sábado, 14 de fevereiro de 2026

ALEATORIEDADE E LIBERDADE

Nesta noite de sábado de carnaval do ano de 2026 da era cristã, um nerd como eu remanesce pensando nos instigantes artigos do exímio matemático Marcelo Viana, atual diretor do IMPA, recentemente publicados no jornal Folha de São Paulo, e que versam sobre a produção computacional de aleatoriedade. 

Nesse diapasão, receio que o próximo artigo do grande cientista provavelmente verse sobre a produção de números realmente aleatórios pela vindoura computação quântica, ainda incipiente e nos seus pródromos, eis que os hodiernos computadores lastreados na física clássica somente produzem números pseudoaleatórios.

Parece lícito ventilar uma analogia entre a aleatoriedade da física quântica com a liberdade individual no âmbito das ciências sociais, de tal sorte que temos o seguinte: se na física quântica o jaez probabilístico do mundo subatômico está praticamente sedimentado pelas evidências empíricas, nas ciências sociais e, notadamente, nas ciências econômicas, o determinismo vem adquirindo viço e musculatura, a teor, verbi gratia, dos recentes estudos e investigações do neurocientista Robert Sapolsky, que de alguma forma confirmam certo estruturalismo economicista nos moldes da obra de Louis Althusser.

Bem, eu aventaria o seguinte: no que pertine à vindoura planificação econômica descentralizada e lastreada em algoritmo central encarregado de coadunar oferta e demanda econômicas em âmbito mundial, como temos aqui preconizado para o futuro modo comunista de produção, talvez a computação quântica, apta a processar trilhões de informações em curto prazo, exiba-se capaz, outrossim, de produzir certa aleatoriedade necessária à garantia de alguma liberdade individual. 

Mas o certo é que já estou salivando pelo próximo artigo do professor Marcelo Viana a propósito.

Vamos aguardar. 






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

Um comentário:

  1. Meu caro amigo. Como eterno pessimista que sou, creio que a total aleatoriedade seja algo ideal, portanto fora do alcance humano. Relembrando um texto anterior, talvez Bird, tenha alcançado a aleatoriedade possível, em sua obra. Ainda assim não se libertou do contorno. O ponto de partida influencia o contexto da chegada. Essa é só uma opinião meu caro. A sua análise é bem mais fundamentada. Abraço.

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