Várias produções cinematográficas colimam humanizar o universo do crime organizado, tais como "O poderoso chefão", "Goodfellas", "Máfia no divã" e a estupenda série "Família Soprano", tentando encontrar o que há de humano na psicopatia, mas quem recruta psicopatas para trabalhar a seu favor é, sem dúvida, o capital, cuja promiscuidade com esse universo criminoso, no Brasil pelo menos, tem restado cada vez mais escancarada.
Mas a produção e reprodução da vida material humana encerra duas vertentes, a saber, o trabalho e a reprodução sexuada, sendo certo que, se esta última nos une como espécie biológica do homo sapiens, aquela nos divide em classes sociais antagônicas, bem assim nos aliena em relações de produção heterônomas, que nos governam à nossa revelia e culminam historicamente no capital.
A contradição básica entre estas duas vertentes acima deslindadas, que também divide a vida individual em duas partes antagônicas, é responsável pela maioria das psicopatologias: uma vida dividida entre o amor em família e, no limite, o ódio entre criminosos.
A personagem "Tony Soprano", da série homônima, talvez seja o paroxismo dessa divisão do indivíduo hodierno em metades inconciliáveis.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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