quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

AINDA SOBRE A EXPANSÃO DO CAPITAL INDUSTRIAL, por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, com auxílio do ChatGPT.

 

Expansão do Capital Industrial e Composição Orgânica

Expansão do capital industrial, taxa de mais-valia e composição orgânica

Diferentemente do capital financeiro, que se apresenta como valor homogêneo em crescimento segundo uma taxa de juros uniforme, o capital industrial possui uma estrutura interna diferenciada. No interior do processo produtivo, o capital se divide em duas partes qualitativamente distintas:

  • Capital constante (c): meios de produção, que apenas transferem seu valor;
  • Capital variável (v): força de trabalho, única fonte de valor novo e de mais-valia.

A massa de mais-valia produzida é:

$$ m = s \cdot v $$

onde $s$ é a taxa de mais-valia.

O capital total é:

$$ K = c + v $$

Hipóteses dinâmicas

Consideremos duas tendências fundamentais do capitalismo:

  1. A taxa de mais-valia cresce com o tempo:

    $$ s = s(t) $$

  2. A composição orgânica do capital também cresce:

    $$ k(t) = \frac{c(t)}{v(t)} $$

Da definição da composição orgânica:

$$ c(t) = k(t)\,v(t) $$

Logo, o capital total pode ser escrito como:

$$ K(t) = v(t)(1 + k(t)) $$

Portanto:

$$ v(t) = \frac{K(t)}{1 + k(t)} $$

Equação diferencial da acumulação

Suponhamos, para simplificação, que toda a mais-valia seja acumulada. Então:

$$ \frac{dK}{dt} = m(t) $$

Como:

$$ m(t) = s(t)\,v(t) $$

Substituindo:

$$ \frac{dK}{dt} = s(t)\,v(t) $$

E usando a expressão de $v(t)$:

$$ \frac{dK}{dt} = s(t)\frac{K(t)}{1+k(t)} $$

Obtemos a equação fundamental da acumulação:

$$ \frac{dK}{dt} = \frac{s(t)}{1+k(t)}K(t) $$

Solução geral

Trata-se de uma equação diferencial linear de primeira ordem. Sua solução é:

$$ K(t) = K_0 \exp\left( \int_0^t \frac{s(\tau)}{1+k(\tau)} \,d\tau \right) $$

Esta é a expressão geral da expansão do capital industrial.

Comparação com o capital financeiro

No capital financeiro:

$$ \frac{dK}{dt} = rK $$

No capital industrial:

$$ \frac{dK}{dt} = \frac{s(t)}{1+k(t)}K $$

A taxa efetiva de crescimento é:

$$ g(t) = \frac{s(t)}{1+k(t)} $$

Caso particular: tendências exponenciais

Suponhamos:

$$ s(t) = s_0 e^{\alpha t} $$

$$ k(t) = k_0 e^{\beta t} $$

Então:

$$ g(t) = \frac{s_0 e^{\alpha t}} {1 + k_0 e^{\beta t}} $$

Para tempos longos:

$$ g(t) \approx \frac{s_0}{k_0} e^{(\alpha - \beta)t} $$

Logo:

  • Se $\alpha < \beta$: desaceleração da acumulação.
  • Se $\alpha = \beta$: crescimento exponencial estável.
  • Se $\alpha > \beta$: aceleração da acumulação.

Interpretação teórica

A taxa efetiva de crescimento do capital não é a taxa de mais-valia pura, mas:

$$ g = \frac{s}{1+k} $$

Isso significa que a própria elevação da composição orgânica, resultado do progresso técnico, tende a reduzir a taxa de expansão do capital, a menos que a exploração do trabalho cresça em ritmo superior.

A acumulação capitalista não é um simples processo exponencial, mas um movimento contraditório entre exploração do trabalho vivo e expansão do capital morto.

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