De proêmio, exoro licença para remeter meus eventuais leitores ao texto aqui publicado aos 31 de maio de 2023, intitulado "A Dobra", com supedâneo no qual teço as seguintes considerações e conjecturas.
Vimos que a produção e reprodução da vida material humana bifurca-se e duplica-se em reprodução sexuada e trabalho, de tal sorte que, quanto ao trabalho, os seres humanos contraem entre si relações de produção ou de propriedade heterônomas e alienadas, que governam esses seres humanos à sua revelia e mesmo contra eles, bem assim adquirem um jaez reificado nas formas das categorias históricas sucessivas da mercadoria, do dinheiro e do capital propriamente dito.
É precisamente esta duplicação ou bifurcação dos seres humanos que produz uma vida em sociedade alienada e reificada, uma verdadeira segunda natureza que se exibe aos indivíduos humanos como objeto externo que os governa e oprime, e mesmo os humilha, enfim, a sociedade apresenta-se objetivamente aos seres humanos como algo misterioso a ser investigado e compreendido a posteriori mediante o método científico.
Logo, a objetividade nas ciências sociais decorre exatamente desta reificação ou alienação na produção e reprodução da vida material humana pelo trabalho, sendo certo, ainda, que o cientista social desdobra-se simultaneamente como sujeito e objeto da respectiva investigação científica em razão de tal bifurcação ou duplicidade, em um movimento similar à descentração do indivíduo humano em direção ao pensamento operatório formal, devidamente descrito por Jean Piaget em sua epistemologia genética.
Hipóteses sub judice.
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA.
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