sexta-feira, 5 de abril de 2024

Gabriel Galípolo “quase certo”

O diretor do Banco Central do Brasil asseverou ontem que o “mercado de trabalho aquecido e a atividade econômica maior” podem tornar o processo de desinflação mais lento.


Quanto à atividade econômica aquecida, estou de acordo, pois a acumulação de capital conduz mesmo, inapelavelmente, ao declínio tendencial da taxa de lucro do capital industrial e ao aumento inflacionário de preços dele decorrente.


Agora, se ele quis dizer que a demanda econômica aumentada pelo emprego aquecido refreia a desinflação, então discordo.


A ciência econômica, lamentavelmente, não consegue ir além do processo de circulação de capital, não atinge a totalidade dos processos de produção e de circulação de capital, em que se delineia hialinamente a lei de Marx, a saber, a lei da queda tendencial da taxa de lucro do capital industrial.


É a contraposição a tal lei que engendra inflação, e não as dissonâncias entre demanda e oferta econômicas.






Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador: 

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Planificação econômica e sistema nervoso central: analogias e simetrias.

 Dissemos algures que há evidente simetria entre a evolução das espécies biológicas e a evolução das relações de produção.


Agora podemos nos aprofundar um pouco mais a propósito da forma concreta de tal simetria.


Nesse diapasão, aventaria a hipótese de uma analogia entre o desenvolvimento histórico do sistema nervoso desde os organismos pluricelulares simples, como esponjas e hidras, que exibiam uma rede difusa de células nervosas, até o Homo sapiens, que encerra um sistema nervoso altamente centralizado e eficiente, com seu cérebro e medula espinhal altamente desenvolvidos, de um lado; e de outro a história econômica das relações de produção, em que o modo de produção capitalista difuso e descentralizado pela propriedade privada dos meios de produção será superado pela planificação econômica socialista moldada pelo centralismo democrático, em que um algoritmo central, ou cérebro econômico, será alimentado com dados dos agentes econômicos, ou células econômicas, e processará tais dados decidindo sobre as metas a serem alcançadas.


A centralização é um fenômeno histórico tanto na história natural quanto na história econômica, e sua superioridade diante das redes difusas parece ser evidente.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

Planificação econômica descentralizada.

 Os economistas liberais exibem uma aversão irracional ao planejamento econômico estatal, mas o colapso soviético lamentavelmente dotou-os de argumentos de grande envergadura.


Mas onde está o alardeado milagre coletivo da mão invisível de Adam Smith?


Ora, o modo capitalista de produção somente produz mazelas coletivas, com sua ineficiência, sujeito a crises cíclicas, e injustiça, ao disseminar desigualdades sociais e miséria.


O tão incensado sistema de preços de mercado como forma eficiente de alocação de recursos exibiu-se outra balela: a inflação distorce continuamente tal sistema, e é provocada pelo funcionamento normal do capital, que se submete draconianamente à lei de Marx, a saber, a lei do declínio tendencial da taxa de lucro, contra a qual os capitalistas engendram aumento de preços e inflação.


Ok, mas a planificação econômica socialista centralizada tampouco vingou, dirão os liberais.


Tudo bem, mas hoje ela vingaria, pois a ineficiência na coleta e tratamento dos dados econômicos de oferta e demanda, que produziu um monstro burocrático na extinta URSS, poderia ser corrigida com os atuais avanços tecnológicos da era digital.


Penso numa planificação econômica descentralizada nos moldes de certo centralismo democrático, em que os agentes econômicos em sua totalidade, em escala mundial, forneceriam em tempo real seus dados de produção e consumo, dados esses que seriam processados por um algoritmo central que definiria as metas desses agentes econômicos.


Pode dar certo!





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Ainda sobre Marx e Darwin.

 Como vimos, há uma evidente simetria entre a evolução das espécies biológicas e a evolução das relações de produção.


É evidente, outrossim, que a evolução das espécies ocorre à revelia e independentemente da vontade da fauna e da flora envolvidos, configurando um processo automático sem um sujeito biológico que o governe no curso do tempo.


Esse automatismo ocorre também na evolução das relações de produção, que independe da vontade dos seres humanos.


No caso da evolução das espécies, a reprodução e desenvolvimento de tais espécies ocorre basicamente pela reprodução sexuada, enquanto no caso da evolução das relações de produção o trabalho também é determinante, juntamente com a reprodução sexuada.


O automatismo da evolução das relações de produção geralmente é associado ao fenômeno da alienação, que somente será superado quando os seres humanos tomarem as rédeas de sua própria história econômica com o advento futuro do modo comunista de produção em escala mundial.


Já a evolução da espécie humana somente será governada pelos seres humanos quando a ciência da genética como ramo da biologia o permitir.




Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador:

terça-feira, 2 de abril de 2024

LUIZ MARINHO

 O atual ministro do trabalho do Brasil, Senhor Luiz Marinho, está absolutamente correto em sua crítica à política que vem sendo seguida pelo Banco Central no país, mas gostaria de reforçar seus argumentos. 

A inflação não decorre do aumento dos salários e consequente suposta elevação da demanda econômica, mas da contraposição do capital ao declínio de seus lucros, em razão da lei descoberta por Karl Marx, vale dizer, a lei da queda tendencial das taxas de lucro decorrente do aumento da composição orgânica do capital derivada do processo de acumulação. 

Demais disso, o aumento dos juros não serve para desacelerar a economia pela redução da demanda, mas funciona também como válvula de escape do capital industrial diante da queda das suas taxas de lucro, vale dizer, a forma de capital-monetário assumida pelo capital industrial, que reflui constantemente de seu processo de circulação, deixa de ser reinvestida na produção e é investida como capital financeiro a juros altos.

Salve companheiro Luiz Marinho! 



por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.    




    

segunda-feira, 1 de abril de 2024

MARX E DARWIN: RELAÇÕES DE PRODUÇÃO E ESPÉCIES BIOLÓGICAS.

É cediço que Karl Marx tinha Charles Darwin em alta consideração e enxergava pontos de convergência entre sua obra O Capital e a obra do naturalista inglês, intitulada A origem das espécies, a ponto de mandar um exemplar de sua crítica da economia política ao biólogo britânico. 

Com efeito, em O Capital Marx investiga a evolução histórica das relações de produção, cabendo destacar que, se os indivíduos humanos morrem, não é menos verdadeiro que as relações de produção que eles contraem entre si são perenes e se reproduzem com seus descendentes e sucessores, parecendo lícito aventar que tais relações evoluem de forma cumulativa e se tornam cada vez mais complexas, a exemplo das relações de produção consubstanciadas sucessivamente na mercadoria, no dinheiro, no capital industrial, na renda fundiária e no capital financeiro. 

Há uma simetria flagrante entre a evolução das relações de produção e a evolução das espécies biológicas. 

Sem embargo, os indivíduos da fauna e da flora morrem, mas as suas espécies biológicas permanecem nos seus descendentes e sucessores, cabendo destacar que tais espécies também evoluem de forma cumulativa e cada vez mais complexa, como é o caso da história natural que vai dos indivíduos unicelulares à complexa espécie do homo sapiens. 





Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador. 

Nota de pesar

 É com grande consternação que o Núcleo de Estudos do Capital do Partido dos Trabalhadores cumpre a dolorosa missão de comunicar o passamento, no último dia 30 de março do corrente ano, do inesquecível professor Antônio Penalves Rocha, doutor em história econômica pela Universidade de São Paulo e professor na mesma instituição, onde lecionava com muito brilho e competência, ministrando cursos com ênfase na história do pensamento econômico.