Venho de assistir ao registro de uma execução assombrosamente sobrenatural, ocorrida em 2003 no mosteiro dos Jerônimos em Lisboa, com a Orquesta Filarmônica de Berlim sob a batuta do mítico condutor francês Pierre Boulez, juntamente com a exímia pianista portuguesa Maria João Pires, do vigésimo concerto para piano e orquesta de autoria do insofismável Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.
Cuida-se de umas das mais belas páginas musicais de todos os tempos, do maior de todos os compositores da história, cujo enlevo proporcionado parece-nos similar ao de uma epifania de jaez religioso.
Mozart estava muito à frente de seu tempo e, provavelmente, não pensava somente em si quando compunha, mas divisava sobretudo as gerações vindouras, máxime porquanto sua música parecia extremamente complexa e de difícil execução para aquela época, mas o fato é que, efetivamente, tais gerações vindouras souberam atribuir o devido valor a tal obra extraordinária, cuja admiração só faz crescer.
Enfim, um músico que, sem exageros, transcendeu sua própria individualidade e inscreveu perenemente seu nome no panteão dos maiores artistas de todos os tempos.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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