Como vimos, a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se em: reprodução sexuada, pela qual se obtém o máximo de prazer; e trabalho, do qual se extrai o máximo de sofrimento.
No que pertine ao trabalho, sua realização depende de meios de produção, sendo certo que a apropriação de tais meios de produção pelos seres humanos efetiva-se mediante: o próprio trabalho e, outrossim, a violência, através da qual se evita a turbação da propriedade dos meios de produção (propriedade fundiária, inicialmente na história), ou há a subtração da propriedade de outrem para a própria imissão na posse respectiva.
Ulteriormente, trabalho e violência, a princípio unidos na formação da propriedade dos meios de produção, desenvolvem-se e separam-se dialeticamente no sentido da constituição de uma classe social que somente trabalha (escravos) e outra que vive da violência exercida sobre a primeira (senhores).
No que pertine a tal desenvolvimento das classes sociais, faz-se mister aduzir que o sofrimento do corpo humano cumpre papel axial, eis que a violência efetua-se sobre outrem (fazendo-o trabalhar para o senhor que exerce a violência) para evitar o sofrimento decorrente do próprio trabalho, enquanto o escravo submete-se ao senhor violento, trabalhando para este, para evitar precisamente o sofrimento ou a morte derivados da ameaça de violência ou da efetiva violência.
Tais hipóteses, ora sub judice, estão em consonância com o materialismo histórico.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
Nenhum comentário:
Postar um comentário