quarta-feira, 4 de março de 2026

AINDA SOBRE HEGEL, OU NOVA TENTATIVA DE ENSAIO EPISTEMOLÓGICO.

O empirismo é necessariamente individualista, mas não o racionalismo. Explico.

Dados sensíveis são capturados necessariamente por sentidos e sensações vinculados ao corpo do indivíduo da espécie biológica do homo sapiens, e a razão também pode estar atrelada a um órgão específico do ser humano enquanto indivíduo, o cérebro, razão pela qual tanto o empirista John Locke quanto o racionalista René Descartes consideravam como fundamento de seus arrazoados epistemológicos o indivíduo humano. 

Todavia, o advento da filosofia de Georg Wilhelm Friedrich Hegel trouxe um elemento de complexidade nesse panorama, pois a razão, para tal expoente, deixou de vincular-se ao cérebro individual e adquiriu autonomia em relação aos seres humanos concretos, na medida em que se desenvolve à revelia destes humanos, na história, e encerra como epítome o Estado burguês, como se os indivíduos fossem meros vetores ou títeres dessa razão autônoma, tanto que Hegel denominou Napoleão Bonaparte de "razão a cavalo".

Karl Marx também considera a razão sob prisma hegeliano ou, digamos, supraindividual, mas de forma materialista, de tal sorte que a epítome da história ainda será alcançada no futuro, com a razão concreta e materializada em um algoritmo de inteligência artificial incumbido de realizar a planificação econômica mundial no comunismo vindouro.

Hipóteses sub judice. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.

Um comentário:

  1. Belo texto, como sempre meu caro. Para pensarmos juntos, provavelmente a complexidade trazida com o pensamento de que a razão, não necessariamente, parta do indivíduo, antes molda o indivíduo em sociedade, seja o tendão de Aquiles na obra dois gigantes do pensar. Mas isso pode ser apenas meu raciocínio cartesiano. Hipótese sub judice. Abraço

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