Como diria Karl Marx, as robinsonadas do indivíduo isolado, abstrato, dissociado das sociedades presente e passada que o produzem, não passam de ideologia burguesa no seu mais puro estado, eis que se faz mister considerar os seres humanos de forma sincrônica e diacrônica.
Nesse diapasão, sob prisma diacrônico, o indivíduo humano consiste em mero elo na cadeia do tempo que une passado e futuro, um fugaz presente que não pode suplantar a condição de passagem, na exata medida em que se exibe como mero instrumento da produção e reprodução da vida material humana em sociedade.
Louis Althusser, portanto, estava parcialmente correto ao postular que o indivíduo, a saber, o ego humano é mero suporte ou vetor de determinações estruturais da economia, mas bastava-lhe introduzir aí o elemento do tempo histórico: o indivíduo humano é vetor e passagem de relações históricas de produção.
Mas vejam: isto não representa qualquer demérito para o indivíduo humano, pois, ao contrário, emancipa sua condição histórica, enfatizando sua importância no curso do tempo, enfim, no devir, na ligação entre as gerações passadas e as gerações futuras.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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