quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

DOIS PROBLEMAS

O capital encerra fundamentalmente dois problemas, derivados do duplo aspecto da forma-mercadoria como valor de uso e valor de troca, a saber, a contradição básica entre o processo de circulação e o processo de produção de capital. 

Destarte, temos que:

1. Quanto ao processo de circulação, a divisão do trabalho, atrelada ao valor de uso das mercadorias, ao mesmo tempo que aumenta a força produtiva do trabalho, provoca o caos entre oferta e demanda econômicas, em razão da propriedade privada dos meios de produção e ausência de coordenação centralizada de tal produção;

2. Quanto ao processo de produção, atrelado ao valor de troca da mercadoria, o aumento inexorável da composição orgância do capital, decorrente da concorrência intrínseca ao processo de circulação, provoca uma tendência declinante da taxa de lucro desse capital e, consequentemente, sua crise;

De 1 e 2 dessume-se a contradição também básica entre forças produtivas e relações de produção, de tal sorte que a solução para o capitalismo, ou modo capitalista de produção, seria:

1. Abolição da propriedade privada, com instituição da propriedade coletiva dos meios de produção e decorrente dissolução da mais-valia e do lucro;

2. Instituição da economia centralmente planificada, mediante informações descentralizadamente colhidas por meios eletrônicos, com decorrente resolução do problema entre oferta e demanda econômicas.

No que pertine à contradição básica entre forças produtivas e relações de produção, temos que:

1. No âmbito do capitalismo, as forças produtivas desenvolvem-se de forma mais célere do que as relações de produção, eis que o processo de centralização de capital e formação de monopólios é obstado pela propriedade privada dos meios de produção;

2. No âmbito do socialismo soviético, as relações de produção desenvolveram-se mais celeremente do que as forças produtivas, as quais não atingiram a revolução digital necessária para a planificação econômica. 

Hipóteses sub judice.






por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.       

Nenhum comentário:

Postar um comentário