Em O Capital, obra magna de Karl Marx, observamos a sucessão histórica das categorias econômicas, numa escalada diacrônica que vai da mercadoria ao capital, passando pelo dinheiro, sempre obedecendo rigorosamente a um esquema lógico-dialético em que cada categoria é derivada dialeticamente da precedente, o que demonstra o processo pelo qual o pensamento puro ou abstrato captura a realidade em si, isto é, a realidade concreta, e não apenas suas aparências ou manifestações empíricas ou sensíveis, que se apresentam imediata e diretamente aos sentidos e sensações do homo sapiens.
Mas tais categorias econômicas correspondem empiricamente, vale dizer, no universo da empiria, a relações de produção ou de propriedade, de tal sorte que a categoria econômica do capital, verbi gratia, corresponde empiricamente à propriedade privada dos meios de produção.
As relações de produção, portanto, podem servir à história econômica ou à sociologia econômica, mas delas não se dessumem leis científicas de economia como, por exemplo, a lei da queda tendencial da taxa de lucro, derivada matematicamente dos pressupostos das categorias econômicas, e não das relações de produção.
Por isso, Karl Marx, no fim da vida, estudou matemática, ou mais especificamente cálculo diferencial e integral, a partir da obra de Wilhelm Leibniz, e não história ou sociologia.
Logo, o universo empírico constitui uma etapa necessária, mas não suficiente, do movimento de apreensão do real em si, ou concreto, pelo pensamento puro ou abstrato, movimento este que configura a essência do processo do conhecimento científico.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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