Movimentos estéticos ou políticos parecem encerrar um jaez de liberdade subjetiva, como se fossem escolhas livres de um conjunto de pessoas em favor de determinado escopo que pode ou não ser alcançado.
Como já obtemperava Hegel, todavia, a liberdade é a consciência da necessidade.
Nesse diapasão, o Manifesto Comunista inaugura, em grande medida, um movimento político manifesta e declaradamente objetivo, no exato sentido de que não se cuida de escolha subjetiva marcada pela liberdade dos indivíduos que integram o movimento, mas de uma necessidade histórica objetiva que suplanta o âmbito individual para adquirir teor de classe social, nomeadamente da classe do proletariado.
Tal acepção é, de certa forma, aprofundada e radicalizada por Karl Marx em sua obra posterior intitulada O Capital, em que as classes sociais perdem qualquer resquício de subjetividade para encerrar o caráter de suportes ou vetores de relações ou modos de produção, mas nota bene.
O Capital culmina com a lei da queda tendencial da taxa de lucro, vale dizer, uma lei econômica que reflete uma tendência histórica que pode ser obstada por contratendências, exatamente como o movimento comunista objetivo, que pode ou não realizar-se no vindouro modo comunista de produção, mas ainda encerrando o jaez de necessidade objetiva, na medida em que sua alternativa seria a pura e simples barbárie, e não um modo de produção sucedâneo do comunista.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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