sábado, 9 de dezembro de 2023

Ainda sobre o ciclo canino do capital.

 Com altas taxas de ocupação da força de trabalho, o capital industrial não pode simplesmente reduzir salários para arrostar o declínio tendencial da taxa de lucro, portanto eleva os preços de seus produtos, com provocar inflação.


A inflação, todavia, também corrói os lucros ao diminuir o poder aquisitivo do dinheiro, de tal sorte que, então, os juros são dilatados para neutralizar essa corrosão.


Mas os juros elevados comprimem a economia produtiva em geral, pois também afetam negativamente os lucros do capital industrial, e portanto não podem permanecer assim por longo período, eis que a base de toda a economia radica no setor produtivo, de onde se extrai a mais-valia.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

União Soviética e Brasil: um paralelo.

 A ora extinta União Soviética exibiu um longo processo de industrialização durante o século passado, fundado na indústria pesada da segunda revolução industrial, mas não conseguiu dar continuidade a tal processo por não alcançar a revolução digital, entrando em colapso econômico no final da década de 1980.


O Brasil oferece história similar, com apresentar crise de hiperinflação na década de 1980, acompanhada por flagrante processo de desindustrialização que ainda perdura.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

O número e a morte.

 O conceito de número pressupõe a elisão de todas as determinações concretas da coisa a que ele pode se referir, consistindo, portanto, na máxima abstração, ou seja, o número pode, por seu nível de abstração, referir-se a qualquer coisa.


Tal elisão acaba por suprimir, também, a dimensão temporal da coisa, eliminando a finitude da realidade e a morte, ensejando a noção de infinitude, algo que não existe na realidade, pois mesmo o Universo é finito, porquanto em permanente expansão.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 3 de dezembro de 2023

Conjectura sobre emprego e inflação.

 Quando a taxa de ocupação da força de trabalho exibe-se alta, o capital industrial não pode simplesmente diminuir salários para se contrapor à queda tendencial da taxa de lucro, de tal sorte que a solução consiste em aumentar os preços dos seus produtos, provocando inflação.


É por isso, e não por causa da demanda, que o alto nível de emprego provoca inflação, ou seja, ele a provoca somente de forma indireta.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Ainda sobre inflação e declínio tendencial da taxa de lucro do capital industrial: o caso brasileiro.

 O caso brasileiro também parece corroborar o padrão de crescimento da inflação após um período relativamente longo de desenvolvimento industrial:


Com efeito, as décadas de 1950, 1960 e 1970 no Brasil exibiram-se como certo milagre econômico industrial fundado na indústria pesada de bens de consumo duráveis, máxime a automobilística, ao passo que a década de 1980 caracterizou-se pela inflação galopante que fulminou o ciclo político ditatorial de jaez militar.


Tal dado está em franca consonância com o ocorrido nos finais dos séculos XVIII e XIX na Europa, períodos de grande crescimento industrial que foram seguidos por dilatação inflacionária conforme demonstrou Nikolai Kondratiev.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Lançamento da revista Mouro: imperdível!

 No próximo sábado dia 25 de novembro, das 17 às 21 horas, na livraria do Espaço, na rua Augusta, 1475, em São Paulo, SP, ocorrerá o imperdível evento de lançamento das revistas Mouro números 14 e 15!


A revista marxista Mouro é uma publicação do Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores, fundada em 2009 como contribuição ao debate teórico de jaez marxista, que harmoniza o rigor intelectual à necessária irreverência da crítica do capitalismo com fundamento na tradição marxista!


Não percam!

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Salários e inflação

 Há um indício bastante evidente que desmonta os pressupostos da curva de Phillips:


A inflação atinge os preços de todas as mercadorias, salvo a mercadoria força de trabalho.


Decididamente, a inflação não decorre dos salários, mas do próprio capital que reage ao declínio dos lucros.





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.