No texto intitulado "Breve discurso das hipóstases", publicado no vertente portal eletrônico, suscitei a tese de que o número é o elemento mais abstrato das ciências, pois, conquanto possa referir-se a qualquer coisa, não exibe, em si, nenhuma característica concreta.
Parece lícito ventilar certa analogia entre o número e a nota musical, que nada mais é do que uma frequência sonora medida em hertz, isto é, uma onda mecânica que se propaga segundo dada frequência, o que determina um som mais grave ou mais agudo consoante a medida de tal frequência.
Distintamente do número, todavia, a nota musical, conquanto seja o menor elemento da música, exibe-se concreta e não abstrata, eis que pode ser captada pelo sentido da audição humana, comportando também a possibilidade de oferecer distintos timbres de acordo com o instrumento musical que a produz.
Malgrado tal jaez concreto, a música, essa combinação sincrônica e diacrônica de notas musicais, é a mais abstrata das artes, porquanto a única que prescinde da visão humana para ser desfrutada, observando inclusive certos padrões e regras que a aproximam da matemática.
Pode-se afirmar, portanto, que a música situa-se na confluência entre arte e ciência, cabendo aventar que ela conteria os componentes de uma matemática concreta.
O grande músico Johann Sebastian Bach, nesse sentido, foi também um exímio matemático.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
Nenhum comentário:
Postar um comentário