Vimos que a objetividade nas ciências sociais decorre provavelmente dos fenômenos correlatos da alienação e da reificação das relações de produção ou de propriedade, radicados, por seu turno, na bifurcação ou duplicação inerentes à produção e reprodução da vida material humana.
Ora, a realidade social objetiva pode ser em certa medida descrita, pois, como bipolar, a teor de dicotomias, que lhe são ínsitas, tais como as oposições entre trabalho e reprodução sexuada, entre valor de uso e valor de troca e, destacadamente, entre burguesia e proletariado enquanto classes sociais antagônicas.
O transtorno afetivo bipolar, afecção mental outrora denominada como psicose maníaco-depressiva, parece fincar raízes profundas nessa realidade social objetiva, dicotômica e polarizada, e não raro temos notícia de personalidades afetadas por tal doença, dos meios científico e artístico, que deram grande contribuição em suas áreas de atuação.
Louis Althusser, o filósofo marxista, pode ter sido uma de tais personalidades, cuja obra demonstra notável vocação para a objetividade, a teor de seu anti-humanismo teórico de jaez estruturalista, em que o ser humano deixa de ocupar o centro das investigações sociais em benefício das relações de produção.
Todavia, como lembra Lincoln Secco, é bem provável também que Althusser tenha exagerado no anti-humanismo, pois dificilmente se dessume da respectiva obra o caráter do homo sapiens como sujeito da própria história, capaz de, enquanto classe social e coletivamente, superar as mencionadas alienação e reificação, na qualidade de fenômenos sociais.
Hipóteses sub judice.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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