quarta-feira, 11 de março de 2026

PROUST E KAFKA

Já postulamos aqui, ad nauseam, que a produção e reprodução da vida material humana em sociedade bifurca-se em:

1. Universo da reprodução sexuada, em que os seres humanos contraem entre si relações subjetivas e afetivas, vinculadas às emoções e aos sentimentos, parecendo lícito ventilar que a obra de Marcel Proust situa-se mais próxima de tal universo, eis que sua narrativa não colima ou divisa a verossimilhança objetiva em relação ao tempo linear e absoluto, mas resulta fragmentária, introspectiva e dispersa como a mente e a memória humanas;

2. O universo do trabalho, mediante o qual os seres humanos contraem entre si relações de produção ou de propriedade objetivas, mais vinculadas à razão do que às emoções, cabendo destacar que a obra de Franz Kafka subsume-se melhor neste universo, eis que sua narrativa divisa e colima precisamente uma verossimilhança realista e objetiva em relação ao tempo linear e absoluto, exibindo até mesmo um jaez burocrático e cartorial do tipo weberiano.

O resultado disso, todavia, é que a obra de Proust exibe-se muito mais realista, objetiva e verossímil do que a prosa absurda e fantástica de Kafka.

Hipóteses sub judice.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

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