente improdutivo.
São hipóteses sub judice, a lapidar e desinibir.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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