sábado, 31 de janeiro de 2026

FRANKENSTEIN, OU O PROMETEU MODERNO.

Para Karl Marx, o escopo do método científico consiste em ascender do abstrato ao concreto, tanto que sua predileção, em termos de mitologia grega, recaía sobre o mito do Titã Prometeu, que enganou Zeus (abstrato) para beneficiar os homens (concreto), roubando o fogo sagrado do Olimpo para lhes atribuir inteligência e progresso.  

O capital, sob prisma histórico, reproduz o mesmo percurso do método científico, ao ascender do âmbito do dinheiro ou circulação de mercadorias (abstrato) ao âmbito da produção de mercadorias (concreto), e o mesmo poderia ser afirmado da própria teologia cristã, com Jesus Cristo como Deus encarnado.

O cientista Victor Frankenstein, do romance homônimo de Mary Shelley, age como um Prometeu moderno ao criar um monstro que supera os próprios seres humanos em força física e inteligência.

Hodiernamente, o capital parece percorrer o trajeto inverso, ao criar uma inteligência artificial (aspecto ou pensamento abstrato), a partir de elementos da revolução digital (aspecto concreto), que pode ou tem o potencial de superar a própria inteligência humana.

Daí a longevidade do mito prometeico e do romance de Mary Shelley, contemporânea de Karl Marx. 





por LUÍS FERNANDO FRANCO MARTINS FERREIRA, historiador.   

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