segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

HAYEK E A MECÂNICA QUÂNTICA, por Luís Fernando Franco Martins Ferreira.

Rogo licença para tecer ainda algumas singelas considerações acerca da analogia entre as ciências sociais e a ciência da física, notadamente no que pertine à crítica de Friedrich von Hayek, eminente expoente da escola austríaca de economia, contra a exequibilidade da planificação econômica de jaez socialista.

Sim, Hayek patrocinava a inteligência consoante a qual a complexidade ontológica, e não apenas epistemológica, das ciências sociais, que se manifesta no problema das informações dispersas, obsta a possibilidade de formulação de uma planificação econômica socialista, além, obviamente, do problema do assim designado cálculo econômico.

Ora, este é o mesmo problema filosófico ínsito ao famoso debate na mecânica quântica entre a escola de Copenhague, liderada por Niels Bohr, e a escola encabeçada por Albert Einstein, em que a primeira defendia a tese da complexidade ontológica do mundo subatômico, enquanto a outra advogava o jaez meramente epistemológico do problema, sendo certo que, hodiernamente, após a formulação do teorema de John Stewart Bell em 1964, tal debate inclinou-se favoravelmente à escola de Copenhague. 

Ironicamente, no entanto, a revolução digital e a ainda incipiente computação quântica podem teoricamente resolver o problema das informações dispersas suscitado por Hayek, eis que, atualmente, os algoritmos e a rede mundial de computadores poderiam derrotar a complexidade social, nos termos de uma planificação econômica descentralizada, em que todos os agentes sociais encaminhariam via internet suas informações de produção e consumo a um computador quântico central incumbido de coadunar oferta e demanda. 

Hipóteses sub judice. 

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