Diz-se que o indivíduo de determinada espécie biológica, como a humana, verbi gratia, constitui uma singularidade, pois é único, isto é, não há nada efetivamente idêntico a ele, nem mesmo no caso de gêmeos univitelinos.
Todavia, se o indivíduo fosse de fato uma singularidade, a biologia e a medicina seriam impossíveis, e não haveria qualquer tratamento médico possível.
No entanto, as vacinas, por exemplo, funcionam, apesar dos hodiernamente denominados "antivax".
Mas parece que no universo físico há de fato singularidades, por exemplo, nos pontos de infinita densidade encontradiços nos buracos negros, descritos por Roger Penrose, em que as leis e as equações matemáticas da ciência da física param de funcionar.
Equações "matemáticas"...
Bem, já tivemos a oportunidade de obtemperar aqui neste portal eletrônico que a noção de número configura uma abstração total, no sentido de que o número pode referir-se a qualquer coisa e, portanto, abstrai todas as particularidades ou singularidades dessa própria coisa.
Nada obstante, o número, a saber, a finitude pressupõe dialeticamente a noção de infinito, seu contrário, mas a matemática, como as equações da física, verbi gratia, não funciona para quantidades infinitas, vide o aludido caso das singularidades físicas, isto é, dos pontos de densidade infinita dos buracos negros.
Seria a matemática uma ferramenta útil, mas ainda pobre e incompleta para descrever a realidade?
Tais indagações antolham-se-me ainda um mistério...
por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.
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