quarta-feira, 15 de abril de 2026

GILBERTO FREYRE

A obra de Gilberto Freyre foi, como é notório, duramente criticada por importante parte da esquerda política brasileira, sendo certo que Clóvis Moura, verbi gratia, aduzia que Freyre caracterizou a escravidão brasileira como um certo idílio composto por senhores bons e escravos submissos. 

Muito provavelmente, tal ideia de idílio configure um exagero, mas, de outro bordo, tampouco parece crível que nossa escravidão tenha sido um inferno absoluto, pelas razões puramente racionais e econômicas que passo a expor e sugerir. 

Como vimos, o sofrimento físico do corpo humano determina tanto a violência do senhor, que ao escravizar esquiva-se da dor provocada pelo trabalho, quanto a obediência do próprio escravo, o qual, ao ser submetido pelo senhor, evita o sofrimento da violência, pior que o do trabalho, ou da morte pura e simples.

Ora, se o trabalho, e a vida em geral, fosse absolutamente insuportável para o escravo, restar-lhe-ia o suicídio, o que tornaria a instituição da escravidão (ou do modo escravista de produção) insustentável. 

Mas a história também registra a rebelião escrava no Brasil, que seria uma forma coletiva e organizada de escapar tanto da morte quanto do trabalho e da violência, ou seja, do sofrimento.

Enfim, o tema exibe-se bastante complexo, mas a escravidão no Brasil situa-se em algum lugar entre o idílio e o inferno: um logradouro de difícil acesso.      

Tais hipóteses, talvez bastante controversas, quedam sub judice.




por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.  

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