A força da gravidade pode ser resultante da interação entre a força de expansão do universo e a força de atração entre as partículas.
Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.
A força da gravidade pode ser resultante da interação entre a força de expansão do universo e a força de atração entre as partículas.
Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.
A luz não exibe velocidade, mas aquilo que comumente denominamos “velocidade da luz” consiste, na verdade, na velocidade de expansão do Universo.
Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.
Há duas formas básicas de relações de produção:
1. A relação mediada pelas mercadorias, impessoal e heterônoma;
2. A reprodução sexuada, personalíssima e autônoma.
Esses dois polos da produção e reprodução da vida material imediata dos seres humanos indicam seus vértices abstrato e concreto.
Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.
SOBRE “2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO”
Espetáculo soberbo e de grandes pretensões intelectuais, o filme de Stanley Kubrick mostra, sob a sombra do Friedrich Nietzsche de “Assim falou Zaratustra”, o embate entre o homem e a inteligência artificial, no caso representada pelo supercomputador HAL, cujo nome deriva de “heurístico algorítmico”. Com efeito, eis mais uma película que nos impele à reflexão, o que, já o tenho suscitado, indica a importância de uma obra de arte. Sendo assim, vejamos:
Em filosofia, a metafísica deriva da ilusão consistente em conferir autonomia à alma ou espírito, em contraposição ao corpo. Tal engodo, por seu turno, radica na oposição entre trabalho e pensamento. Explico: a necessidade de produzir e reproduzir heterônoma e diariamente a vida material enseja nos indivíduos a ilusória sensação de que seu pensamento, ao contrário do corpo, é livre, de que derivaria sua suposta autonomia.
O materialismo histórico mostrou a metafísica da mercadoria, plena de “manhas teológicas” na contraposição entre valor-de-uso e valor tout court: se o primeiro aspecto da mercadoria serve para satisfazer necessidades humanas, o segundo serve, na sua abstração, apenas para a acumulação infinita de capital, a despeito daquelas necessidades humanas.
Esta contradição metafísica e “teológica” da mercadoria somente poderá ser sobejada pela abolição da propriedade privada dos meios de produção, enfim, do capital e da supressão das classes sociais, quando então uma forma de Inteligência Artificial supranacional, mundial, será capaz de planejar a produção e reprodução diária da vida material de tal forma a exigir de cada um conforme suas potencialidades, e dar a cada uma conforme suas necessidades.
Neste caso, fica superada a forma mercadoria do produto social e extinto seu valor abstrato, valendo apenas seu valor-de-uso, a saber, sua aptidão para satisfazer necessidades humanas, e é este aspecto que será submetido à planificação por uma Inteligência Artificial mundial. Com a suplantação das manhas teológicas da mercadoria, extinguir-se-á toda a metafísica em matéria filosófica, pois os indivíduos na sua inteireza, unidade de corpo e pensamento, restarão real e plenamente livres do trabalho heterônomo: valerão as reais necessidades dos indivíduos, e não as necessidades do capital, alienadas daquelas.
Mas o que Nietzsche diz com isso tudo? Ora, este pensador procurou terminar definitivamente com toda a forma de metafísica em matéria de filosofia, mas talvez seu super-homem (übermenschen) advirá somente com o comunismo, tal qual vaticinado por Marx e os demais materialistas históricos.
(Por Luis Fernando Franco Martins Ferreira)
O curso da história econômica demonstra que o fluxo populacional nos distintos ramos da produção e reprodução da vida material segue os vetores do aumento da produtividade e do consectário aumento do excedente nesses ramos.
Assim, até o advento da primeira revolução industrial no século XVIII, a atividade econômica preponderante corresponde à agropecuária com baixo nível técnico, baixa produtividade e modesto excedente econômico, de tal sorte que a quase totalidade da população resta ainda presa ao trabalho braçal no campo, sendo quantitativamente restrita a população que, compondo a classe social dominante, não precisa realizar tal trabalho braçal e é alimentada por esses trabalhadores rurais.
Com o progresso técnico resultante do advento da primeira Revolução Industrial e com as revoluções técnicas ulteriores, máxime em decorrência do progresso do maquinário agrícola, o excedente econômico produzido pela atividade agropecuária é exponencialmente incrementado e passa a ser em grande parte consumido pela parcela da população envolvida na atividade industrial, de tal sorte que ocorre um fluxo migratório das regiões agrícolas para as regiões industriais urbanas. O trabalho braçal no campo é gradativamente substituído pelo trabalho manual nas fábricas, sendo que a população envolvida no setor secundário da economia aumenta sobremodo, em detrimento da população rurícola.
As ulteriores revoluções técnicas, por seu turno, incrementam a produtividade do trabalho fabril e o próprio excedente produzido por tal atividade, de tal sorte que se verifica um novo fluxo migratório em direção ao setor terciário da economia, caracterizado pelo trabalho intelectual, máxime seus departamentos envolvidos com produção de ciência e tecnologia, de tal sorte que o excedente econômico produzido no setor fabril é dirigido para consumo da população envolvida com o trabalho intelectual do setor terciário. É por tal motivo que o país com a maior produção e exportação de ciência e tecnologia, os EUA, consomem o excedente econômico produzido nos países industriais periféricos, máxime a China, e exibem uma distribuição populacional manifestamente favorável ao setor terciário da economia, com ampla liberação de trabalho manual em favor do labor intelectual. O setor educacional de tal país exerce papel decisivo na consecução de sua hegemonia quanto à produção de ciência e tecnologia no âmbito mundial. Destarte, a nova divisão internacional do trabalho apresenta não duas, mas três vértices que podem ser assim esquematizados, a grosso modo:
1) Países agrícolas (ex.: Brasil) produzem excedente econômico a ser consumido em
2) Países industriais (ex.: China) que produzem excedente econômico a ser consumido em
3) Países que produzem ciência e tecnologia (ex.: EUA).
(por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, procurador federal e historiador pela USP)
HIPÓTESE SOBRE COMÉRCIO ELETRÔNICO GOVERNAMENTAL
As corporações de ofício medievais colimavam, mediante coordenação de oferta e procura, obstar tanto a subsunção plena da produção artesanal à forma mercadoria, como também a separação entre força de trabalho e meios de produção, vale dizer, a transformação da própria força de trabalho em mercadoria.
Os Estados mercantilistas apenas expandiram tal coordenação para abranger o âmbito nacional como um todo, entravando a penetração do capital mercantil no âmbito da produção material.
A acumulação primitiva e a revolução industrial verificadas pioneiramente na Inglaterra completaram, todavia, a subsunção da produção industrial ao capital com a respectiva transformação da força de trabalho em forma mercadoria.
Isto posto, a hipótese que lançamos consiste na necessidade da planificação econômica de jaez socialista abolir a forma mercadoria, mediante controle, inicialmente, não do processo de produção de capital, mas do processo de circulação de capital.
O escopo do controle inicial do processo de circulação de capital consiste em acelerar tal processo para que seu tempo de duração fique nulo, a saber, tendencialmente igual a zero, quando então restabelecer-se-á a coordenação perdida entre oferta e procura e a forma mercadoria começará a extinguir-se.
Dadas tais premissas de história econômica, interessante notar que a internet, mais uma vez, pode desempenhar importante protagonismo quanto ao escopo de extinção paulatina da forma mercadoria.
Com efeito, sítios de comércio eletrônico como o americano Amazon e o chinês Alibaba prestam grande serviço em favor desse escopo, na exata medida em que exibem aptidão para haurir um importante mapeamento da demanda dos produtos que oferecem à venda.
Ora, o mapeamento da demanda antolha-se-nos um passo inaugural considerável para a planificação econômica, com a resultante coordenação entre oferta e procura de mercadorias.
Nesse diapasão, economias de jaez socialista deveriam fomentar a eclosão de sítios de comércio eletrônico sob tutela governamental, como recurso comercial de obtenção de mapeamento da demanda, cujas informações podem instruir adequadamente a planificação da economia em geral.
(por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA)
Consoante já aventado neste blog, as corporações de ofício medievais controlavam a produção artesanal de sorte a coordenar a pequena produtividade do trabalho às necessidades locais.
Com o advento da manufatura e da consectária subsunção meramente formal do trabalho no capital, a produtividade do trabalho aumenta e a coordenação entre oferta e procura expande-se para abranger o âmbito nacional, tarefa atribuída aos assim denominados Estados mercantilistas. Nesse caso, a produtividade aumenta ainda muito lentamente em razão desta coordenação entre oferta e procura, sendo certo que a cisão entre valor e preço das mercadorias tampouco se desenvolve plenamente.
Já com a eclosão da maquinaria e da grande indústria, exsurge a subsunção real do trabalho no capital, a produtividade do trabalho aumenta incessantemente e já não é possível coordenar oferta e procura a nível nacional, sendo certo que o mercantilismo cede ao liberalismo econômico. Nesse caso, desinibe-se plenamente a cisão entre valor e preço das mercadorias, inclusive nos moldes por mim preconizados no artigo intitulado "Sobre valor e preço", publicado na revista marxista Mouro número 8, de dezembro de 2013.
(por LUIS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA)