Sempre fui atraído por aquilo que é vencido, derrotado e inconcluso, o que talvez esclareça minha predileção pelas obras de autores como Franz Kafka, Fernando Pessoa e, obviamente, Karl Marx!
Lincoln Secco foi quem me chamou a atenção para o fato de que talvez a obra postumamente publicada ou ainda inédita do Mouro de Trier seja mais ampla e vasta do que aquela acabada e publicada em vida, algo que me parece consentâneo com o método científico do materialismo histórico e dialético.
Sem embargo, os livros segundo e terceiro de O Capital foram postumamente editados e publicados por Friedrich Engels e exibem material notoriamente controverso, tal como evidenciado pela crítica de Rosa Luxemburgo ao aludido livro segundo, bem assim o problema da transformação dos valores em preços de produção insculpido no livro terceiro respectivo.
O Velho Nick também legou em torno de mil páginas manuscritas sobre cálculo diferencial e integral, as quais estão sendo gradual e parcialmente publicadas e estudadas.
Esse material manuscrito imenso teria mesmo a autorização de Marx para ser publicado do jeito que está sendo feito?
Qual o grau de autoria assumido por Engels?
Pretendia Marx conferir um acabamento mais formalmente matemático para sua crítica da economia política?
São questões intrigantes!
Mas uma coisa é certa:
A vida não é só dura; ela também é muito curta!
Por Luís Fernando Franco Martins Ferreira, historiador.
É meu caro, você toca em um ponto relevante. Será que a obra póstuma é realmente obra do autor, mesmo confirmada a autoria? Até que ponto é apenas um estudo, que pode ser usado para apoiar ou confrontar uma opinião ainda em fase inicial.
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