quarta-feira, 22 de abril de 2026

A POESIA CONCRETA, OU O ASPECTO SOCIAL COMO ASPECTO ABSTRATO.

Como vimos, a mercadoria bifurca-se em valor de uso (seu aspecto concreto) e valor de troca (seu aspecto abstrato), sendo certo que este último aspecto exibe-se eminentemente social, na exata medida em que as relações sociais, ou de produção, entre os seres humanos encerram um jaez tipicamente alienado e heterônomo, pois se originam e governam os indivíduos à revelia deles, e mesmo contra eles.

O aspecto abstrato da mercadoria, ou seu valor de troca é, portanto, seu aspecto eminentemente social, e o mesmo ocorre com a palavra escrita, senão vejamos.

Sem embargo, analogamente à mercadoria, a palavra escrita também se bifurca em aspecto abstrato ou social, a saber, seu significado; e seu aspecto concreto, isto é, o significante, que coincide com o próprio símbolo desenhado em papel ou virtualmente.

A poesia concreta exalta e emancipa precisamente esse aspecto concreto da palavra escrita, e nesse sentido encerra um jaez socialista ou progressista de esquerda, senão vejamos. 

Sem embargo, o dinheiro consiste na emancipação do valor de troca ou aspecto abstrato da mercadoria, que ulteriormente, ao se transformar em capital propriamente dito, apropria-se da produção econômica e material da vida humana na indústria fabril, dividindo os seres humanos nas classes sociais antagônicas da burguesia e do proletariado, sendo certo que este último guarda um jaez revolucionário, na medida em que tem o potencial de reunir e reunificar a humanidade numa sociedade comunista despojada da divisão em classes sociais.

Nesse modo comunista de produção, ainda vindouro, a mercadoria desaparecerá pela fusão entre seu valor de uso e seu valor de troca, prevalecendo o respectivo aspecto concreto dos produtos econômicos, dirigidos à efetiva satisfação das necessidades individuais também concretas.

Logo, a poesia concreta, ao exaltar o aspecto concreto da palavra escrita, divisa uma sociedade sem classes e sem mercadoria, em que a necessidade de acumulação capitalista será superada pelas necessidades humanas concretas.





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA. 

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