quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

LENOCÍNIO

 A sociedade pune criminalmente o lenocínio, mas não a prostituição, o que é interessante e complexo ao mesmo tempo!


Sim, parece que se admite até mesmo a circulação mercadológica dos serviços de lascívia pelo dinheiro, mas não a exploração tipicamente capitalista de tais serviços!


Nesse caso, a liberdade individual suplantou o lucro enquanto princípio e diretriz social!


Mas, no geral, essa distinção entre prostituição e lenocínio sob prisma legal ainda se nos antolha um mistério!







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

ATA-ME

 Na produção e reprodução da vida humana material, há duas instâncias fundamentais: o trabalho e a reprodução sexuada.


Pelo trabalho, os seres humanos contraem entre si relações de produção cuja materialidade é evidente, mas pela reprodução sexuada as relações parecem estar envolvidas por uma forma mais etérea, a saber, o sentimento de amor!


Todavia, o amor também é uma relação de produção de jaez material, cujas circunstâncias concretas podem ser mais importantes do que os sentimentos em sua manifestação pura.


É precisamente isso o que mostra a deslumbrante película cinematográfica intitulada Ata-me, de Pedro Almodóvar, em que as cordas com que a personagem principal é amarrada e presa pelo protagonista representam exatamente a materialidade do amor.


Mas vejam.


Se as relações de produção podem tolher a liberdade humana, as relações de amor, por suposto, também podem!






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O ACRÔNIMO STEM

Enfim, a festejada economista liberal DEIRDRE NANSEN McCLOSKEY acertou na mosca, especificamente no artigo publicado hoje na versão eletrônica do jornal Folha de SP, em que se dedica a criticar veementemente a famigerada sigla STEM, iniciais em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática, a qual pressupõe uma certa hostilidade contra as assim denominadas ciências humanas e a cultura em geral. 

Com todo o devido respeito, todavia, essa economista, liberal que é, esqueceu-se de acrescentar que a STEM decorre precisamente de ideologia liberal de jaez burguês, a qual se inclina a enaltecer o assim denominado departamento 1 da vida econômica, voltado à produção de meios de produção, em detrimento do departamento 2, destinado à produção de meios de consumo. 

Isso tem uma explicação.

Ora, o capital consiste precisamente na propriedade privada de meios de produção, os quais são portanto enaltecidos normalmente pela ideologia burguesa, afora o fato de que a primeira grande revolução industrial do capitalismo, a inglesa do século XVIII, tenha incidido basicamente sobre os meios de produção, deixando os meios de consumo, notadamente de natureza têxtil, quase incólumes.

A atual revolução digital, ao contrário, incide com maior intensidade justamente nos meios de consumo e de circulação de capital.

Eu me inclinaria a cumprimentar efusivamente a respeitável senhora Deirdre McCloskey pelo artigo acima aludido, mas, como lembra meu camarada Lincoln Secco, um relógio parado também acerta de vez em quando.







por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.  

MAIS DEZ SUGESTÕES MUSICAIS

 1. Zwei Gesänge, opus 91, de Brahms;

2. ⁠Tocata e fuga, de Bach;

3. ⁠Concerto para violão e orquestra, de Villa-Lobos;

4. Quadros de uma exposição, de Mussorgsky;

5. ⁠Noite transfigurada, de Schönberg;

6. ⁠Concerto para piano e orquestra, de Grieg;

7. ⁠Concerto para orquestra, de Bartók;

8. ⁠Passacaglia, de Webern;

9. ⁠Scheherazade, de Rimsky-Korsakov;

10. ⁠Uma noite no Monte Calvo, de Mussorgsky.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

OUTRAS DEZ SUGESTÕES MUSICAIS

 1. Alborada del Gracioso, de Ravel;

2. ⁠Variações Goldberg, de Bach;

3. ⁠Reverie, de Debussy;

4. ⁠Intermezzo n. 2, opus 118, de Brahms;

5. ⁠Concerto para piano e orquestra, de Schumann;

6. ⁠Danças Sinfônicas, de Rachmaninov;

7. ⁠Sinfonia n. 3, de Brahms;

8. ⁠Rapsódia sobre um tema de Paganini, de Rachmaninov;

9. ⁠Concerto para cravo, de Manuel de Falla;

10. ⁠Sete canções populares espanholas, de Manuel de Falla.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

UMA DÚVIDA DILETANTE

Solicito encarecidamente aos senhores com formação, acadêmica ou não, em física que me esclareçam a seguinte indagação diletante, cuja pertinência teórica, todavia, sinceramente não sei se encerra algum fundamento:

Como pode a velocidade da luz ser um elemento mensuradamente constante se os objetos celestes afastam-se em velocidade variável, segundo a constante de Hubble?

Ou: a mensuração da velocidade da luz considera e deduz a constante de Hubble, isto é, a velocidade da expansão do universo?

Agradeço encarecidamente qualquer manifestação tendente a dirimir tal dúvida diletante de minha parte. 





por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.    

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

PEQUENA EPISTEMOLOGIA DA ARTE

 Diria que filmes encerram um jaez mais empirista e autoritário de arte e informação, enquanto músicas e livros ostentam natureza mais racionalista e livre, na medida em que autorizam uma imaginação mais robusta e exuberante.


Filmes aprisionam o espectador no presente da exibição respectiva, ao passo que músicas e livros permitem deambular pelo passado e pelo futuro.


Sob aspecto epistemológico, empirismo e racionalismo parecem um tanto complementares, malgrado este último permita suplantar o real e vislumbrar um futuro exequível a ser construído.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

DEZ SUGESTÕES MUSICAIS

 1. Balada n.1, de Chopin

2. ⁠Concerto para piano e orquestra n. 20, de Mozart 

3. ⁠Concerto para piano e orquestra n. 2, de Brahms

4. ⁠Concerto para violoncelo e orquestra, de Schumann 

5. ⁠Tristão e Isolda, de Wagner 

6. ⁠Concerto para piano e orquestra n. 2, de Rachmaninov

7. ⁠Concerto para piano e orquestra n. 1, de Tchaikovsky

8. ⁠Concerto para piano e orquestra, de Scriabin

9. ⁠Concertos de Brandenburgo, de Bach

10. ⁠Concerto para piano e orquestra n. 5, de Beethoven.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 21 de dezembro de 2025

O CAPÍTULO PRIMEIRO

 O primeiro capítulo do livro primeiro de O Capital de Karl Marx é de importância axial, pois enceta a distinção entre valor de uso e valor de troca da mercadoria como categoria econômica, o que inaugura a dissociação entre processo de produção e processo de circulação de capital, bem assim a teoria marxista do valor, conquanto, segundo nossos pressupostos já aqui exibidos, Marx não tenha atribuído, quanto ao valor de troca da força de trabalho enquanto mercadoria, o devido destaque ao papel da violência na determinação de tal valor.


O marginalismo, por outro lado, somente divisa na mercadoria o seu valor de uso e respectivo processo de circulação de capital, ocultando o valor de troca e a extração de mais-valia no processo de produção de capital, e nesse sentido cumpre seu papel como ideologia da sociedade burguesa.


O keynesianismo bebe precisamente das águas do marginalismo e oculta o processo de extração de mais-valia, cingindo-se também ao processo de circulação de capital, e parece que até mesmo o marxista Kalecki padece de tal espécie de limitação.


Urge investigar, hodiernamente, os quinhões do trabalho e da violência na determinação do valor da força de trabalho produzida pelo Estado capitalista.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

1810

 O ano de 1810 da era cristã é de extrema importância histórica, no meu humilde modo de entender, pois abroquela dois marcos importantes no processo de crise terminal do assim denominado Antigo Sistema Colonial e, via oblíqua, de consolidação da substituição da circulação simples de mercadorias pela circulação de capital propriamente dito em escala global.


Nesse diapasão, a celebração do Tratado de Comércio e Navegação entre Brasil e Inglaterra, bem assim a Revolução de Maio em Buenos Aires na Argentina, nesse ano, configuram eventos típicos de uma nova forma de imperialismo, agora escancaradamente britânico e capitalista industrial.


Na orbe cultural, destaco o nascimento de dois gênios da música romântica, Frederic Chopin e Robert Schumann, compositores, respectivamente, da Balada n. 1 para piano e do Concerto para Violoncelo e Orquestra, as duas obras mais espantosas do repertório musical clássico.


Mas o acontecimento mais importante, na verdade, foi a inauguração da Biblioteca Real no Rio de Janeiro, atual Biblioteca Nacional, marco de um possível advento da identidade cultural brasileira.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

P.I.G.

 Invariavelmente, o assim denominado PIG sói estabelece relação direta de causalidade, de fundamento extremamente duvidoso, entre a pujança de Lula nas pesquisas eleitorais e a queda da bolsa de valores acompanhada do aumento da cotação do dólar.


Relação de causalidade, em ciências econômicas, exibe-se algo de alta indagação e complexidade, máxime em se tratando de flutuações do mercado de ações e das taxas de câmbio, de tal sorte que, com todo o devido respeito ao PIG, tal atitude diante das pesquisas eleitorais parece-me um desserviço à informação da população!


Faz-se mister objetividade e cuidado extremos na coleta e tratamento dos dados econômicos, o que é sabidamente difícil, mas falta hodiernamente isenção nesse quesito, e em dimensão muito importante.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

MEA MAXIMA CULPA

 Há muito tempo, encetei relacionamento amoroso que estava inexoravelmente condenado ao fracasso: uma namorada que era fisicamente idêntica à minha mãe.


O problema é que o complexo edipiano, no meu caso concreto, é de uma delicadeza extrema, desde a morte precoce de meu pai aos 47 anos de idade.


Preferi remanescer com a mãe verdadeira a manter o relacionamento com a, digamos, mãe falsa, e difundi, destarte, sofrimento para todos os lados.


Mea culpa, mea maxima culpa.


A vida é dura.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

AMOR E CAPITAL

 Karl Marx asseverava que o jaez social e gregário do homo sapiens já está pressuposto na relação entre mulher e homem, mediante a qual a sociedade reproduz-se biologicamente, e esse aspecto da reprodução social da vida material humana é aquele que nos une efetivamente.


Mas, afora a reprodução sexuada, o homo sapiens precisa trabalhar para sobreviver, e esse aspecto nos separa em classes sociais antagônicas, mediante contração de relações de produção alienadas e heterônomas que nos governam à nossa revelia e que atingem o paroxismo no capital.


Nossa tarefa, pois, é superar o capital para soerguer a verdadeira humanidade ancorada numa sociedade sem divisão de classes sociais, em que o trabalho heterônomo será extinto e prevalecerá a relação fraterna entre os indivíduos da nossa espécie biológica.


Tal revolução exibe-se, portanto, um ato de amor ao homo sapiens, que poderá então unir-se na reprodução biológica, de caráter gregário, de forma mais livre e edificante.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 14 de dezembro de 2025

DETERMINISMO EM O CAPITAL

 Deparei-me com indagações a propósito do jaez determinista da lei do declínio tendencial da taxa de lucro e, diante disso, debrucei-me sobre tal aspecto da obra magna de Karl Marx, máxime quanto à sua formalização matemática, e logrei um resultado provisório, a saber:


A lei tendencial da queda da taxa de lucro descreve um sistema dinâmico não linear,

estruturalmente determinista,

cujo comportamento empírico se manifesta de forma estatisticamente irregular,

admitindo formalização estocástica apenas no plano fenomênico, nunca no ontológico.


Isso se prende ao fato de que, malgrado seu caráter essencialmente determinista, apesar das contratendências assinaladas na dita lei, a pesquisa empírica e fenomênica sobre a evolução histórica da taxa de lucro exibe um caráter mais aleatório.


Cuida-se, evidentemente, de tema bastante complexo e controverso, merecedor de mais estudos.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

NOTA URGENTE!

 “Membros deste Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores foram recentemente vitimas de ataques de jaez evidentemente fascista através de meios insidiosos!


O fascismo e seus métodos supostamente intimidadores, todavia, não exibirão o condão de silenciar os veículos de informação e formação política mantidos por este núcleo partidário, seja o vertente portal eletrônico, seja a revista marxista Mouro!


Fascistas não passarão!”

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

MARX E EINSTEIN DIANTE DO DETERMINISMO E DA PROBABILÍSTICA

É cediço o jaez infrutífero das investigações de Albert Einstein no tocante à teoria de campo unificado, em que colimava harmonizar matematicamente a teoria geral da relatividade e o eletromagnetismo, frustração esta resultante em grande medida da desconsideração da mecânica quântica e seu caráter probabilístico e não determinista. 

Mas Karl Marx também experimentou um dilema similar quando arrostou o contraste entre a natureza determinista de O Capital e o caráter probabilístico das lutas de classes no Manifesto Comunista. 

Quer me parecer que, em ambos os casos, quanto mais empírico e próximo da experiência e dimensão humanas, mais probabilístico é o conhecimento, ao passo que, quanto mais teórico, conceitual e distante da experiência e dimensão humanas, mais determinista se exibe tal conhecimento.

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ENGENHEIROS E ADVOGADOS

Em recente entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo, aos 30/11/2025, o pesquisador da prestigiada universidade Stanford, Dan Wang, estabelece um cotejo entre as sociedades chinesa e estadunidense, destacando o predomínio de engenheiros na primeira e advogados na segunda. 

Com todo o devido respeito, tal exame antolha-se-me de uma ingenuidade gritante, de tal sorte que ousarei aqui bosquejar certa tentativa de cotejo mais consentânea com uma análise de jaez marxista. 

Nesse diapasão, creio que os Estados Unidos encerram uma cena econômica hodierna com características de predomínio do processo de circulação de capital, enquanto a China ostenta uma economia fundada no processo de produção de capital com elementos de planejamento estatal mais evidentes. 

Sem embargo, a revolução digital estadunidense revelou-se um grande movimento infenso ao declínio da taxa de lucro do capital industrial manufatureiro, que de certa forma resolveu tal tendência declinante dos ganhos mediante aceleração do processo de circulação de capital por intermédio da informática, reduzindo os faux frais de produção e incrementando, destarte, a taxa de lucro: no entanto, quer me parecer que tal movimento acabou por desindustrializar o país, com o capital migrando de forma massiva para o setor de circulação de capital em detrimento do setor de produção, o que explica, em certa medida, a política de reindustrialização entabulada, de forma um tanto açodada, atualmente por Donald Trump.

Não me deterei na história econômica chinesa, de uma complexidade mais desafiadora, mas parece evidente que sua economia de caráter fortemente industrial e manufatureiro autoriza a asserção de que nela, ao contrário dos Estados Unidos, o processo de produção de capital ainda não foi ofuscado pelo processo de circulação respectivo. 

São singelas hipóteses sub judice.





Por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador e advogado.