O presente livro condensa os resultados das discussões e das
reflexões ocorridas no XIV Fórum de Análise de Conjuntura “Os rumos da política
e da economia brasileiras no ano de eleições”. O Fórum de Conjuntura, um dos
eventos mais tradicionais da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp,
destina-se a discussão de temas candentes da conjuntura política, social e
econômica nacional e internacional. Nesta edição o tema do evento consistiu na
conjuntura eleitoral, que foi abordada ao longo das mesas em seus múltiplos
aspectos. Os trabalhos apresentados também buscaram situar o Brasil no contexto
de crise do capitalismo global, além de traçarem um paralelo da situação
brasileira com a de alguns países da América Latina, em especial com a
Argentina.
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Análise:
As Aporias da Ortodoxia Econômica
Tornou-se lugar comum, no âmbito da ortodoxia econômica,
culpar certo “populismo do PT” pela atual crise por que passa o Brasil, de tal
sorte que, segundo tal tese, a trajetória de crescimento da dívida pública
acima do crescimento do PIB seria a causa da recessão em que nos enredamos
hodiernamente.
Ouçamos, a propósito, o atual presidente do Insper, e outrora
secretário de política econômica do governo Lula, Marcos Lisboa, em entrevista
concedida ao jornal Folha de São Paulo, aos 20 de setembro de 2015: “As
despesas no Brasil crescem por dois motivos principais. Primeiro, por causa das
regras de vinculação da despesa pública. À medida que o país cresce, aumentam
as despesas com educação, saúde e vários outros programas. Quando o país para
de crescer, não é possível reduzir essa despesa. Na média, portanto, essas
despesas crescem acima do PIB.”
À primeira vista brilhantemente sintética e esclarecedora,
tal explicação, no entanto, enveredou por uma aporia, ou seja, uma contradição
lógica sem solução, senão vejamos.
De fato, o que o nobre economista Marcos Lisboa explica é na
verdade o efeito da recessão, e não sua causa, pois quando há redução do
crescimento do PIB e as despesas públicas, por causa da vinculação precedente,
permanecem inalteradas, ocorre, com efeito, um aumento da dívida pública em
relação ao PIB, o que esclarece porque essa dívida pública cresce sob ponto de
vista de percentual do PIB, mas isso nada diz a propósito das causas da própria
redução do crescimento do mesmo PIB, ou seja, isso nada elucida em relação à
própria recessão, de tal sorte que aquilo que era para ser explicado, ou seja,
a causa da recessão, remanesce incógnito.
A aporia ortodoxa parece-nos sintomática de um equívoco muito
comum nessa vertente da teoria econômica, qual seja, o consistente em examinar
a crise do capitalismo, como sistema mundial, sob prisma meramente nacional, o
que conduz à esterilidade desse tipo de estudo e de suas recomendações de
política econômica.
Cabe, pois, retomar o exame da crise do capitalismo sob viés
mundial, máxime à luz do marxismo, seja em seu aspecto subconsumista, seja em
seu aspecto cíclico. O certo, no entanto, é que o capitalismo mundial, além de
socialmente injusto, por engendrar desigualdades injustificáveis, apresenta-se,
acima de tudo, economicamente ineficiente, com seu desenvolvimento errático e
caótico.
Por Luis Fernando Franco Martins Ferreira,
historiador.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Lançamento: Frente Nacional na Colômbia (1958-1974)
Lançamento livro: A Frente Nacional na
Colômbia (1958-1974): a ditadura democrática das classes dominantes
Neste livro, o leitor terá em mãos uma instigante análise
histórico-política sobre o período da Frente Nacional na Colômbia, a forma de
domínio implementada pelas classes proprietárias na Colômbia num período de
intensificação da luta de
classes, cuja repressão exercida no âmbito de uma democracia
restringida teve como resposta extrema a organização armada de camponeses e
vários grupos de esquerda.
Trata-se de um período crucial para se entender os atuais
impasses em que se encontram as forças políticas e sociais na Colômbia.
O livro também conta com um importante Prefácio escrito por
Carlos Lozano, jornalista, dirigente do Partido Comunista Colombiano e uma das
principais lideranças no país identificadas à luta pela paz, a democracia e o
socialismo .
Sinopse do livro:
“A resistência armada nem sempre é uma escolha.
A Colômbia é o exemplo mais patente de um processo de
repressão sem-fim de adversários políticos sob instituições aparentemente
livres. A violência institucional e extralegal das classes dominantes
condicionou o modelo organizativo da esquerda colombiana e a conduziu a uma
situação histórica crucial em que só podia reagir pela luta armada ou perecer.
Mais do que se imagina, a “Democracia Restringida” não é uma
peculiaridade colombiana, e sim uma característica permanente da América
Latina, embora Ana Carolina Ramos revele as singularidades do processo
histórico de um país dependente e de enorme diversidade geográfica e cultural.
Este livro nos ensina que a Democracia plena e participativa
está no futuro e não no passado”.
Lincoln Secco
Professor Livre-Docente de
História Contemporânea na Universidade de São Paulo (USP).
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