quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Bosquejo acerca de economia e psicanálise.

 Os dois vértices da produção e reprodução material da vida humana neste planeta consistem em:


1. A produção econômica;


2. A reprodução sexuada.


O primeiro vértice foi investigado em profundidade e radicalidade pelos fundadores do socialismo científico, pioneiros do materialismo histórico, Marx e Engels, que descortinaram a lógica materialista e dialética da história das civilizações, sobrepujando destarte a história do indivíduo, o qual somente se manifesta na obra de tais autores enquanto representante de relações de produção.


O segundo vértice foi investigado pioneiramente por Sigmund Freud, o qual, todavia, cingiu-se à história do indivíduo e suas manifestações de jaez mais propriamente mental, sem, contudo, alcançar as repercussões demográficas desse vértice, sendo certo que, enquanto neurologista, teria contribuído mais eficientemente à ciência caso tivesse se debruçado nas interações entre o cérebro e a fisiologia dos demais órgãos humanos.


Cabe, pois, revisitar o segundo vértice a partir de prisma demográfico.



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 12 de setembro de 2023

PRÁXIS

 1. Quando mencionamos a prática política, no texto imediatamente precedente, referimo-nos àquilo que a tradição marxista costumeiramente denomina práxis, conceito que abroquela tanto a ação pura, por vezes heróica, quanto a formulação puramente teórica, desde que inclinada verdadeiramente à superação do modo capitalista de produção;


2. Essa tradição marxista também alude à contradição entre as relações de produção e as forças produtivas como indicativo de esgotamento dos sucessivos modos de produção no curso da história, mas não há nela parâmetros definidos para o momento exato desse esgotamento, de tal sorte que as crises cíclicas do capitalismo revelam-se típicas dessa contradição, mas não se sabe ao certo se haverá uma crise definitiva desse modo de produção, sendo certo, portanto, que à vanguarda proletária cabe esgrimir a práxis revolucionária desde sempre, ainda que tenhamos que aguardar muitos séculos de sobrevida desse sistema econômico ineficiente e injusto.



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

domingo, 10 de setembro de 2023

Pobre de direita

 Cada época da história propõe a si própria os problemas que pode resolver e cujas tarefas cabem a seus contemporâneos, mas nem todos os contemporâneos propõem a si próprios a prática para resolver tais problemas.


Assim que, nada obstante a necessidade de sobrepujar o modo capitalista de produção e fundar uma nova ordem social desprovida de fraturas provocadas pelas lutas de classes, nem todos agem consoante tal necessidade, nem mesmo entre os mais interessados na superação do capitalismo, vale dizer, o proletariado.


Há pobres de direita pois, conquanto todos possam ter acesso à mencionada necessidade histórica, cada indivíduo ainda encerra o livre arbítrio de agir como bem lhe aprouver, até mesmo contra seus interesses, ou os interesses da respectiva classe social.


Mas olhem:


Não é a consciência de classe que determina se alguém é de direita ou esquerda no âmbito político, mas sua efetiva prática diante da época em que vive.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Marx, ética e estética.

 Alfred North Whitehead revelou-se sábio ao postular que toda a filosofia ocidental resume-se a glosas marginais à obra de Platão, o fundador do pensamento dialético.


Como epígono platônico, Karl Marx buscou a essência da história humana, conduzindo a dialética a suas últimas consequências, ao mostrar o evolver lógico e cronológico das relações de produção da vida material humana, máxime em sua obra magna O Capital, que bem poderia intitular-se Ética!


Mas olhem:


Esta Ética de Marx colima a Estética, vale dizer, a fruição e gozo pleno, por todos, das possibilidades que a vida humana encerra, em uma vindoura sociedade despojada das fraturas de classes sociais!



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Os despojos da morte

 Na belíssima película cinematográfica intitulada “A escavação”, exibe-se a teoria de que a morte não encerra relevância social, mas tão somente individual, porquanto a história prossegue inexorável e inabalável diante do ocaso do indivíduo, sendo certo que ao arqueólogo cabe revolver os vestígios fúnebres da impassível deusa Clio.


Na reprodução sexuada, cada indivíduo aspira à imortalidade da espécie, ciente, todavia, de que não participará de suas glórias vindouras.


Mas olhem:


Essa espécie também experimentará seu crepúsculo, de tal sorte que, mais uma vez, postulo que a ontogênese recapitula a filogênese, eis que a morte das civilizações simula aquela dos indivíduos.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Nono aforismo

 Lênin postulava a supremacia da política sobre a economia, o que parece contradizer um certo viés de determinismo econômico encontradiço na tradição marxista.


Mas Lênin estava correto, pois a política revela-se como o meio por excelência apto a sobrepujar o fenômeno da alienação, resultante das determinações estruturais do capital sobre os seres humanos.



Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Oitavo aforismo

 Conquanto aparentemente abstrata, a matemática exibe-se como a mais objetiva das ciências, na qual a teoria importa mais que a respectiva autoria, ao contrário das ciências assim designadas “humanas”, máxime no direito, onde o argumento de autoridade ainda hoje é adotado em determinadas circunstâncias.


Observe-se, por oportuno, que o nascedouro dos números coincide com o advento da relação de produção consubstanciada na mercadoria, cujo valor determina-se pelo tempo de trabalho abstrato necessário à sua produção.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.