sábado, 15 de março de 2025

CONCORRÊNCIA E MONOPÓLIO

À medida que o capitalismo desenvolve-se no curso do tempo, a concorrência vai sendo substituída pelos monopólios. 

O período histórico do capitalismo concorrencial é caracterizado pelo contínuo progresso do processo de produção de capital, pois a concorrência pede a redução dos preços das mercadorias, sendo certo que a mais-valia é extraída primordialmente nesse processo de produção de capital. 

Já o período histórico do capitalismo monopolista distingue-se pelo contínuo progresso do processo de circulação de capital, com a introdução de novos valores de uso de preços elevados, sendo certo que a mais-valia é extraída primordialmente nesse processo de circulação de capital, mediante a terceira forma de mais-valia relativa, consoante restou explanado no meu texto intitulado "As quatro formas de mais-valia", publicado neste portal eletrônico. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.   

quinta-feira, 13 de março de 2025

Donald Trump entre o Vale e o Cinturão

 Trump equilibra-se entre o Vale do Silício e o Cinturão da Ferrugem, entre a ascendente indústria do software e a decadente indústria pesada, é uma contradição capitalista ambulante!


Sem embargo, o declínio das taxas de lucro do setor da indústria da transformação estadunidense provocou um deslocamento de capital em direção à novel indústria de tecnologia, mais lucrativa, operando uma intensa decadência do outrora pujante Cinturão da Ferrugem estadunidense e a ascensão do Vale do Silício californiano.


Sucede que tal fenômeno comprometeu a complexidade e a autonomia da economia dos Estados Unidos, pois a revolução digital atua primordialmente no processo de circulação de capital, mas a integridade da economia de um país depende do processo de produção de capital, que é preponderante, de tal sorte que a nação yankee restou fragilizada, no âmbito da divisão internacional do trabalho, máxime porquanto o vácuo do Cinturão da Ferrugem foi ocupado pela ascendente indústria da transformação da China, um adversário político e econômico de importância inconteste.


A política econômica nacionalista e protecionista de Trump colima, pois, recuperar a complexidade e a integridade da economia estadunidense com a ressurreição da indústria de transformação do Cinturão da Ferrugem, malgrado o forte apoio que o republicano encerra entre os magnatas do Vale do Silício.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

PSDB E PT

 Vou me arriscar e dar pitaco em análise política, conquanto isso não seja muito a minha “praia”


A social democracia do Estado do bem-estar social está em vias de definhar com o avanço inexorável do neoliberalismo decorrente das novas necessidades de extração de lucro a fórceps, em razão do declínio da taxa de lucro prevista por Karl Marx.


O partido herdeiro dessa tradição social democrata no Brasil, o PSDB está em vias de extinção, deixando um vácuo político em vias de ocupação pela extrema direita de matiz bolsonarista.


Mas a social democracia do bem estar social foi uma experiência conjuntural derivada de um período de relativa bonança ensejada pela segunda revolução industrial da indústria pesada, bem assim da guerra fria.


Daí a brevidade da experiência política consubstanciada no PSDB no Brasil, um partido conjuntural.


Já o Partido dos Trabalhadores finca raízes mais profundas e estruturais, conquanto também seja fruto da segunda revolução industrial da indústria pesada, pois está alicerçado na classe trabalhadora, que se nos antolha ínsita à própria essência do modo capitalista de produção.


A existência do PT, portanto, deve ser mais longeva do que a do PSDB, mas a dificuldade de renovação dos quadros petistas reflete precisamente sua origem na indústria pesada.


A hodierna revolução digital impõe desafios ao PT em razão das alterações e vicissitudes da classe trabalhadora e do trabalho intelectual na produção do software como mercadoria, mas a existência desse partido pode ser prolongada e relevante se ele souber adaptar-se às novas injunções da história econômica.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

segunda-feira, 10 de março de 2025

MARXISTAS E BURGUESES NA ECONOMIA

 Os economistas burgueses, tanto liberais quanto keynesianos, enfatizam o processo de circulação de capital, eis que o processo de produção de capital revela a exploração da força de trabalho na extração da mais-valia: seu universo científico circunscreve-se, portanto, à oferta e à demanda econômicas, mas a planificação da economia não se situa em seu escopo.


Já os economistas marxistas enfatizam o processo de produção de capital, a saber, a extração da mais-valia, mas descuram, em certa medida, do processo de circulação de capital: isso se deve à obra magna O Capital, de Karl Marx, que investigou principalmente a mais valia e o processo de produção de capital da primeira revolução industrial, a inglesa do século XVIII, a qual não afetou o processo de circulação de capital com inovações nos valores de uso, ao contrário das revoluções industriais ulteriores.


Sintomaticamente, a extinta URSS revolucionou radicalmente as relações de produção ou propriedade, colimando erradicar a mais-valia, mas malogrou no processo de planificação econômica, em que a circulação e distribuição de bens exibe-se preponderante.







Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

MARX E A UNIÃO SOVIÉTICA

 A União Soviética, como parece cediço, exibiu altas taxas de crescimento econômico desde sua fundação até os estertores da década de 1970, quando sua economia começou a declinar, ou seja, seu milagre econômico corresponde precisamente ao período da assim designada segunda revolução industrial, caracterizada pela ascensão da indústria pesada de bens de consumo duráveis, máxime o automóvel.


Quer me parecer, portanto, que a planificação econômica centralizada soviética logrou sucesso quanto a tal revolução industrial, mais circunscrita ao processo de produção de capital, mas malogrou quanto à subsequente revolução digital, a qual promoveu reviravolta no processo de circulação de capital, com novos valores de uso vinculados a tal processo.


Parece certo, outrossim, que a crítica da economia política de Karl Marx privilegiou, em alguma medida,  a investigação do processo de produção de capital em detrimento do processo de circulação de capital, talvez pela limitação imposta pelo seu estado de saúde.


Seria urgente, nesse caso, uma revisão da crítica da economia politica voltada ao processo de circulação de capital, talvez seu aprofundamento?


Hipóteses sub judice.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

INDENIZAÇÃO?

 Já esgrimi neste portal eletrônico a indenização da classe capitalista pela expropriação de seus meios de produção em eventual revolução política de jaez anticapitalista, para evitar os custos de uma guerra civil, lastreado no exemplo histórico da Revolução Inglesa do século XVII, em que ocorreu uma acomodação política entre aristocracia e burguesia por intermédio do instituto da renda da terra.


Sucede, todavia, que esta acomodação política foi estabelecida entre classes sociais dominantes que vivem do trabalho alheio, e encerrava como objetivo evitar um levante das classes trabalhadoras que poderia ser radicalmente subversivo.


No caso de uma revolução proletária, trata-se de erradicar qualquer forma de exploração do trabalho alheio, portanto parece descabida, em exame perfunctório, a indenização pela expropriação dos meios de produção.


Remanesce a vetusta questão:


O que fazer?






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

RUMO ÀS ESTRELAS

 Rumo às Estrelas

 

Gostei da argumentação do último artigo do Luís Fernando, Superata Tellus, Sidera Donat, tanto que até fui pesquisar o significado título, que pode ser traduzido como A Terrasuperada, dá as estrelas. A frase é de Boécio, que pelo que entendi, é um filósofo medieval, mas minha pesquisa sobre o título foi só até aí.

Eu me mexi para escrever porque o assunto abordado no artigo é algo que sempre me vem à mente, como aficionado da conquista espacial e inconformado com a finitude da humanidade, uma vez que nosso planeta inevitavelmente deixará de existir quando o sol se tornar uma gigante vermelha e seu raio se expandir até (ou além, não sei ao certo) órbita de Marte, engolindo os planetas interiores. Obviamente, a vida neste planeta terá se extinguido muito antes disso. Esse evento, o fim da Terra, inclusive é tema do primeiro episódio da primeira temporada da retomada da clássica série britânica Dr. Who.

Em outras palavras, se a humanidade quiser sobreviver ao nosso planeta, terá que deixá-lo em algum momento e aí reside o grande problema. Viagens interestelares são absurdamente custosas, ao ponto de torná-las praticamente inviáveis para uma criatura viva, devido principalmente a dois fatores: as distâncias gigantescas ambiente extremamente inóspito do espaço. Por mais que eu me divirta com as histórias de ficção científica, em que as pessoas viajam de um planeta a outro como se fossem visitar um amigo em outra cidade, isso é pura fantasia, um conto de fadas tanto quanto as aventuras de espada e feitiçariacom ogros, dragões e meio humanos com orelhas e rabo de gato.

A menos que surja uma descoberta que revolucione completamente a física, mudando tudo o que entendemos do mundo até agora, o que não é totalmente impossível, mas bastante improvável, não há como superar a velocidade da luz. Mesmo para que um objeto massivo atinja essa velocidade seria necessária uma quantidade infinita de energia, literalmente, salvo engando da minha parte, já que escrevo isto de memória. A alternativa de dobrar o espaço, encurtando asdistâncias entre a origem e o destino também é inviável, pois seria necessário criar campos gravitacionais gigantescos, o que até o momento parece impossível.Também me parece que tais campos esmagariam ou a abalariam tudo que estivesse por perto, o que não seria tão perto assim em termos astronômicos.Considerando que a estrela mais próxima de nós, Alfa Centauro, está a quatro anos luz de distância, isto é, levaria quatro anos viajando à velocidade da luz para chegar até elacomeçamos a ter uma ideia dos tempos necessários para essas viagens.

Para contornar problema do tempo a solução que alguns propõem é a das chamadas naves geracionais: uma enorme nave espacial, contendo um meio ambiente auto sustentável e uma tripulação constituída por uma pequena sociedade extremamente estável em que as inúmeras gerações se sucederiam até a chegada ao destino. Uma abordagem ficcional desse conceito pode ser vista no episódio For the World Is Hollow and I Have Touched the Sky da terceira temporada da série original de Star Trek. Além dos enormes problemas técnicos envolvidos em criar sustentar esse ambiente artificial, o fato dessa sociedade tripulação ser obrigada a manter um status imutável ao longo dos séculos de duração da viagem até outra estrela me parece a fórmula perfeita para criar um inferno autoritário onde qualquer manifestação de criatividade ou insatisfação ameaçaria a estabilidade absolutamente necessária para a sobrevivência de todos até o destino. Um controle rígido da natalidade também seria absolutamente necessário, o que, me parece, geraria conflitos constantes, por ir contra a natureza humana.

Porém, além do tempo, há o problema do quanto o espaço fora da Terra é inóspito à vida. Dentro do sistema solar o viajante espacial estaria exposto àsviolentas descargas de radiação emitidas pelo Sol e quando se afastasse o suficiente para se distanciar da influência do Sol, então estaria exposto ao frio extremo, próximo do zero absoluto, do espaço interestelar. Nesse vácuo gelado, também haveria uma completa ausência de recursos energéticos e materiais para manter a vida e o ambiente que sustentaria a vida. É aqui que entra a ideia sugerida pelo artigo supra citado e que há muito atrai o meu pensamento. Quem percorrerá o espaço preservando o nosso legado e o levando a outros mundos serão os nossos herdeiros, mas não de nossos corpos, mas de nossas mentes. Máquinas, androides ou não, dotadas de cérebros artificiais, inteligentes, conscientes e desprovidas das fragilidades da nossa carne, mas imbuídas de nossa razão e de nossas emoções. Emoções essas, espero, menos selvagens que as nossas, mas inevitáveis para dar a essas criaturas motivação, propósito e ímpeto de auto preservação. Esses nossos herdeiros, resistentes às agruras doespaço sideral, talhados para sobreviver ao tempo e ao isolamento em pequenos grupos sociais, viajariam ao longo de milênios, de planeta em planeta, talvez até levando a semente da vida terrestre, o DNA de nossas plantas e animais e até o nosso próprio, para povoar ou terraformar (transformar para que fiquem como aTerra) outros planetas.

Para citar novamente a ficção, um dos inimigos recorrentes do protagonista da série britânica Dr. Who são os Cybermen, uma civilização de autômatos, que por mais que tente, o doutor não consegue destruir, pois mesmo quando ele consegue exterminá-los completamente, no que talvez seja um verdadeiro genocídio, eles reaparecem, evoluindo de outra espécie, em outro planeta, pois substituir seus corpos e mentes por equivalentes artificiais seria o caminho natural para algumas espécies inteligentes. O problema desses Cybermen é o mau hábito de invadir os planetas alheios e impor os seus modos à força.

Espero que, quando atingirmos esse estágio da nossa evolução, a inteligência artificial predominante não tenha sido a desenvolvida por estadunidenses e europeus, notórios pelo imperialismo.



Por PEDRO CREM ALVES PORTO